
5. A Exegese
Na atualidade a mídia, especialmente a TV e o rádio, tem sido usada como um instrumento para espalhar a palavra de Deus, mas ao mesmo tempo tem provocado na mente de muitos cristãos a “lerdeza do pensar”. Hoje existe o “evangelho solúvel”, “evangelho do shopping center”, “dos iluminados”, etc.
Estudar é buscar a fonte do evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta página tem o objetivo de estimular e incentivar ao estudo das Sagradas Escrituras, isto é muito mais do que uma leitura diária e muitas vezes feita as pressas para cumprir um ritual. Neste artigo temos a apresentação da arte que nos leva a conhecermos, entendermos vivermos uma vida com características do evangelho e da vida em abundância prometida por Jesus.

Aplicando a palavra ao texto, significa extrair a mensagem do texto. Portanto, a função da exegese bíblica é, humanamente falando, trazer à luz a mensagem da parte de Deus conforme registrada nas Escrituras. Deste modo, a “exegese” é oposta à “introdução”, atitude que consiste em tentar fazer o texto dizer o que queremos, torcer as evidências em favor de nossas concepções previamente dogmatizadas. Lloyd-Jones (1899-1981) nos adverte quanto a este perigo: “Quão importante é dar-nos conta do perigo de começar com uma teoria e impô-la às Escrituras! (…). Temos que ser cuidadosos quando estudamos as Escrituras para não suceder que elaboremos um sistema de doutrina baseado num texto ou numa compreensão errônea de um texto.Quando nos aproximamos do texto Sagrado devemos fazê-lo com espírito submisso, buscando entender o que a passagem nos diz e qual o seu significado. Os nossos princípios teológicos devem ser derivados dos fatos bíblicos não de nossa mente. A Exegese é portanto, a “ciência da interpretação”, sendo uma disciplina fundamental para a Teologia Bíblica, assim como esta o é para a Teologia Sistemática.
— PRESSUPOSTOS: A Exegese bíblica parte de dois princípios fundamentais:
- O pensamento pode ser expresso adequadamente através das palavras, tendo cada uma delas, no original, o seu sentido específico;
- A mensagem das Escrituras é de tal relevância para o homem, que devemos nos assegurar de entender correta e profundamente o que Deus quis nos ensinar através de Sua Palavra.
ASPECTOS DA EXEGESE
— O Texto: O primeiro passo é escolher o texto, determinar a sua extensão e confirmar a sua integridade através de suas variantes textuais. Nós pregamos a Palavra de Deus; portanto, devemos estar certos daquilo que pregamos. A extensão do texto deve ser determinada pela sua especificidade; devemos ter em mente o assunto tratado, que pode estar em um capítulo ou em alguns versículos que não estejam necessariamente limitados a um capítulo: As divisões dos capítulos e versículos, não são inspiradas, portanto ainda que sejam geralmente boas não são infalíveis. No entanto, é importante que tenhamos como princípio tomar capítulos inteiros para a nossa análise, para que não incorramos no perigo de esquecer o contexto.
— O Contexto: Os textos bíblicos não são fragmentos isolados; eles ocorrem dentro de um contexto histórico, estando integrado com o que foi registrado antes e depois. Portanto, analise o contexto, leia o(s) capítulo(s) anterior(es) e posterior(es), examine as referências paralelas, as introduções, resumos, consulte os aspectos históricos, geográficos e culturais. Reflita sobre o contexto bíblico e teológico.
Para que possamos fazer uma exegese correta, é imprescindível interpretar o texto dentro de seu contexto: “Se este aspecto é negligenciado, a interpretação torna-se arbitrária”. Analise também os substantivos, adjetivos, verbos, a ênfase do texto na ordem que se apresenta. Faça perguntas ao texto: Quando aconteceu? Quem fez acontecer? Por que aconteceu? Quem? Quando? Por que? Que mais aconteceu? Em que lugar? Sob quais circunstâncias? Quais as razões? Qual a ênfase do autor, suas proposições principais e conceitos? Quais as implicações disso?. Tome uma afirmação do texto e indague o seu porquê. — Tome as palavras chaves e analise a sua etimologia e composição; as estude dentro do texto. Usando uma concordância, veja também como elas são empregadas no livro analisado e em toda a Escritura. Compare as palavras com sinônimos, veja as diferenças e peculiaridades, descobrir sobre o que o texto fala e o que quer dizer. Certamente ele diz muitas coisas, sobre as quais inclusive você pode pregar mas, a questão primeira no entanto é: qual a mensagem central do texto? O que ele nos ensina objetivamente?
