1-10
1 Prólogo: O Verbo da vida e a comunhão com Deus 1-4
1:1 O que era desde o princípio,
o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que
contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida
1:2 (e a vida se manifestou, e
nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna,
a qual estava com o Pai e nos foi manifestada),
1:3 o que temos visto e ouvido
anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão
conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
1:4 Estas coisas, pois, vos
escrevemos para que a nossa alegria seja completa.
5-10 O pecado, a confissão, o perdão, a propiciação
5-2.29 Deus é luz. Permanecemos na luz
1:5 Ora, a mensagem que, da
parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele
treva nenhuma.
1:6 Se dissermos que mantemos
comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
1:7 Se, porém, andarmos na luz,
como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus,
seu Filho, nos purifica de todo pecado.
1:8 Se dissermos que não temos
pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.
1:9 Se confessarmos os nossos
pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça.
1:10 Se dissermos que não temos
cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.
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sergiovalentin
* 1.1-4 O evento central da história é o aparecimento
da vida eterna em Jesus Cristo. João é
uma das testemunhas escolhidas que viram, ouviram e tocaram naquele que
existira deste o princípio o Filho de Deus, cuja eterna comunhão com o Pai é
estendida agora a outros. Tal estender
acontece por meio da proclamação apostólica, na forma escrita de 1 João
inclusive.
* 1.1 O que era desde o princípio. Esse versículo baseia-se em Jo 1.1, que, por sua vez, baseia-se em Gn
1.1. Os dois versículos do Novo Testamento
destacam a encarnação como um evento tão importante quanto a própria criação.
ouvido... visto...
contemplamos... apalparam. Esses verbos impressivos defendem a realidade
da natureza humana de Cristo contra a especulação docética, que é explicitamente
rejeitada mais adiante (2.22; 4.2,3; Introdução: Data e Ocasião).
ao Verbo da vida. O tema da proclamação de João é Jesus, a
palavra encarnada (Jo 1.1-14).
* 1.5-10 Tal como o evangelho de João, 1 João começa
com a contraposição de luz e trevas. No
evangelho, o Cristo encarnado é a luz que continua a brilhar nas trevas de um
mundo que procura excluí-lo. Os crentes
deparam-se com uma escolha: ou "andar na luz", vindo a ele e abrindo
lhe seus corações em confissão de pecado ou "andar nas trevas", negando
que são pecadores. A oposição entre luz e trevas está inseparavelmente ligada
àquela entre os que "praticam a verdade" e concordam com Deus e os
que fazem de Deus "um mentiroso".
É uma verdade inegável que cristãos pecam; o remédio para o pecado confissão
de pecado e purificação pelo sangue de Jesus é a dádiva permanente e
irrevogável de Deus aos que crêem. Visto
que a morte de Jesus pagou completamente a punição pelo pecado e que Deus
confirmou Jesus como seu verdadeiro Filho, ressuscitando-o dentre os mortos,
Deus concede perdão e purificação por uma questão de fidelidade e justiça. Ele não se recusará, nem mesmo pode
recusar-se a fazê-lo.
* 1.5 Deus é luz. Essa descrição de Deus enfatiza os seus
atributos de pureza moral e de onisciência, reforçando o enfoque de João quanto
à necessidade que temos de confessar o pecado.
* 1.7 o sangue de Jesus. Como Hb 9.22 afirma, "sem derramamento
de sangue não há remissão." O
derramamento do sangue de Cristo foi um sacrifício vicário voluntário de valor
infinito para os eleitos; pagou completamente a punição de Deus pelo pecado (Hb 9.27,28).
* 1.9 Se confessarmos os nossos pecados. O perdão de Deus nos é dado tão logo
admitimos que temos necessidade do mesmo,
não com base em quaisquer atos que tenhamos feito para alcançá-lo mas,
exclusivamente, por causa de sua graça.
O dom gratuito do perdão traz consigo a purificação de toda
injustiça. Deus nos aceita como justos
porque ele imputa-nos a justiça de Cristo.
Em outras palavras, a própria justiça de Cristo, aquele que leva os
pecados por nós, é creditada a nosso favor.
* 1.10 Se dissermos que não temos cometido pecado. Talvez o "pecado para morte"
mencionado em 5.16 seja a recusa obstinada em aceitar o diagnóstico de Deus
quanto à nossa necessidade bem como à sua oferta de perdão.
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sergiovalentin
A
Primeira Epístola de João
Autor
Em
estilo, vocabulário e conteúdo, 1 João segue de perto o quarto evangelho. É
praticamente certo ter sido escrito pelo mesmo autor (Introdução a João:
Autor). Mesmo que os dois livros sejam anônimos, a sua atribuição tradicional a
João, filho de Zebedeu, não pode ser
contestada. Ela se baseia em evidências mais firmes do que simples
propostas especulativas, como a de João o Presbítero ou João Marcos. A ênfase,
no versículo de abertura, na proclamação com autoridade e no testemunho ocular
é mais naturalmente aceita como sendo um reflexo do chamado apostólico de João
(Jo 19.35; 20.3-8; 21.24).
Data e Ocasião
A
primeira carta de João foi escrita para alertar e instruir os leitores sobre um
tipo de falso ensinamento que negava que Jesus Cristo havia sido encarnado
(4.2, 3). O ensino era que Cristo só tinha a aparência de ser humano, e sendo
assim não havia real encarnação e não havia um Salvador divino que pudesse
morrer pelos pecadores. Cristo só havia aparentado morrer. Tal ensinamento é
conhecido desde a história cristã primitiva, e é chamado de
"docetismo" (do grego dokeo,
"parecer").
