Introdução

1. O Conceito de Homilética

2. O pregador

3. Os Principais nomes que a Bíblia dá aos Pregadores

4. O pregador e a Pregação





Se pregar é uma arte como a homilética nos ensina, temos bons “artistas” ou pregadores. Vidas que surgem na história da Igreja. Homens que com certeza são verdadeiros mestres nesta arte e que se dedicam de corpo e alma a este ministério.

Devemos, porém enfatizar que; não existem mestres na oratória ou retórica que antes não tenham passado pelas escolas da Homilética. Não devemos ser ignorantes acerca desta chamada, (chamada para pregação do Evangelho de Cristo), esta chamada não é humana, mas Divina. Mas mesmo sabendo tratar de uma chamada de Deus, não podemos, no entanto ignorar a necessidade de que todos pregadores precisam se aperfeiçoar nesse santo ministério. Neste sentido as Escolas e Seminários Teológicos têm se esforçado para trazer ao povo de Deus materiais que ajudam seus alunos nesta tão bela tarefa simples e objetiva da Homilética.

A pregação é um milagre duplo

— O primeiro milagre é Deus usar um homem imperfeito, pecador e cheio de defeitos para transmitir Sua perfeita e infalível Palavra. Trata-se de um Ser perfeito usando um ser imperfeito como seu porta-voz. Só um milagre pode tornar isso possível.

— O segundo milagre é Deus fazer com que os ouvintes aceitem o porta-voz imperfeito, escutem a mensagem por intermédio do pecador e, finalmente, sejam transformados por essa mensagem. Esse é o grande milagre da pregação.

As técnicas são indispensáveis para uma boa pregação. Embora todas as técnicas ajudem o pregador, porém, não fazem dele um pregador. Par ser um bom pregador é preciso ter a técnica e algo mais. Esse algo mais é o milagre do Espírito Santo. O pregador deve orar, meditar e se colocar inteiramente nas mãos de Deus, para então, depois disto, pregar.



“O pregador é o que interpreta e ensina as verdades divinas”.  – Agostinho, A Doutrina Cristã, IV.4.6. p. 217. Em termos de aprendizado, o  púlpito é o ponto principal  de contato entre  a instituição de ensino e a Igreja. No entanto, precisamos estar atentos para não confundir a sala de aula com o púlpito. A hermenêutica e a exegese visa nos habilitar dentro dos recursos metodológicos, a compreender o texto a fim de podermos transmiti-lo de forma fidedigna.

A palavra “homilética”, é a transliteração do verbo grego omiletiké, que significa “conversar com”, “falar”. Este verbo ocorre quatro vezes no Novo Testamento e apenas nos escritos de Lucas (Lc 24.14,15; At 20.11; 24.26). Na Septuaginta, ocorre  também 4 vezes Pv 5.19  (“saciar”, no sentido de proximidade); Pv 15.12 (“chegará”, no sentido de “associar-se”); Pv 23.30 (2 vezes).11 Na literatura clássica, vemos que Xenofonte[1] (430-355 a.C.), também empregou esta palavra no sentido de “conversação”. Na Literatura Clássica, este termo é encontrado em Homero (séc. IX a.C.).

Uma outra palavra relacionada com Homilética, é “Homilia”  (gr. o(mili/a), derivada da mesma raiz de “Homilética”, significando: associação, companhia, conversação. Ela é empregada apenas uma vez no NT (1Co 15.33), quando Paulo, provavelmente, cita a comédia do poeta ateniense, Menandro (342 -291a.C).

A Igreja Latina traduziu “Homilia” por sermão, passando, então, as duas palavras, num primeiro momento, a serem empregadas de forma intercambiável. Todavia, posteriormente, elas passaram a designar um tipo de discurso. A Homilia, pressupunha um método de análise, e a explicação de um parágrafo ou verso da Escritura, que era lido durante os cultos.

O uso do termo “Homilética” referindo-se à pregação, data do século XVII, quando foi usado por Baier (1677) e Krumholf (1699)[2].