UMA TÉCNICA EXEGÉTICA
A exegese tem seus princípios gerais que devem ser observados, no entanto cada um, conforme a sua experiência, irá desenvolver as suas próprias técnicas, o seu próprio modo, sem, obviamente, perder de vista o seu objetivo que é o de compreender a mensagem contida no texto. Aqui temos uma sugestão:
1) Localize o Texto: Nem excessivamente pequeno (poderia esquecer o contexto), nem excessivamente grande (correria o risco de não expô-lo especificamente).
2) Faça a sua tradução e compare com outras: Na impossibilidade de fazer a tradução do original, compare a tradução que você usa com outras disponíveis: NIV, ARA, ARC, ACR, Jerusalém.
3) Reflita sobre o Contexto: Pense a respeito do contexto gramatical em sua relação com o contexto histórico do livro. Por que o autor escreveu? Leia uma introdução ao livro que fale do propósito do mesmo e de suas circunstâncias. Reflita sobre o contexto histórico, geográfico, social e político.
4) Releia o Texto Hebraico ou Grego (se possível): Tente compreender o argumento teológico e gramatical do contexto através do texto, identificando os verbos principais e as palavras chaves.
5) Inicie o estudo gramatical e sintático dos verbos e palavras chaves destacadas acima.
6) Examine as variantes textuais através dos aparatos críticos.
7) Estude o significado das palavras.
8) Formule o tema: Qual é a idéia principal do texto? (Este é o tema).
9) Elabore a proposição: Qual é a mensagem de Deus? (Esta é a proposição).
10) Pense nas implicações da mensagem para os nossos dias.
11) Consulte Comentários: Os comentários vêm sempre depois de um árduo trabalho; nunca devemos começar por eles.
O USO DE COMENTÁRIOS
1) Os Comentários são importantes, mas não essenciais: Você deve lê-los para comparar as suas conclusões e, quem sabe, acrescentar algo e reavaliar o seu ponto.
2) Elabore você mesmo o seu primeiro texto: Insisto, os comentários devem servir como consulta a posteriori.
3) Não tente usar muitos comentários: Três ou quatro sobre um livro são suficientes;
4) Use bons comentários: Dê preferência àqueles que fazem uma abordagem histórico-gramatical. Não gaste dinheiro e tempo com comentários devocionais e homiléticos. Ler sermões pode ser uma coisa agradável e gratificante; contudo, lembre-se de que sermões não são comentários. A observação de Blackwood parece-nos oportuna: “Os ‘comentários homiléticos’, que apresentam planos de sermões já prontos, podem ser úteis para o pregador leigo, mas não devem ter lugar na estante do indivíduo com preparo num seminário. Um ministro instruído necessita de um ou dois comentários exegéticos de cada um dos livros mais importantes da Bíblia, bem como outros livros de valor que mostrem o significado das Sagradas Escrituras”.
5) Evite dois extremos: Aceitar acriticamente as conclusões dos comentários ou chegar a suas conclusões sem examinar nenhum comentário: Lembremo-nos sempre, que cabe a nós submeter o nosso juízo e entendimento à verdade de Deus conforme testemunhada pelo Espírito. Sem o Espírito, todo o nosso trabalho “exegético” será em vão. A genuína exegese tem como pré-requisito fundamental à oração e o espírito de dependência de Deus.
6. O Sermão
O sermão antes de ser elaborado deve ter uma estrutura em nossa mente. A estrutura é como uma planta na construção de um edifício. No entanto a estrutura sozinha de nada adianta, é preciso ser preenchida.

Características básicas de uma boa estrutura:
PONTO
Todo sermão deve seguir em torno de uma idéia central a qual serve de tese para ser demonstrada ou como pressuposto que é aceito, não precisando de demonstração. O ponto exerce uma força centrípeta que atrai todos os argumentos para si. Contudo, lembremo-nos sempre de que “o texto é que nos conduz não um tema”. Esse ponto deve ser deixado claro na mente de nossos ouvintes. Após o sermão, ainda que eles não se lembrem de tudo que falamos, saibam sobre o quê falamos e o quê sustentamos.