Alguns
estudiosos acham que o falso ensinamento era uma variação do gnosticismo, um
movimento religioso que ligava a salvação a uma experiência de revelação
individual e esotérica (gnosis
é a palavra grega que significa "conhecimento"). Um exemplo seria o
ensinamento do mestre Cerinto, que viveu no final do primeiro século.
Escritores posteriores consideram Cerinto gnóstico e docético, mas existe pouca
evidência em 1 João para estabelecer alguma ligação do falso ensinamento, que
ali é confrontado, com as idéias específicas atribuídas a Cerinto, ou até ao
gnosticismo em geral.
Várias
considerações indicam que a epístola de 1 João foi escrita depois do evangelho
de João. Primeiro, ela se refere muito brevemente a idéias que o evangelho
explica mais clara e amplamente. Aparentemente presumia-se que os leitores
tinham conhecimento do evangelho. Em segundo lugar, o conflito com o docetismo
está ausente no evangelho e parece ter sido algo posterior. Em terceiro lugar,
não há nenhuma indicação em 1 João do conflito ideológico com "os
judeus" que permeia a primeira metade do evangelho. O evangelho mostra a
comunidade cristã dolorosamente se destacando do povo judeu, enquanto 1 João
reflete uma ocasião posterior, onde a auto-identificação cristã era bem mais
estabelecida e podia ser pressuposta.
Outro
fator indicador da data de 1 João, vem da comparação com as cartas de Inácio
(em torno de 110 d.C.) e de Policarpo. Estes escritos criticam ensinamentos
falsos semelhantes porém mais desenvolvidos do que aqueles tratados por 1 João.
Para abrigar este desenvolvimento, 1 João deve ser datada alguns anos antes de
110 d.C.
Características e Temas
Ainda
que 1 João tenha sido tradicionalmente tratada como sendo uma carta, ela não
contém os fatores principais que identificam uma carta (saudação, cumprimentos
introdutórios, saudação final). Ainda assim, João se dirige aos leitores como
"meus filhinhos" (2.1). Ele parece estar escrevendo a um grupo
específico de pessoas com o qual partilha de um relacionamento íntimo. Nos seus
propósitos básicos de admoestação e instrução, 1 João é semelhante à maioria
das cartas do Novo Testamento.
É
notoriamente difícil fazer um esboço desta pequena carta. Os seus temas parecem
mostrar pouca relação uns com os outros. A linguagem não é difícil ou técnica,
mas as idéias são profundas. João diz que Deus foi revelado em Cristo para que
pudesse comunicar a vida eterna àqueles que crêem. Deus é luz, verdade, e
amorcada uma destas características é alvo de alguma meditação, mas sempre em
conexão com o desenvolvimento de virtudes correspondentes nos próprios dos
crentes.
Os
ideais de pureza e amor, que são mostrados ao leitor, são dons de Deus
comunicados através da sua auto-revelação. Ao mesmo tempo, eles só são reais
quando estão em ação. Esta realidade é possível através do novo nascimento e do
perdão dos pecados.
O
inimigo do evangelho ataca de maneira geral. Ele impugna a auto-revelação de
Deus tentando negar que Jesus foi encarnado. Com isso, ele ameaça subverter a
confiança do crente em Deus. Além disso, o adversário tenta argumentar que
alguém pode acreditar em Deus sem tomar parte no amor e na bondade que são
parte da natureza dele. Isto faria da salvação também uma mera aparência. Para
a luz e a verdade do evangelho, o anticristo usa escuridão e mentiras, ou a
regra do ódio e da confusão mental.
Diferentemente
de Paulo, as idéias de João não são desenvolvidas logicamente passo a passo. As
conclusões finais, de que Deus é luz, e que Jesus Cristo nos purifica de todo o
pecado, são declaradas já nos primeiros versículos. Ele trabalha estas
conclusões com uma abordagem espiritual no decorrer do livro.
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sergiovalentin
Esboço de 1João
I. Introdução:
a vida eterna apareceu (1.1-4)
II. Luz e
treva (1.52.27)
A. Andando
na luz (1.52.11)
1. O
perdão dos pecados (1.5-10)
2. Guardando
os mandamentos (2.1-6)
3. Amando
ao próximo (2.7-11)
B. Escapando
do pecado (2.12-17)
1. Vencendo
o maligno (2.12-14)
2. Vencendo
o mundo (2.15-17)
C. Conselhos
para a última hora (2.18-27)
1. A
apostasia (2.18-21)
2. A
negação a Cristo (2.22-24)
3. A
lembrança sobre a unção (2.25-27)
III. A
vida de retidão (2.284.6)
A. A
retidão dos filhos de Deus (2.283.3)
B. A
prática do pecado e o diabo (3.4-10)
C. O amor
contra o ódio (3.11-15)
D. O amor
e a generosidade (3.16-18)
E. A
segurança (3.19-24)
F. O
Espírito de Deus e o anticristo (4.1-6)
IV. O amor
é aperfeiçoado em nós (4.75.12)
A. Deus é amor
(4.7-21)
B. Fé e
obediência (5.1-12)
V. Conclusão
(5.13-21)
A. Oração
pelo pecador (5.13-17)
B. A vida
em Deus (5.18-21)
A Qualidade do Amor (4.19) |
| ||
A Fonte do Amor O
Efeito do Amor |
| ||
| Deus personifica o seu amor (4.8,
16) | Nós refletimos o amor de Deus no
mundo (4.7) | |
| Deus nos amou (4.19) | Nós amamos a Deus; o medo é
lançado para fora; guardamos os seus mandamentos (4.18, 19; 5.3). | |
| Deus deu o seu Filho por nós
(4.9, 10) | Nós damos o nosso amor pelos
outros (3.17; 4.11) | |
| Cristo deu a sua vida por nós
(3.16) | Nós damos as nossas vidas pelos
outros (3.16) | |
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sergiovalentin