A Homilética e sua origem        

Seguem abaixo algumas definições que, conjuntamente, podem nos oferecer uma visão mais abrangente do assunto: A Homilética é a ciência da qual a arte é a pregação e cujo produto é o sermão. Homilética é a ciência que ensina os princípios fundamentais de discursos em público, aplicados na proclamação e ensino da verdade divina

Homilética: Eloqüência de púlpito, de cátedra; arte de pregar sermões, não se abstendo do aprimoramento das habilidades da oratória. É a ciência que ensina os princípios fundamentais dos discursos em público. Termo derivado do grego omiletiké, que de forma bem simples, significa: a arte de pregar sermões religiosos em estilo familiar.  A contribuição que a homilética nos dá para a pregação do evangelho é de grande valor, entretanto, muitos desconhecem sua origem.  Iniciada por Córax e posteriormente aperfeiçoada por Sócrates, sua meta central era aperfeiçoar o discurso. Com a dominação romana em todo mundo, muitos anos antes e depois de Cristo, as três cultura que se destacavam eram: a judaica (religiosa), a romana (política) e a grega (cultural). Com isso, os romanos foram grandemente influenciados pela cultura grega, daí nasceu a oratória. Apesar destas considerações, devemos saber que a pregação não deve ser apenas “mecânica”, com discursos floridos e linguagem erudita, mas com uma forte convicção, baseada nas experiências pessoais que, aliás, dá mais peso ao sermão, com a unção proveniente de um coração inflamado pelo Espírito Santo, e apaixonado pelas almas perdidas. No entanto, podemos unir o útil ao agradável, isto é; os conhecimentos adquiridos através da Homiletica, somados a uma vida de oração e meditação da palavra de Deus. Os resultados serão satisfatório, e o Reino de Deus em nossas vidas será ainda melhor. Podemos então, definir que o objetivo da homilética, de uma forma geral, é a conversão, a comunhão, a motivação e a santificação para vida cristã. “Antes, Crescei na Graça e no Conhecimento…” (2 Pedro  3. 18). 

A Retórica é a arte de falar bem, visando a instrução e principalmente a persuasão. O fim da Retórica é convencer e, o instrumento de que dispõe é a palavra. Creio que Demócrito (460-370 a.C.), estava certo ao afirmar que “para a persuasão a palavra freqüentemente é mais forte que o ouro”. Por isso, a arte da persuasão não acompanhada de um senso moral, torna-se extremamente perigosa, visto que podemos com a palavra, usando as técnicas da Retórica, tentar convencer que o branco é preto e vice versa, conforme o nosso interesse pessoal, agindo do mesmo modo que os sofistas na antigüidade. A obra de Demóstenes (460-370 a.C.) Oração à Coroa e em Shakespeare (1564-1616), Júlio César, a oração de Marco Antônio diante do cadáver de César, se constituem em dois bons exemplos literários concernentes ao poder da retórica. A retórica cristã visa levar o ouvinte a fazer a vontade de Deus.

A palavra “Retórica”,  é  uma  transliteração  do grego  e do latim.  A palavra é proveniente de orador público,  advogado, homem  de  Estado. Ocorre apenas em At 24.1, no NT.

Em Aristóteles (384-322 aC.), significa um verbo, contrastando com um significado, substantivo.   Em Górgias (483-375 a.C.), o sofista, disse que o objetivo da retórica é “pela palavra, convencer os juízes no tribunal, os senadores no conselho, os Eclesiastes na assembléia e em todo outro ajuntamento onde se congreguem cidadãos. Desta forma, a capacidade do retórico era demonstrada na habilidade de “disputar com qualquer pessoa sobre qualquer assunto”.

Em Tucídides (465-395 a.C.), observou em sua monumental obra, História da Guerra do Peloponeso, que “a significação normal das palavras em relação aos atos muda segundo os caprichos dos homens. A audácia irracional passa a ser considerada lealdade corajosa em relação ao partido; a hesitação prudente se torna covardia dissimulada; a moderação passa a ser uma máscara para a fraqueza covarde, e agir inteligentemente eqüivale à inércia total. Os impulsos precipitados são vistos como uma virtude viril, mas a prudência no deliberar é um pretexto para a omissão”.

Em Sócrates (469-399 a.C.), entendia que o mérito do orador residia em dizer a verdade. Somente nestes termos ele aceitaria ser chamado de orador.