UNIDADE
A unidade decorrente do texto, consiste na relação estabelecida entre as partes e o todo: Subordinar as idéias secundárias às primárias, apontando sempre para uma meta. Neste processo, precisamos omitir algumas coisas desnecessárias no momento, a fim de ressaltar a verdade focalizada. Assim, pregar não significa dizer tudo que sabemos a respeito do texto ou citar todos os textos da Bíblia que confirme o que estamos dizendo mas, ordenar as idéias de forma coerente e organizar o material de que dispomos de forma seletiva. Para tanto precisamos de uma proposição específica para a qual o sermão caminha firmemente.
ORDEM
A pregação exige clareza e coordenação a fim de sermos bem compreendidos. A falta de ordem gera obscuridade. A boa ordem exige a ligação entre as idéias a fim de que uma puxe a outra e cada uma delas, pressuponha a anterior. Esta disposição ordenada, caminha para um clímax, para o maior impacto, o coroamento da mensagem.
PROPORÇÃO
O sermão não deve ter uma ênfase exagerada num determinado argumento em prejuízo dos demais. Cada argumento deve ter o tempo necessário conforme a relevância dele para o seu sermão, a fim que não haja desproporção.
MOVIMENTO
O sermão deve ter idéias coordenadas que estão a caminho de uma conclusão: Isto nós chamamos de movimento. Ele tem uma meta definida e nada deverá fazer com que ele se desvie da sua rota. Um sermão é uma tarefa com uma visão de seu objetivo; um sermão sem objetivo é apenas um aglomerado de palavras e conceitos isolados. A vivacidade deste movimento, deste progresso no sermão é de grande importância para manter o auditório atento.
FIDELIDADE TEXTUAL
O pregador proclama a Palavra de Deus. Para que isto seja feito com fidelidade, é necessária uma interpretação cuidadosa do texto Bíblico e oração, considerando o seu contexto, uma exegese bem feita, a fim de que ensinemos com fidelidade o que o texto diz. Lutero acentuou que “Não há tesouro mais precioso nem coisa mais nobre na terra e nesta vida do que um verdadeiro e fiel pastor ou pregador.” Barth (1886-1968) exorta: “Para ser positiva, a pregação deve ser uma explicação da Escritura”.
Aquele que deseja pregar deve estudar mui atentamente seu texto. Em vez de atenção, seria melhor dizer ‘zelo’, ou seja, esforço de aplicação para descobrir o que se diz neste texto que está aí diante dos nossos entendimento.
7. Espécies de Sermões
Sermão é um discurso religioso formal, baseado na Palavra de Deus, e que tem por objetivo salvar os homens. A homilética classifica os sermões basicamente em: Tópico, Textual e Expositivo. Entretanto cada um apresenta, entre si diferenças e particularidades, uns relativamente fáceis de elaborar, outros, porém, mais difíceis e que requer um preparo mais criterioso.


Vejamos os três tipos:
Sermão Temático
Sermão tópico ou temático é aquele que, sua explanação geral gira em torno do tema. Mesmo apoiando-se num texto, sua mensagem não depende do texto, mas do assunto escolhido pelo pregador. Em outras palavras, a argumentação com suas divisões discorre sempre para o mesmo assunto. Quando baseamos a mensagem num tópico ou tema criados através de uma frase ou palavra, e procuramos apóia-lo com versículos, que concordam entre si, indubitavelmente, o sermão assume um caráter topical ou temático.
Sermão Textual
É conhecido como sermão textual, aquele cuja apresentação gira em torno do texto, independente do tópico ou assunto escolhido, suas divisões e subdivisão obviamente derivam do texto. Enquanto o sermão tópico se apóia num tema extraído de um texto, o sermão textual concentra-se num versículo, e suas divisões e subdivisões são enriquecidas de comentários que tem por base o texto. O sermão textual é muito recomendado para preleções evangelísticas, pois é atrativo, tendo em vista que os ouvintes, geralmente de pouca cultura bíblica, terão a atenção voltada para um assunto específico.
Sermão Expositivo
O sermão expositivo é aquele cuja explanação concentra-se em abordar uma passagem. Ele não se prende ao tema, nem estaciona-se em parte alguma do texto, mas limita-se em analisar um determinado trecho das escrituras, de modo a extrair dele seu ensino central. Muitos pregadores definem a pregação expositiva nos seguintes termos: “É a comunicação de um conceito bíblico, derivado e transmitido através de um estudo histórico, gramatical e literal de uma passagem no seu contexto”.
8. O Sermão e sua Estrutura
A arte de pregar é, sem dúvida, uma das tarefas mais sublimes e desafiadoras no ministério cristão. O sermão, sendo o meio pelo qual a Palavra de Deus é proclamada, requer uma estrutura bem definida para que sua mensagem seja eficaz e alcance os corações dos ouvintes. Dentro dessa estrutura, podemos identificar pelo menos três partes essenciais: a introdução ou exórdio, o desenvolvimento, e a conclusão, com a ilustração como um elemento importante que pode ser inserido em diferentes momentos do sermão para fortalecer a mensagem.

Classificamos pelo menos 4 partes essenciais que formam a estrutura de um sermão:
- Introdução ou Exórdio:
- Desenvolvimento
- Ilustração (Argumentação ou Demonstração)
- Conclusão (Peroração)
A estrutura, propriamente dita, é a organização do sermão com suas divisões técnicas, que servem para orientar o pregador na apresentação da mensagem. Um sermão precisa ter: unidade, ordem e progressão. Precisa ter começo, meio e fim.
1. Introdução ou Exórdio
A introdução de um sermão é a porta de entrada para o que será exposto. Ela deve ser cuidadosamente elaborada para capturar a atenção da congregação e preparar o terreno para a mensagem central. Uma introdução eficaz estabelece o tema do sermão e cria uma conexão com os ouvintes, permitindo que eles compreendam a relevância do assunto que será tratado.
- Importância da Introdução: A introdução deve ser breve, porém impactante, com uma transição suave para o corpo do sermão. Um bom exemplo bíblico de exórdio é o sermão de Paulo no Areópago, onde ele começa reconhecendo a religiosidade dos atenienses antes de introduzir a verdade do evangelho (At 17.22-23).
- Versículos de Apoio: “A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o Senhor…” (Jr 2.1-2). Este exemplo mostra como Deus inicia uma mensagem com uma chamada à atenção, preparando o ouvinte para o que será dito.
A introdução é a parte do sermão que serve como ponto de contato entre o pregador e o auditório. Normalmente, a introdução é a última parte a ser feita na preparação do sermão. Tendo uma idéia geral do sermão, devidamente estruturada, pode-se então preparar eficazmente a introdução. A introdução deve conter outros aspectos não técnicos.
Existem alguns tipo de introdução (Explicação ou Narração) como:
— Direta: É aquela cujo conteúdo está relacionado diretamente com o assunto do sermão.
— Indireta: É aquela cujo conteúdo tem apenas uma relação indireta com o assunto do sermão.
— Abrupta: É aquela em que o pregador passa diretamente a tratar do assunto escolhido.
Para começar um sermão, o pregador deve saber discernir o tipo de auditório a qual falará. Deve desenvolver a habilidade de preparar o seu auditório espiritual e psicologicamente, para ouvir o sermão que irá apresentar. Em outras palavras, a introdução de um sermão deve fazer com que os ouvintes sintam boa disposição para escutar o pregador; deve fazer com que lhe prestem atenção, e que fiquem desejosos de receber a mensagem que o predicante deseja apresentar. Alguém disse: “O pregador começou por fazer um alicerce para um arranhacéu, mas acabou construindo apenas um galinheiro”. A introdução é tão importante quanto à decolagem de um avião que, deve ser bem perfeita para um voo estabilizado.
— Uma boa introdução dá ao pregador: segurança, tranqüilidade, firmeza e liberdade na pregação.
— Uma boa introdução deve ser: • Breve (não deve, jamais ultrapassar 5 minutos). • Apropriada, de acordo com o tema do sermão (Exemplo: Fazer uma introdução sobre fé, depois se pregar sobre amor, isso é ridículo…). • Interessante (ou seja, deve despertar o interesse dos ouvintes). • Simples. Sem prometer muito do tipo: “Hoje vocês vão ver o que vai acontecer aqui”, ou “Se segura ai no seu banco irmão”, quando o resultado não é o que o povo esperava, a decepção dos ouvintes é notória e a frustração do próprio pregador é percebida. O melhor é não prometer, pois o que acontecer o povo recebera com alegria.
Outras coisas a evitar na introdução são: pedir desculpas, contar piadas, fazer uma alto – apresentação (Exemplo: – Irmãos o pastor esqueceu de dizer que eu sou “Isso ou Aquilo”).