Uma característica distintiva do homem é a capacidade de julgar, discernindo o bem do mal. Esta capacidade deve ser exercitada por nós no emprego dos recursos que Deus nos tem fornecido. Dentro da nossa linha de estudo, devemos estar atentos ao uso que fazemos da palavra  como instrumento de persuasão; como ouvintes, devemos também permanecer alerta para que não sejamos persuadidos pela beleza do discurso, sem verificar a sua validade. Resumindo: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2.8).

A Homilética se propõe a utilizar alguns dos recursos da Retórica para a transmissão da Palavra de Deus; desta forma, podemos dizer que a Retórica é o gênero e a Homilética é a espécie. Se a Retórica visa convencer o homem quanto a qualquer tema; a Homilética, diferentemente, procura oferecer recursos para que possamos convencer – humanamente falando –, o homem quanto à necessidade de arrependimento e fé em Jesus Cristo. O seu objetivo, portanto, é mais nobre pois, está comprometido com a ordem de Cristo (Mt 28.20; Mc 16.15; At 1.8), a prática apostólica (Cf. At 13.43; 17.4; 19.8; 26.28; 28.23; 2Co 5.11) e a necessidade presente do homem, de encontrar a salvação em Cristo Jesus, em Quem somente há salvação (At 4.12).

Os primeiros pregadores cristãos não se preocuparam com a Retórica clássica e, menos ainda com palavras de sabedoria (1Co 2.4,5). Eles seguiram o estilo dos escribas e anciãos da Sinagoga, evitando num primeiro momento, qualquer tipo de helenização. Este tipo de comportamento pode ser explicado da seguinte forma:

1)  Se eles queriam evangelizar os judeus, teriam que entrar no seu campo de estudo – o Antigo Testamento. Daí o ensino e pregação da Igreja que consistia numa confissão: “Jesus, o Cristo” (At 5.42);

2) Qualquer tentativa de discurso que refletisse uma retórica grega, poderia proporcionar argumentos para os rabinos, de que o Cristianismo era um fenômeno desagregador da cultura judaica, o que contribuiria para a sua repulsa imediata;

3) Os primeiros pregadores cristãos, em sua grande maioria, ignoravam a retórica grega. Havia por certo, nobres exceções, como por exemplo, Apolo de Alexandria (At 18.24), cidade cosmopolita e intelectualizada; e Paulo de Tarso, que deu mostra em seus escritos e sermões preservados por Lucas, de estar familiarizado com a Retórica e os poetas gregos;

4) O descrédito da Retórica, devido aos falsos mestres que usavam deste recurso para ensinar sofismas, defendendo não a verdade mas sim, aquilo para o qual foram pagos. A pregação da Igreja Primitiva consistia na demonstração de que as promessas do Antigo Testamento tinham se cumprido em Cristo, daí os pregadores recitarem passagens do AT.

No período pós-apostólico

As homilias consistiam numa simples exposição popular de alguma passagem das Escrituras lida na Congregação. Esta exposição, que tinha um caráter informal – tendo pouco ou nada a ver com a retórica grega –, era acompanhada de reflexões e exortações morais.  Com o passar do tempo, a pregação cristã foi se tornando mais elaborada, deixando gradativamente o seu caráter até certo ponto informal. Esta transformação deve-se fundamentalmente aos seguintes motivos:

  1. A disseminação do Evangelho entre os gentios:  No mundo greco-romano a Retórica era a coroa da educação liberal, ganhando forte ênfase no quarto século. Pois bem, se um pregador desejasse ter um ouvido benigno para com a sua mensagem, num mundo com semelhante ênfase na oratória, seu estilo seria fundamental.
  2. A Conversão de homens que já tinham sido treinados na Retórica: Destes convertidos, muitos se tornaram pregadores, usando naturalmente  seus dotes oratórios e sua formação retórica na proclamação do Evangelho.
  3. Ênfase na Retórica: Este argumento é decorrente do anterior. Ainda que no primeiro século a separação entre a pregação cristã e a retórica tivessem uma nítida distinção (1Co 2.4,5), a partir do segundo século as diferenças tornaram-se cada vez mais tênues. Mesmo a Retórica não ocupando o mesmo lugar de destaque como, por exemplo, no tempo de Quintiliano (35-100 AD), ela era enfatizada nas Escolas. No início da Idade Média, a Retórica teria um novo alento, quando a partir do V século, ela viria constituir-se juntamente com a Gramática e a Lógica, o trivium – um curso preparatório para o quadrivium (Aritmética, geometria, astronomia e música).49 O Trivium e o Quadrivium.
  4. O Declínio dos Pregadores Judeus-Cristãos e Judeus:  Temos aqui, ao meu ver, mais um efeito dos dois primeiros motivos. A pregação do estilo judeu cedeu lugar a uma pregação mais elaborada, modelada ao senso estético grego e romano. Dentre os homens que se converteram ao Cristianismo e que deram contribuição à arte da pregação, destacamos: Clemente de Alexandria (150-215); Tertuliano (150-220); Orígenes (185-254); Lactâncio ( 240-320); Cipriano (200-285); Basílio Magno (330379); Arnobius (IV séc.), mestre de Retórica em Sicca, na província Romana da África; Crisóstomo (347-407); Gregório de Nissa (335-394); Ambrósio (340-397); João de Antíoco (347-407) e Agostinho de Hipona (354-430).

Foi Orígenes quem iniciou a caminhada de transição da “homilia” informal, para o sermão mais elaborado. Todavia, quem exerceu maior influência na pregação cristã deste período, foi Agostinho de Hipona, na sua obra, “De Doctrina Christiana” (397-427), que tomando Paulo como “modelo de eloqüência”, seguiu de perto a Aristóteles e Cícero. Estabelecendo uma relação entre os princípios da teoria retórica com a tarefa da pregação, fazendo as adaptações necessárias, ele insistiu – seguindo a Cícero –, que a pregação tem três propósitos: Instruir (docere); Agradar (delectare) e Persuadir (flectere), enfatizando este último.



    Ser chamado para o ministério da pregação não significa simplesmente fazer discursos e sermões. Pregador é ser o representante legal de Deus na terra (1 Co 1. 21 / Is 52.7). Quando olhamos para a Bíblia, vemos que seu conceito sobre pregação é: um anúncio, uma proclamação de boas novas reveladas pelo Espírito Santo. Pregar o evangelho é falar no lugar de Deus. Disse Jesus: “Eu vos envio como o Pai me enviou”. Outro fato preponderante na pregação é a vida do pregador. O ministério da palavra não é tão simples como muitos podem pensar, porque o sucesso da pregação está associado à vida de quem prega.  A um ditado que diz: “Viver pregando e pregar vivendo”. Todo pregador deveria ter isto em mente: “A minha vida fala mais alto do que a minha própria voz”. Com certeza isto é o centro da questão e é o sucesso do grande pregador. A autoridade do pregador está no viver aquilo que prega. Antes de ministrar uma mensagem aos outros, a palavra precisa ter produzido efeito no coração do pregador, se isso não acontecer o pregador estará passando ao povo uma comida que ele não experimentou. E se assim for, ele estará agindo com falsidade e hipocrisia. Devemos ter isso em mente, não fomos chamados para ser falsos ou hipócritas, fomos chamados para sermos verdadeiros, autênticos. Certo pregador, ao ministrar em uma Igreja sobre o amor e a harmonia do lar, foi surpreendido pelo próprio filho. Ao perceber que suas palavras não correspondiam com a realidade disse: “Mãe vamos vir morar aqui na igreja, aqui o pai é tão bonzinho”. Os que ministram a poderosa Palavra de Deus, devem pregar no púlpito o que se vive fora dele.

O púlpito é um lugar maravilhoso onde estamos no comando e todos ouvem seus ensinamentos. Também é um lugar de exaltação do homem. Muitas vezes a frustração no mundo secular torna-se a pessoa a ser exuberante no púlpito, levando-o a ser egocêntrico e difusor de suas ideologias e cosmovisão aplicadas aos ouvistes. Púlpito não é o lugar onde o pregador vai se preparar, mas, sim o ambiente onde já deve estar preparado, para ser o transmissor da mensagem das “boas novas”.

É inadmissível que alguns pregadores subam ao púlpito sem nenhum preparo, pois, transpassa ensinamentos errôneos e contaminam os ouvintes, ou ainda àqueles que afirmam que todas as revelações de Deus, se manifestarão minutos antes dele ministrar, tornando sua pregação em fenômeno meramente “místico”, baseando sua teoria errônea ao contrário no que diz em João 14:26. O referido texto não endossa que não precisamos nos preparar, mas sim que o Espírito Santo nos lembrará do assíduo estudo que fizemos antes de subimos ao Púlpito.

SUBINDO AO PÚLPIT0 0 PREGADOR DEVE ESTAR PREPARADO

• Espiritualmente: E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito (Ef 5.18).

• Intelectualmente: Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido. (Js 1.8)

• Fisicamente, Aparência, Saúde: Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes. (1Tm 4.16)

• Humildemente: Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte (1Pe 5.6)

ANTES DE FALAR AOS HOMENS

Antes de falar aos homens devemos falar bastante com Deus por meio da oração. Aquele que deseja falar muito de Deus aos homens, deve falar muito com Deus; um pregador que não ora não tem por completo o Poder do Alto. A coragem de um pregador assumir um púlpito para pregar sem ter passado um bom tempo com Deus em oração torna-se inapto; o pregador tem que cultivar uma vida de verdadeira comunhão com o Senhor através das ações e orações. O apóstolo Paulo, foi um grande pregador, seu trabalho missionário produziu muitos frutos, é dele a recomendação explicita nas Escrituras em 1Ts 5.17 “Orai sem cessar”.

A QUEM PODE SER COMPARADO UM PREGADOR QUE NÃO ORA?

A uma noite sem estrelas. A uma flor sem perfume. A uma pintura sem inspiração. A uma lata vazia só faz barulho.

É vergonhoso quando um pregador prega com a boca e desprega com o que faz, porque não ora. E como aquele pai que acaba de ensinar ao filho que não se deve mentir, e quando alguém bateu na porta de sua casa o pai disse: — Atenda! se for o padeiro, diga que não estou! O ensino daquele pai foi desfeito por sua própria boca. Esse provérbio não cabe aos pregadores; Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço. A autoridade do ministro está em ele ser aquilo que prega. Sem oração não há unção e sem unção não há autoridade bíblica.

LEITURA: BíBLICA E BONS LIVROS

A oratória exige o aperfeiçoamento pessoal. A leitura cotidiana oferece ao orador a preciosa oportunidade de aprimorar-se e capacitar-se. Mesmo os vocacionados com a privilegiada arte de falar em público não podem negligenciar a tarefa da leitura. O pregador/orador tem por obrigação de ler a Bíblia Sagrada, pois ela é a autoridade máxima na sua vida e na quem ouve; além da Bíblia o hábito de ler bons livros ajudará na compreensão da articulação linguísticas e desenvolverá práticas na qual será aprimorada mediante hábito. A pregadores que se regozijam-se pelo fato de decorar somente alguns textos da Bíblia, os tais que assim procedem revelam ignorância e preguiça mental. Em 1Timóteo 4.13 Paulo diz : ” Pesista em ler…”

A leitura bíblica nos estimula a ler para ter maior conhecimento do Senhor, para ter um ministério aprovado (2Tm 2.15). Exemplos de homens que seguiram sempre no conhecimento de Deus: Os Apóstolos (At 6.4); Jorge Müller leu 200 a Bíblia, cem vezes fez estando ajoelhado; Apollo era poderoso nas escrituras (At 18.24), Charles Fimey orava 4 horas por dia, e muitos outros que motivado pelo Espírito se aplica ao conhecimento através da leitura bíblica e intimidade com o Senhor.



Introdução:

Ao longo das Escrituras, encontramos diversas designações que revelam a essência e o papel dos pregadores no plano divino. Cada um desses nomes carrega um significado profundo, que não apenas define a função do pregador, mas também esclarece a responsabilidade que ele assume diante de Deus e dos homens. Desde o servo, que se submete inteiramente à vontade de seu Senhor, até o atalaia, cuja missão é vigiar e advertir o povo, cada título oferece uma perspectiva única sobre a missão daqueles que foram chamados para proclamar a Palavra de Deus. Ao explorar esses nomes, podemos compreender melhor a amplitude e a profundidade do ministério da pregação, bem como o compromisso espiritual exigido de cada pregador.

• Servo – O servo não tem vontades determinantes sem a operação da vontade de Deus, faz o que o seu Senhor queira, dele se requer obediência, interesse e atividade. “Sabendo que recebereis do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo o Senhor que servis” (Cl 3.24).

• Semeador – Em bons ou em maus dias, deve-se semear “E falou-lhes de muitas coisas por meio de parábolas, dizendo: Certo semeador saiu a semear” (Mateus 13. 3).. “Pela manhã semeai a semente, e pela tarde não retires a tua mão, pois não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas igualmente serão boas” (Ec. 11. 6).

• Testemunha – A testemunha é chamada para depor, e o depoimento fiel é aceito. “Mais recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas…” (At 1.8).

• Pescador – O pescador tem que ser prudente, deve conhecer a isca que mais agrada o peixe, deve ser sensível à ordem do mestre, e obedecer aonde e quando Ele nos mandar lançar a rede (Lc 5.4). “Disse-lhe Jesus: Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19).

• Cooperador – A palavra empregada neste versículo “cooperadores”, nos dá uma idéia da nossa responsabilidade, ou de como é importante nossa missão. “Pois nós somos cooperadores de Deus; vós sois a lavoura de Deus e edifício de Deus” (1Co 3.9).

• Embaixador – O embaixador representa a Pátria e luta pelo interesse de seu país. O pregador tem outra Pátria, o céu cf. Fl 3.20. “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse…” (2Co 5.20).

• Atalaia – O atalaia acima de qualquer outra qualidade deve ser vigilante, deve ter cuidado na transmissão do aviso. Isso implica na exclusão de qualquer outro material a não ser a Bíblia Sagrada, o atalaia deve  transmitir as Verdades Bíblicas. “… te constituí por atalaia sobre Israel; tu pois, ouvirás a palavra da minha boca, e lhe darás aviso da minha parte” (Ez 33.7).



 Ser chamado para o ministério da pregação não significa simplesmente fazer discursos e sermões. Pregador é ser o representante legal de Deus na terra (1Co 1. 21 / Is 52.7).

Quando olhamos para a Bíblia, vemos que seu conceito sobre pregação é: um anúncio, uma proclamação de boas novas reveladas pelo Espírito Santo. Pregar o evangelho é falar no lugar de Deus. Disse Jesus: “Eu vos envio como o Pai me enviou”. Outro fato preponderante na pregação é a vida do pregador. O ministério da palavra não é tão simples como muitos podem pensar, porque o sucesso da pregação está associado à vida de quem prega.     A um ditado que diz: “Viver pregando e pregar vivendo”. Todo pregador deveria ter isto em mente: “A minha vida fala mais alto do que a minha própria voz”. Com certeza, isto é, o centro da questão e é o sucesso do grande pregador. A autoridade do pregador está no viver aquilo que prega. Antes de ministrar uma mensagem aos outros, a palavra precisa ter produzido efeito no coração do pregador, se isso não acontecer o pregador estará passando ao povo uma comida que ele não experimentou. E se assim for, ele estará agindo com falsidade e hipocrisia.

Devemos ter isso em mente, não fomos chamados para ser falsos ou hipócritas, fomos chamados para sermos verdadeiros, autênticos. — Certo pregador, ao ministrar em uma Igreja sobre o amor e a harmonia do lar, foi surpreendido pelo próprio filho. Ao perceber que suas palavras não correspondiam com a realidade disse: “Mãe vamos vir morar aqui na igreja, aqui o pai é tão bonzinho”. “Os que ministram a poderosa Palavra de Deus, devem pregar no púlpito o que se vive fora dele”.

A pregação: Dicas importantes

Quando um sermão não é um sermão? Quando a exegese foi concluída; a doutrina, reunida; a estrutura, harmonizada; as ilustrações, selecionadas; as aplicações, preparadas; e, a versão final, escrita. Mas, ainda não há um sermão — nenhum sermão! Um sermão não tem existência enquanto não é pregado.

Esta é a razão por que a apresentação pública de um sermão tem importância crucial. A mensagem mais bem preparada do mundo terá pouco valor, se não for apresentada tão bem quanto deveria ser. O trabalho árduo de nossas horas e dias pode se perder em um momento. — Um bebê pode ser concebido no ventre da mãe e crescer bem, até o instante de seu nascimento, mas poderá destroçar o coração dos pais, se nascer morto.

Os Sermões em sua maioria foge do seu objetivo que é doar-se em misericórdia para aquele que ouve. Mas muitos dentre eles são apresentados de modo sofrível. Isto acontece porque os pregadores dão mais atenção à preparação do sermão do que à sua exposição pública. Sobem ao púlpito com o senso de que já têm algo completo. Dizem a si mesmos: “Tenho um sermão”, não admitindo que um verdadeiro sermão é aquele que as pessoas levam consigo para casa. Eles são cuidadosos na maneira de elaborar seus sermões, mas negligentes, e até medíocres, na maneira de comunicá-los.

• Não produzirá resultado algum, sermões pregados de modo negligente não glorificam a Deus.

Desapontam as pessoas, retardam a progresso do evangelho e provocam grande medida de rejeição. Todo pregador tem de avaliar como apresenta o seu sermão, a cada vez que o prega. Ele não progredirá automaticamente. Pode até piorar, especialmente se os seus maus hábitos se tornam tão arraigados, que o incapacitam de livrar-se deles. Se negligenciarmos o assunto da apresentação do sermão, logo será muito tarde para progredirmos. Peço-lhe que considere estes sete aspectos:

A pregação que você prepara não pode ser divorciada de você mesmo! Quando você prega a homens e mulheres, algo do seu espírito se revela a eles, e não pode ficar oculto. A mais famosa afirmação desta ligação indissolúvel entre o pregador e sua pregação se encontra na palestra de Phillips Brooks, intitulada Os Dois Elementos da Pregação, apresentada na Conferência Lyman Beecher, em 1877:

“A pregação é a comunicação da verdade feita de homens para homens. Ela tem dois elementos essenciais: verdade e personalidade… Nenhum destes pode estar ausente e, ao mesmo tempo, haver pregação… Pregar é apresentar a verdade por meio da personalidade… A verdade, em si mesma, é um elemento fixo e estável; a personalidade é um elemento variável, sujeito a crescimento.”

Como transmitimos a mensagem a`queles que esta~o diante de no´s? Por meio de palavras! Se essas palavras sa~o claras e vigorosas, a mensagem sera´ clara e vigorosa. As palavras sa~o o vei´culo pelo qual os pensamentos de nossa mente chegam ao corac¸a~o dos ouvintes. Todos os outros fatores mencionados neste capi´tulo podem ajudar ou prejudicar a mensagem, que, em si mesma, e´ constitui´da de palavras.

Os pregadores jovens sempre me pedem algumas regras simples que os ajudem a desenvolver uma voz interessante, protegida do desgaste. Nunca me senti capaz de dar-lhes tais regras, mas tenho lhes transmitido algumas dicas. A mais importante dessas dicas é entender que “a perfeição ao pregar está em falar normalmente” (C. H. Spurgeon). Na conversa normal, não pensamos muito em nossa voz. Nossa mente é tomada pelo que desejamos comunicar e pelo que desejamos que acontec¸a em seguida. Se isso também acontece conosco quando pregamos, falaremos muito bem.

Não ousemos ignorar esse fenômeno! Não o ridicularize. Tonalidade de voz, sorrisos, rosto franzido, piscadelas, fitar alguém e acenar com os olhos transmitem realmente uma mensagem, como o reconhece a Palavra de Deus (Pv 6.12-14). Pregar não é apenas algo que ouvimos; é também algo que vemos. Quando as pessoas o veêm pregando, seus olhos, mãos, face e pés estão comunicando algo. E isto pode ser em seu favor ou contra você.

Com muita frequência, tenho me distraído da Palavra por causa das vestes do homem que a proclama. Não á agradável gastar muito tempo vendo uma enorme mancha de café abaixo do queixo do pregador ou dois personagens famosos de desenho animado impressos na camiseta do pregador! Mais do que uma vez, pessoas me disseram que não puderam levar a sério pastores convidados, porque, embora eles tivessem orado e apresentado as Escrituras, se vestiam com camisetas de futebol. Nem todos concordamos a respeito do que é ou não permissível. Mas todos precisamos concordar que esta é uma área em que precisamos meditar mais profundamente.

O que fazemos com o nosso corpo, cabeça e mãos durante a conversa normal, em especial quando estamos de pé? Não os usamos normalmente para expressar nervosismo e sim para nos ajudar a fazer que os outros entendam melhor o que estamos dizendo e, se necessário, para descrever o assunto com mais exatidão. Devemos fazer a mesma coisa quando pregamos. Se lembrarmos que a pregação deve assemelhar-se a uma conversa em público, evitaremos muitos dos maiores erros.

Cada pregador que Cristo tem enviado está ciente de que, por conta própria, não pode converter ninguém, nem fazer qualquer bem duradouro. Ele se mostra grato por tudo o que sabe a respeito da ajuda do Espírito Santo em expor a Palavra e anela que esse Espírito venha sobre ele de maneira singular. Cada pregador sabe que essa experiência será muito diferente de um fluxo de adrenalina ou de um senso de entusiasmo que todos os pregadores sentem de vez em quando. Ele sabe que poderia pregar durante horas ininterruptas. Mas também sabe que as regras normais devem ser aplicadas!

 • Dotes Naturais: Deus chama os Seus servos e os capacita para a tarefa que eles terão de realizar. A pregação da Palavra exige dotes “naturais” como clareza de raciocínio, fluência, dicção clara, sensibilidade. Estes dotes podem e devem ser melhorados ou desenvolvidos. No entanto, deve ser dito que se nós fomos chamados por Deus é porque Ele deseja falar ao povo através de nós; portanto, não tentemos ser outra pessoa; Deus nos usa, com nossas características e limitações na transmissão da Sua Palavra. “Mantenham sempre diante de suas mentes a grandeza do seu chamado”, aconselha Warfield.

 • Cultura Geral: O ministério é uma ‘profissão erudita’; e o homem sem conhecimento é desqualificado para estes deveres independentemente independentemente dos outros talentos que possa ter. O Pregador deve procurar estar atualizado, ler jornais e revistas, assistir o noticiário da TV, procurando estar em dia com os acontecimentos do seu tempo. Ao mesmo tempo adquirir um raciocínio mais eficiente.

• Habilidade: Saber escolher a disposição do material. Isto exige treino: Ouvir bons pregadores, ler sermões, praticar e praticar. Aprender sem praticar é o mesmo que arar e não semear. A prática da pregação é na realidade o ato de arar e semear ao mesmo tempo. • A Piedade:. Em 1Tm 4.8, vemos que a piedade é essencial à pregação eficiente. A mensagem deve ser pregada para si mesmo; os ideais propostos devem se tornar os nossos ideais. A técnica e a homilética não devem nos conduzir a negligenciar a piedade. O sermão não deve ser visto como um fim em si mesmo mas, como um instrumento de Deus para a transmissão da Sua graça,119 para produzir fé nos Seus escolhidos (Rm 10.17; Tg 1.18; 1Pe 1.23). “Não se requer de um pastor apenas cultura, mas também inabalável fidelidade pela sã doutrina, ao ponto de jamais apartar-se dela”. – João Calvino


[1] Xenofonte foi soldado, mercenário e discípulo de Sócrates. Ele foi autor de inúmeros tratados práticos sobre assuntos que vão desde equitação a tributação, ficou conhecido pelos seus escritos sobre a história do seu próprio tempo e pelos seus discursos de Sócrates.
[2] Cf. WM. M. TAYLOR, et. al.  Homiletics: In: Philip  SCHAFF,  ed. Religious Encyclopaedia:  Or Dictionary of  Biblical,  Historical, Doutrinal, and Practical Theology,  Vol. II, p. 1011b.


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por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante

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