2 – Desenvolvimento
Dentro da estrutura do sermão, o desenvolvimento é a parte principal. Ele é também chamado de esqueleto do sermão, que deverá ser recheado com comentários apropriados nas divisões pertinentes ao tema. A manutenção da seqüência lógica do sermão, especialmente na passagem da introdução para o corpo (desenvolvimento), depende principalmente de uma coisa, a saber: Uma ordem própria nas divisões e transições fáceis de um pensamento para outro. Por outro, lado é bom lembrar que as divisões devem obedecer a uma ordem ascendente, no sentido de um movimento progressivo durante o sermão.
O desenvolvimento é o coração do sermão. Nesta parte, o pregador expõe, explica e aplica a passagem bíblica escolhida, desdobrando o significado do texto e trazendo à luz os princípios divinos contidos nele. O desenvolvimento deve ser lógico e bem estruturado, com pontos claros que conduzem o ouvinte através do sermão, mantendo o foco na mensagem central.
- Estrutura do Desenvolvimento: O sermão deve ser dividido em subpontos que ajudam na compreensão do tema principal. Cada subponto deve ser sustentado por textos bíblicos, exegese, e aplicação prática.
- Versículos de Apoio: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, e para a educação na justiça” (2Tm 3.16). Este versículo ressalta a importância de um desenvolvimento bem fundamentado nas Escrituras, com cada ponto respaldado pela Palavra de Deus.
PONTOS IMPORTANTES
— Explicação
Razão de uma coisa, de uma atitude, uma justificativa e esclarecimento de uma verdade, agindo totalmente de conformidade com o conteúdo do sermão.
— Definição de Tema
O tema ou proposição é o assunto sobre o qual você vai falar ou a tese que vai ser defendida. A introdução visou conduzir-nos até aqui. No tema, encontramos o sermão sintetizado, o qual será analisado através das divisões.
Diferença entre Título e Tema: Todo sermão deve ter um título e um tema: O título indica o assunto; o tema é a proposição que vai ser tratada ou demonstrada. O título, via de regra é mais geral do que o tema, visto que este procura esclarecer o que vai ser demonstrado. O título pode ser uma forma de chamariz; o tema é de fato o assunto a ser tratado.
Valor do Tema:
- a) Unidade: O tema é que dá unidade ao sermão;
- b) Ponto: O tema é o ponto de referência que determina a matéria a ser selecionada.
- c) Estabelece uma Meta: O tema oferece uma rota
- d) Facilita a Compreensão: O tema possibilita uma maior assimilação e retenção da mensagem proclamada
O Que Evitar:
- a) O Tema não deve ter um número excessivo de Palavras. O tema deve facilitar a memorização do assunto tratado no sermão.
- b) O Menor número de palavras não deve servir de desculpa para um tema demasiadamente abrangente:
3 – Ilustração
O material ilustrativo é muito útil para auxiliar na compreensão das Escrituras, serve para fortalecer o argumento, é utilizada para comover os sentimentos. Serve também, para proporcionar o descanso mental dos ouvintes, evitando que a congregação se canse ao tentar entender o que o pregador está querendo dizer. A ilustração é para o sermão, o que são as janelas para uma casa. O objetivo principal da ilustração é facilitar a compreensão do assunto ou mensagem.
As ilustrações servem como ferramentas poderosas para tornar a mensagem mais compreensível e memorável. Elas podem ser histórias, analogias, ou exemplos que trazem clareza aos conceitos bíblicos apresentados. No entanto, as ilustrações devem ser usadas com moderação e devem sempre estar alinhadas com a verdade bíblica, evitando desvios da mensagem central.
- Uso de Ilustrações: Jesus, o Mestre dos mestres, frequentemente usava parábolas para ilustrar verdades espirituais profundas, como na Parábola do Semeador (Mt 13.3-9), onde Ele utiliza a imagem familiar da agricultura para explicar os diferentes tipos de recepção da Palavra de Deus.
- Versículos de Apoio: “E falava-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear” (Mt 13.3). Este versículo demonstra como as ilustrações podem tornar as verdades espirituais mais acessíveis ao ouvinte comum.
Quais os motivos para a usar ilustrações?
- Por causa do interesse humano (todos gostam de ouvir algo novo e interessante).
- Clareza (como já dissemos, serve para aclarar a mente dos irmãos).
- Beleza (quando a ilustração traz algo especial, a vibração da platéia é imediata).
- Complementação: o pregador, ao perceber que o povo ficou embaraçado em determinado ponto da mensagem, traz ao povo algo semelhante ao que ele está dizendo e assim tira todas as dúvidas.
Jesus usou muitas ilustrações em seu Ministério, ilustrações que conhecemos como parábolas. Todos precisam compreender a mensagem, desde o mais simples ouvinte até o mais intelectual. Ao pregador, as idéias que transmite lhe parecem claras; entretanto quando vai expô-las, pode não esclarecer bem, ser muito confuso, e por não usar boas ilustrações, ser muito sucinto.
— Ex.: Jardins das casas – Mas não estou vendo papai. De fato, havia um muro de mais ou menos um metro de altura que impedia a visão da criança, mas permitia a do pai. Então o pai o pegou nos braços e lhes mostrou as belas flores”. Muitas vezes, os ouvintes não estão a altura do que está sendo transmitido.
4 – A Conclusão (fim)
A conclusão serve como recapitulação do que se foi pregado com uma aplicação final. As emoções devem atingir o ponto mais alto na conclusão. Finalizar uma mensagem sem alcançar este “clímax” faz parecer que foi mal preparada. Por definição a conclusão serve para: recapitular, aplicar, demonstrar, persuadir. É a parte do sermão onde o pregador amarra todos os pontos abordados e faz um chamado à ação. É o momento de reforçar a mensagem central e incentivar a congregação a responder à Palavra de Deus. Uma conclusão eficaz deixa uma impressão duradoura e chama o ouvinte a uma resposta prática, seja através da fé, do arrependimento, ou do compromisso renovado com Cristo.
- Versículos de Apoio: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que no Senhor o vosso trabalho não é em vão” (1Co 15.58). Este versículo pode ser utilizado na conclusão para motivar a congregação a permanecer firme no Senhor, aplicando a mensagem do sermão em suas vidas.
- Finalidade da Conclusão: A conclusão deve ser direta e inspiradora, conduzindo a congregação a refletir sobre a mensagem e a aplicar os ensinamentos em sua vida diária.
• Frases objetivas.
• Um breve resumo num só ponto.
• Um apelo (se for o caso).
Ao fazer o apelo use o pronome “nós”, inclua-se nele. O apelo pode ser feito de muitas maneiras. Nem sempre precisa tomar a forma de um convite que requeira uma resposta visível.
— *Obs: Existem pregadores que fazem uma mistura tão grande, que os ouvintes não sabem quando ele esta começando ou terminando. Isso causa uma confusão nos ouvisntes que na maioria das vezes não consegue absorver o conteúdo do sermão. Cuidado!
Finalização
A estrutura de um sermão é essencial para a clareza e eficácia da pregação. Com uma introdução envolvente, um desenvolvimento bem fundamentado, ilustrações que iluminam a mensagem, e uma conclusão inspiradora, o pregador pode comunicar a Palavra de Deus de maneira poderosa e transformadora. Quando cada parte do sermão é cuidadosamente planejada e executada, o resultado é uma mensagem que toca o coração e transforma vidas, cumprindo assim o propósito divino da pregação.
Espécieis de finalizações que podem serem usadas
a) Apelo Direto: O orador dirige-se individualmente aos ouvintes. b) Aplicação Prática: O pregador aplica a verdade pregada, sem se dirigir a nenhum ouvinte em particular. Em todo caso a última parte do sermão tem que responder à pergunta que o ouvinte fará no seu íntimo: “À luz desta mensagem, que quer o Senhor que eu faça?” Ö Exemplo de aplicação prática: Mt 7.24-27.
c) Recapitulação: O pregador recapitula o que disse, fazendo um sumário: Portanto, se um sermão necessitar de recapitulação façamo-la, mas seguida de algo que leve o ouvinte à ação. Nunca se deve terminar com um sumário recapitulativo.
d) Verdade em Contraste: Apresentar o aspecto positivo
e) Implicações Conclusivas: Esta é um misto no qual se recapitula parte do que foi falado, destacando algumas aplicações práticas, desafiando o ouvinte ao sermão tratado.
Bibliografia
W. BLACKWOOD, A Preparação de Sermões, p. 184.
BAXTER, Richard. O Pastor Aprovado. São Paulo, Publicações Evangélicas Selecionadas, 1989.
CALVIN, John. Calvin’s Commentaries. Grand Rapids, Michigan, Baker Book House, 1981, 22 Vols.
John Calvin Collection, [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 1998).
Anexo
Exemplo de brainstorming (tempestade de ideias)

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por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante