11. Masssacres consequências da Contrarreforma
13. Da Razão Ateísta às Teologias Contemporâneas

7. Patrística
Patrística significa “Pais da Igreja” foram influentes teólogos, professores e mestres cristãos, na grande maioria importantes bispos de igrejas cristãs primitivas. Seus trabalhos acadêmicos foram utilizados como precedentes doutrinários nos séculos subsequentes. Entre os vários pais da igreja, mencionaremos apenas alguns.
— Policarpo 69-156 d.C.
Era bispo de Esmirna e discípulo de João. Na perseguição ordenada pelo imperador, foi preso e levado à presença do Governador. Ofereceram-lhe a liberdade, se ele negasse o nome de Cristo, mas ele Respondeu: “oitenta e seis anos faz, que sirvo a Cristo ele nunca me fez mal; como podia eu, agora, amaldiçoá-lo, sendo ele meu Senhor e Salvador?” Essa resposta entrou para a história, e por causa dela, Policarpo foi queimado vivo.
— Inácio 110 d.C. Bispo de Antioquia
Discípulo do Apóstolo João. Quando o Imperador Trajano fez uma visita à Cidade de Antioquia, mandou prendê-lo e após o julgamento, foi condenado à morte. Inácio deveria ser lançado às feras em Roma. De viagem para esta cidade, escreveu uma carta aos cristãos romanos dizendo que ansiava ter a honra de morrer pelo nome de Jesus. “Que as feras atirem-se com avidez sobre mim. Se elas não se depuserem a isto eu as provocarei. Vinde, multidões de feras; vinde, dilacerai-me, estraçalhai-me, quebrai-me os ossos, triturai-me os membros; vinde cruéis torturas do demônio; deixa-me apenas que me encontre com Cristo”.
— Irineu 130-200 d.C.
Criou-se em Esmirna, onde conheceu Policarpo e tornou-se seu discípulo. Mais tarde, veio a ser bispo de Lião. É considerado, por muitos historiadores, como um dos principais líderes teológicos. Por volta do ano de 165 d.C. escreveu sua principal obra (contra as heresias), com a intenção de refutar o gnosticismo. Assim, Irineu resumiu numa frase a obra de Cristo: “Nós matamos o único Mestre Verdadeiro e Firme, o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, o qual, mediante o seu amor transcendente, se tornou o que somos, afim de que pudesse transformar naquilo que é Cristo, fazendo com que esta esperança voltasse a brilhar com intensidade nos corações dos fiéis”. Irineu morreu mártir.
— Orígenes 185 – 254 d.C.
Um dos homens mais eruditos da igreja antiga. Na cultura e poder intelectual, não houve quem o superasse no seu tempo. Ele e Tertuliano foram os dois maiores homens, na igreja do segundo e terceiro séculos. Orígenes nasceu em Alexandria, filho de pais crentes. Seu pai, Leônidas, sofreu o martírio. Com apenas dezoito anos de idade, tornou-se mestre de uma escola de catequese da igreja de Alexandria. Escreveu muitos livros, vários comentários de livros da Bíblia, considerados, até hoje, como de valor precioso. Sua maior obra foi a “hexapla” (o Antigo Testamento em seis idiomas). É bem verdade que não podemos concordar com todos os ensinos teológicos de Orígenes, mas isto não põe em descrédito sua capacidade e amor às Escrituras. Por causa do evangelho ele foi preso e torturado, até à morte.
— Eusébio 264 – 340 d.C. – Bispo de Cesaréia
Na Palestina, é considerado como o “Pai da História Eclesiástica”. Ele compôs uma Crônica Universal, que abrange toda a história, desde o princípio do mundo até princípios do século IV, da nossa era. Em seguida, escreveu a “História Eclesiástica” em dez volumes, narrando desde Cristo até ao concílio de Nicéia. Esta obra foi editada em 1999, em português, e em um só volume, pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
8. Do Século IV à Reforma
O período que se estende do século IV à Reforma Protestante é marcado por profundas transformações na história da Igreja Cristã, consolidando-a como uma força espiritual e política central na civilização ocidental. Este intervalo histórico abrange o surgimento do Cristianismo como religião oficial do Império Romano, o florescimento do pensamento teológico e doutrinário, os desafios internos e externos à unidade da Igreja, e finalmente, o prelúdio das reformas que sacudiriam suas fundações no início da era moderna.
A Era Constantiniana e a Institucionalização do Cristianismo
O século IV é dominado pela figura do imperador Constantino, cuja conversão ao Cristianismo em 312 d.C. marcou o início de uma nova era para a Igreja. Com o Édito de Milão em 313 d.C., Constantino proclamou a tolerância religiosa em todo o Império Romano, pondo fim à perseguição aos cristãos e estabelecendo as bases para a ascensão do Cristianismo como religião dominante. Esse período viu a construção de grandes basílicas, a formalização de ritos litúrgicos e o estabelecimento de uma hierarquia clerical mais estruturada.
Eusébio de Cesáreia ou Eusebius Pamphili, foi bispo de Cesareia e ficou conhecido como o Pai da História da Igreja, pois ele é responsável por relatos que permitem remontar a História do Cristianismo Primitivo. Eusébio teria encontrado as cartas e, e essas compõem a História Eclesiástica. Eusébio se preocupa em revelar ao mundo a conversão de Constantino divulgando um reinado de rejeição ao politeísmo e a afirmação na religião monoteista, o Cristianismo. Dessa forma, o reino da terra, onde ele era o Imperador, estava em plena sintonia com o “Reino Divino”. Eusébio relata Constantino com um interlocutor do Reino de Deus trazido na Encarnação de Jesus. (ver nota no anexo)
Após a visão da Cruz em 312 e assinado em 313 o Decreto de Milão, Constantino passa definitivamente reconhecer publicamente o Cristianismo como sua escolha, inclusive se recusando a prestar culto a Júpiter, fato ocorrido em 313, 315 e 326 em suas visitas solenes à Capital. Os emblemas e símbolos cristãos começam fazer parte de sua vida cotidiana como escolha, em 317. Constantino adota o Cristianismo como sua religião. O Chi-ro, que havia sido estampado nos escudos dos soldados após a visão de Constantino, torna-se público. Constantino foi influenciado por sua mãe Helena, pois nascendo cristã sempre buscou apresentar ao filho os sentidos do Cristianismo.
Os Cristãos passaram a ter, por Constantino, gratidão e respeito, de modo que suas ações e pensamentos eram acolhidos. Convertido ou não, ele continuava determinado a centralizar em si o governo. Foi dessa forma que orquestrou para que a Igreja também se tornasse uma estatal para que ele pudesse ser o Imperador por ela também responsável. Nascia o Cesaro-Papismo[1], fato que fez com que as desconfianças de sua conversão verdadeira e interior ao Cristianismo aumentasse entre os não cristãos. Dessa forma, Constantino passou a zelar pelos assuntos da Igreja em todas as dimensões: as teológicas e estruturais. Unidos aos Bispos, unificou Igreja e Estado. Diante dos fatos que colocavam em risco o Cristianismo, entre eles as heresias, Constantino convoca o Primeiro Concílio de Nicéia. A Teologia da Trindade, a Divindade de Cristo e o arianismo formaram o tripé reflexivo do Concílio. Nos três primeiros séculos, os Padres da Igreja (Patrística) já defendiam a Igreja das heresias, preservando a doutrina das verdades de fé do cristianismo. A Patrística foi e é a responsável de manter os dogmas ao longo da história, assim, como estudado no primeiro capítulo. Foi o maior filósofo da época Patrística, ele defendia a igreja católica contra os seus adversários pagãos.
O arianismo foi uma doutrina ensinada por Ário que contradizia a crença na Trindade. A relação do pai do filho do Espírito Santo era por ele contradita, pois afirmava que não existia esta relação e que cada um era uma pessoa separada. Negava a divindade de Jesus Cristo. Dizia também que em um determinado tempo a figura de Jesus nem existia e que fora criada do nada. Atanásio foi o grande opositor de Ário. Defendeu a divindade de Jesus e não aceitava que a heresia do arianismo maculasse os ensinamentos. A ideologia Ariana estava dividindo a igreja. Por isso ele ganhou o apelido de “Atanásio contra o mundo” e ficou famoso também por seus escritos contra o arianismo. Por causa da divisão entre o arianismo e os ensinamentos ortodoxos, houve muitos conflitos que fizeram com que surgissem inimigos ferozes e muita luta armada, muito sangue foi derramado. A situação era de ataque e de profunda divergência teológica. Neste sentido, era preciso restabelecer a harmonia cristológica determinando a ligação direta, inabalável e imutável entre Jesus e Deus, o Pai. Além dessa essencial questão, o Concílio o tratou da doutrina Papal, a construção do Credo Niceno; a fixação da data da Páscoa; e a promulgação da lei canônica que se trata de um conjunto de leis que definem as normas a serem seguidas pelos membros da Igreja. O Concílio de Niceia em 325 d.C., convocado por Constantino, foi um marco decisivo na história da doutrina cristã, onde foi formulada a primeira versão do Credo Niceno, afirmando a consubstancialidade de Cristo com o Pai e condenando o Arianismo. Este concílio inaugurou uma série de debates teológicos que definiriam a ortodoxia cristã, estabelecendo o alicerce da teologia trinitária e cristológica que perdura até os dias atuais.
Aos 65 anos, doente, Constantino pede o Batismo aos Bispos. Em seu leito de morte, acredita que seria perdoado de todos os seus pecados. A partir de sua morte os próximos Césares tiveram o desafio de unificar o Império Romano e Cristão. Em 337, teve início um período de lutas internas pelo poder. Os conflitos, além de políticos e religiosos, envolviam a grande família de Constantino: irmãos, meio irmãos, sobrinhos e parentes próximos e distantes. Uma ferrenha batalha que resulta em assassinatos entre eles.
A Idade das Trevas e o Monasticismo: Guardiões da Fé
Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C., a Europa entrou no que é tradicionalmente conhecido como a Idade das Trevas, um período de declínio cultural, político e econômico. Contudo, a Igreja permaneceu como a principal instituição de coesão social, preservando a herança cultural e religiosa do mundo antigo através do monasticismo.
Os mosteiros, espalhados por toda a Europa, tornaram-se centros de aprendizado, copiando manuscritos antigos, promovendo a educação e oferecendo refúgio espiritual. A Regra de São Bento, estabelecida no século VI, tornou-se o modelo para a vida monástica no Ocidente, enfatizando a oração, o trabalho e a obediência. Os monges beneditinos, em particular, desempenharam um papel crucial na cristianização das populações bárbaras e na preservação da cultura clássica.
A Consolidação do Poder Papal e as Tensões com o Oriente
O século VII viu o surgimento do Islã e a subsequente perda de vastos territórios cristãos no Oriente Médio e no Norte da África. A resposta cristã a essa nova ameaça foi a consolidação do poder papal e o fortalecimento da Igreja como uma autoridade temporal. O Papa Gregório Magno (590-604 d.C.) foi fundamental nesse processo, reformando a administração da Igreja e ampliando seu papel na política europeia.
A crescente divergência entre a Igreja Ocidental, centrada em Roma, e a Igreja Oriental, centrada em Constantinopla, culminou no Grande Cisma de 1054, quando as duas igrejas se excomungaram mutuamente, dividindo o Cristianismo em Catolicismo Romano e Ortodoxia Oriental. Este cisma foi resultado de diferenças teológicas, culturais e políticas que se acumularam ao longo dos séculos, como o uso do Filioque no Credo Niceno e as disputas sobre a jurisdição papal.
Grandes Líderes da Igreja no 4º Século
— Ambrósio – Nascido em Trier (hoje Alemanha), filho de um prefeito pretoriano, Ambrósio, em virtude de sua integridade e simpatia, foi designado governador de uma vasta região, ao norte da Itália. Por esse tempo, a sede do governo ficava em Milão. A morte do bispo Auxêncio deixou vacante o governo da igreja milanesa, e duas facções logo, entraram em disputa com respeito ao sucessor. O jovem governador entrou na igreja para abrandar a multidão, e logo ouviu-se o grito: “Ambrósio para bispo!”
Apesar de nem mesmo batizado, Ambrósio viu-se eleito bispo de Milão. Para ele isso equivaleu a um chamado de Deus, pois mais tarde escreveria: “Não me gloriei por isento de pecado, mas gloriar-me-ei porque meus pecados são perdoados”. O novo bispo deu tudo o que tinha aos pobres, ingressou num curso de teologia, e escreveu vários livros teológicos. A sua maior contribuição, entretanto, foi no campo da hinologia, uma área carente, na época. Alguns hinos de Ambrósio existem até hoje.
Enérgico e até, por vezes, autoritário, Ambrósio foi o homem do mais elevado caráter pessoal e de incansável zelo, um verdadeiro príncipe da igreja. Era desse tipo de homem que a igreja precisava para poder sobreviver no poder, em meio ao colapso do império. Morreu em 397 d.C.
— João Crisóstomo – Natural de Antioquia da Síria, filho de pais nobres e ricos, João Crisóstomo (345-407 d.C.), quando ainda pequeno, perdeu o pai e foi educado pela mãe, que era muito religiosa. Desde cedo, o menino mostrou-se talentoso para a oratória e a pregação. A pedido do imperador Arcádio, Crisóstomo deixou as funções de presbítero em Antioquia da Síria para ser bispo em Constantinopla, de onde enviou missionários para que evangelizassem os pagãos, incluindo os godos, povos vizinhos do império romano.
Durante os anos que esteve em Constantinopla, João Crisóstomo não pode deixar de denunciar os vícios e a corrupção dos imperadores, razão por que foi deposto do cargo de bispo, e exilado para o miserável povoado de Cucusus, na fronteira de Armênia. Mesmo no exílio, longe de sua pátria, João Crisóstomo continuou a pregar o evangelho. Crisóstomo significa boca de ouro.
— Jerônimo – Pensador capaz, de que a igreja ocidental podia se orgulhar, Jerônimo nasceu por volta do ano 340 d.C., em Strido, na Dalmácia, e estudou em Roma, onde foi batizado por Libério, em 360 d.C. Homem bastante culto, Jerônimo escreveu vários comentários da Bíblia e se preocupou com problemas teológicos, mas sua maior contribuição para a igreja foi a Vulgata, tradução da Bíblia para o latim popular.
No tempo de Jerônimo, existiam várias versões da Bíblia em língua latina. A Vetus Itália (a latina antiga) era a tradução mais aceita, mas precisava ser revista. Por isso, Jerônimo foi para a Palestina estudar hebraico e fazer um melhor trabalho. Prova eloqüente da seriedade de sua erudição está no fato de haver contrariado a opinião de Agostinho, por ter preferido o texto hebraico, ao invés do grego da Septuaginta.
Jerônimo converteu-se ao cristianismo aos 25 anos de idade, quando era estudante em Roma. Dedicou-se, depois, ao estudo da Bíblia e foi viver como monge. Morreu em 420 d.C., em Belém da Judéia.
— Agostinho de Hipona – A África produziu grandes líderes do cristianismo, entre eles: Tertuliano e Agostinho. Este último nasceu em treze de novembro de 364 d.C., em Tagaste, na Numídia (hoje Suk Abras), na província de Constatinino, seu pai era pagão de alta posição, a mãe, Mônica, era uma cristã de grande valor.
Agostinho possuía uma inteligência brilhante, mas viveu uma vida desregrada na mocidade. Aos trinta anos, era um brilhante professor de oratória. Lecionou em Roma e em Milão, onde costumava ouvir os sermões de Ambrósio. Converteu-se aos trinta e três anos, foi batizado e ordenado. Oito anos depois de sua conversão, tornou-se bispo de Hipona, onde trabalhou durante trinta e cinco, anos. Faleceu em Hipona, norte da África.
Suas obras principais foram: confissões, a graça de Cristo e o pecado original e Cidade de Deus. Confissões é considerada a primeira grande auto biografia da literatura unirvesal, enquanto que Cidade de Deus constitui o primeiro compêndio de filosofia da história. Século mais tarde, o pensamento do bispo de Hipona iria influenciar a própria Reforma, pois Lutero era um monge da ordem de Agostinho. Calvino também sofreu a influência desse teólogo, e até hoje, a influência é sentida no cristianismo.
Queda de Roma
Parando de expandir e sofrendo com a falta de mão de obra, a falta de soldados e os problemas econômicos, a Crise do Império Romano era intensa. Os impostos foram impostos e eram altos e o território romano já não é atraente. Com as sucessivas invasões dos povos bárbaros, a queda foi inevitável, pois a economia estava cada vez mais comprometida. Em 410 Roma é tomada. Alguns queriam culpar o Cristianismo pela mesma, mas do lado mais forte que era o Oriente se mantinha de pé, estruturado e promissor, exatamente onde era mais cristianizado. Esse era o Império Bizantino. Neste contexto expandia as heresias. Ao falar em queda do Império Romano nos referindo ao Império do Ocidente, pois o Império do Oriente permaneceu forte mais de mil anos depois da queda do Império Romano do Ocidente. Em 476 Rômulo Augusto, o Imperador, é derrubado e Roma desaparece. A Roma Oriental foi grega pela língua, pela literatura, pela teologia e pelo culto; foi romana na tradição militar (os soldados aclamavam os novos imperadores em latim, enquanto a população o fazia em grego), no direito, na diplomacia, nas finanças e na concepção da supremacia do estado e do governo central.” (GIORDANI. 1968 p. 36).
Agostinho: a ponte entre a idade antiga e a idade média
Agostinho é uma dessas heranças, pois marcou a história do Cristianismo, inclusive por sua vida de conversão. Ele é o Grande Filósofo da Idade Média. Antes de se tornar cristão, bebeu na fonte da Filosofia, principalmente em Cícero. Sua busca foi grande e se reporta ao vazio que o habitava.
Por influência de sua mãe Mônica, ele passa a estudar a Bíblia, mas volta à Filosofia e estuda o Maniqueísmo: a doutrina do bem e do mal. Uma ontologia que está na essência de todas as coisas. Neste sentido o pecado é fruto do mal e não da vontade do homem. O pecado está em nossa essência. A razão, neste contexto, é o canal para explicar essa manifestação do bem e do mal sem que seja necessário lançar mão da fé para explicar o pecado e a manifestação do bem e do mal na existência humana. A natureza do mal é encontrada no “não ser”. É apenas a privação do bem. O que existe é a ausência do bem. Ao constatar que o maniqueísmo[2] não dava conta de responder as principais questões, Agostinho estuda o Ceticismo[3], uma doutrina da filosofia que prega que a mente humana não pode ter certeza de nada. Não há certeza a respeito da verdade.
Era simples ao lidar com as pessoas e escolheu o modo de vida asceta, que consiste no desenvolvimento espiritual. Ambrósio se tornou Bispo por aclamação popular, mesmo não querendo cargos e carreira. Agostinho, sendo influenciado pelos ensinamentos e testemunho de Ambrósio e em 387 por ele batizado. Ele fez uma experiência mística ao ouvir Ambrósio e ao ter contato com as Cartas de Paulo. As verdades que Agostinho procurava estavam no cristianismo. Aproveitando todo conhecimento filosófico que tinha e a influência da Filosofia de Platão e de Plotino, Agostinho passa a harmonizar Fé e Razão. A Fé é Substância! Sem a fé a razão não consegue explicar a verdade. Ela é o canal do entendimento, mas nada revela sem a fé. Tudo o que compreendemos conhecemos, mas nem tudo o que conhecemos compreendemos.
Ao descobrir a fé Agostinho entende que as verdades são reveladas ao homem através da iluminação divina, que consiste nas verdades que vem ao homem pelas ideias ligadas a Deus. Sendo assim, não basta que o homem receba as revelações das verdades, ele precisa ter um preparo de intelecto, ou seja, racional para que entenda o que lhe é revelado e que assim consiga separar os próprios julgamentos. Olhando para a interioridade o homem conhece a verdade. O objetivo de Santo Agostinho era, pela fé, compreender o homem. Não o homem abstrato definido pela filosofia grega, mas o homem concreto. O homem que tem sentimentos, pecados, sonhos. Para isso, a dicotomia fé e razão deve ser rompida. Ao encontrar Deus, se encontrará consigo mesmo. Ser livre é servir a Deus! A liberdade humana é fonte da vontade e não da razão.
Agostinho (354-430), reformulou a Patrística, combinando os elementos da fé com princípios filosóficos retirados de filósofos como Platão e Plotino. Essa foi a grande contribuição de Agostinho que conservando os argumentos da fé cristã evocou a razão para manter por longo tempo a unidade da Igreja. “A fé vai à frente, seguida da inteligência […]”1. O conceito de “pecado original”, do “livre arbítrio” A “predestinação divina” foram focos da Patrística de Agostinho.
Fatos do século XI – A Escolástica
A partir do Século IX surgiram reflexões teológicas e filosóficas envolvendo os intelectuais oriundos do clero, das escolas catedralícias e das universidades. O foco de estudo recaiu sobre os tratados filosóficos antigos, propiciando a formação de movimentos como o Humanismo e o Escolasticismo. A Escolástica[4], que vem da Escola. Instruído, foi o método de pensamento crítico dominante no ensino nas universidades medievais. Teve como principal objetivo conciliar o ideal de racionalidade, corporificado pela tradição grega do platonismo e aristotelismo, e a experiência de contato direto com a verdade revelada, a essência da fé cristã. A Escolástica surge no Século IX, retomando os ideais da Patrística e perdura até o fim da Idade Média, no século XVI. Tendo como pontos de partida as bases Patrística a Escolástica aprofunda e expande a defesa da fé se tornando um método de ensino para conciliar Fé e Razão, protegendo os princípios teológicos defendidos pela Igreja Cristã e valorizando as contribuições primordiais da Filosofia, predominando a forte influência da filosofia grega. Nas Escolas Monásticas a Escolástica tem o seu berço e se tornou a “Filosofia Cristã”, tornando-se a guardiã dos valores espirituais e morais de toda a cristandade. Seu surgimento tem influência direta com as atividades de ensino desenvolvidas no interior dos mosteiros que culminaram com o aparecimento das primeiras universidades. O termo “Escolástica” se originou das artes ensinadas nas escolas medievais: trivium: gramática, retórica e dialética e quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música.
Tomás de Aquino
Foi um monge dominicano que atualizou o pensamento aristotélico para a Idade Média, sendo um dos mais importantes filósofos da Escolástica. Tomás de Aquino foi discípulo do grande escolástico Alberto Magno. Ele auxiliou na reintrodução da filosofia aristotélica no pensamento europeu e atualizou a teologia cristã junto à filosofia medieval, tendo escrito sobre os conflitos entre fé e razão existentes no período.
Aquino é o maior representante da Escolástica, pensamento desenvolvido em um momento de expansão na Europa. Havia, no século XIII, uma iminente necessidade de formação de novos líderes religiosos, o que impulsionou a formação de escolas e universidades cristãs para a formação de novos sacerdotes para a Idade Média. As universidades mais antigas do mundo datam dessa época. Tomás de Aquino formou-se e lecionou em universidades cristãs desse período.
Suas principais influências são, de um lado, Platão e Agostinho de Hipona e de outro Aristóteles (que representa o pensamento filosófico grego dominante durante a Escolástica).
Século XI: cisma entre as igrejas
Neste período, enquanto a Escolástica crescia e se constituía como um grande movimento da filosofia cristã, no século XI, acontece no ano de 1054 o Cisma entre as Igrejas Cristãs. De um lado, Catolicismo que tem no Papa sua referência e submissão doutrinal. Do outro, as igrejas orientais que defenderam o poder do Patriarca de Constantinopla. Dessa forma é constituída a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Expressão grega que significa ‘doutrina reta’, ou seja, fundamentada nas bases da tradição original. Seus seguidores são chamados de cristãos ortodoxos, que não aceitam os dogmas católicos, e nem consideram válidos os sacramentos. Para os ortodoxos não existe purgatório e também não acreditam na virgindade de Maria após a concepção. Os ortodoxos podem se casar, desde que este tenha ocorrido antes da sua conversão, e apenas os bispos são obrigados a manter o celibato. A ortodoxia é a corrente doutrinal que se fundamenta em princípios sistemáticos (metafísicos) e científicos combatendo a heterodoxia. Apoia-se na Igreja bizantina depois do cisma que os opôs a Roma (nos séculos IX e XI). A Igreja Ortodoxa está presente no Brasil e foi em São Paulo que foi construída seu primeiro templo. As igrejas ortodoxas mais importantes são a Igreja Ortodoxa Grega e Igreja Ortodoxa Russa.
As Cruzadas
As cruzadas foram movimentos militares para libertar a cidade santa de Jerusalém do poder dos infiéis muçulmanos. Houve oito cruzadas importantes.
— Primeira (1095 – 1099) – Constantinopla foi o ponto de encontro dos exércitos. Somente em junho de 1099, chegaram em Jerusalém. Tomaram-na no dia 15, e seus habitantes foram passados à espada. A derrota completa de um exército egípcio de socorro, perto de Ascalon, em 12 de agosto de 1099, coroou o êxito desta cruzada.
— Segunda (1147-1149) – Não teve o ardente entusiasmo da primeira. Muitas das suas forças pereceram na Ásia Menor e as que alcançaram a Palestina sofreram graves derrotas quando intentavam tomar Damasco. Foi um desastre completo, que deixou profundo ressentimento no Ocidente contra o império do Oriente, desse império, com e sem razão, foi atribuído o insucesso.
— Terceira (1189-1192) – Nenhuma cruzada foi mais bem preparada que esta. Três grandes exércitos foram chefiados pelo imperador Frederico Barbosa Roxa, o maior soldado da época; pelo rei Felipe Augusto, da França, e pelo rei Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra. Frederico morreu afogado acidentalmente na Cicília, e seu exército, sem a sua vigorosa direção, tornou-se inteiramente ineficaz. As questões entre os reis da França e da Inglaterra, e o rápido retorno de Felipe à França para atender a seus planos políticos deram como resultado o fracasso da expedição. E Jerusalém ficou na posse dos maometanos.
— Quarta (1202-1204) – Esta cruzada capturou e saqueou Constantinopla. As relíquias das igrejas foram as mais visadas, passando então, a enriquecer os lugares de culto do Ocidente.
— Quinta (1212) – Deu-se o doloroso episódio denominado “cruzada das crianças”. Um pastorzinho francês chamado Estevão e um rapaz alemão de Colônia, Nicolau, reuniram milhares de crianças. Quando atravessaram a Itália, grande número delas foram vendidas como escravas para o Egito.
— Sexta (1228-1229) – Comandada pelo imperador Frederico II, que por um tratado feito com o Sultão do Egito, obteve a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré, mas logo as perdeu.
— Sétima (1245) – O espírito de cruzada estava quase morto, quando o rei francês Luiz IX levou uma expedição desastrosa contra o Egito. Foi feito prisioneiro nessa empresa. Esta cruzada foi um verdadeiro fracasso.
— Oitava (1271-1272) – Esta foi a última tentativa de importância, comandada pelo príncipe Eduardo. A última possessão dos “cruzados”, na Palestina, foi perdida em 1291. Estavam terminadas as cruzadas, ainda que se continuassem a falar em novas expedições, durante os dois séculos seguintes.
As cruzadas foram um fracasso se as considerarmos pelos seus objetivos. Mas, a longo prazo, essas expedições trouxeram alguns benefícios, em termos de intercâmbios comercial e cultural entre a Europa e o Oriente, que abriu o caminho para o renascimento da cultura (Renascença), e o surgimento da reforma protestante.
A Inquisição do Catolicismo
Um dos mais vergonhosos capítulos que a igreja romana legou à história, que jamais será esquecido, diz respeito à instalação e ao funcionamento implacável dos terríveis tribunais das inquisições, que levaram ao suplício e à morte dezenas de milhares de vítimas. Foi usada pelos papas, durante 500 anos, a fim de se manterem no poder.
Alguns historiadores consideram a constituição promulgada por Lúcio III, em 1184, como a origem da inquisição, que foi instituída logo depois, por Inocêncio III, e aperfeiçoada sob o papa Gregório IX. Aquele ato do poder papal, expedido de acordo com as autoridades seculares, ordena aos bispos que, por si, pelos arcediagos ou por comissários de sua nomeação, visitem uma ou duas vezes por ano as respectivas dioceses, a fim de descobrir os delitos de heresias, ou por fama pública ou por denúncia particulares.
O “santo” ofício usava tortura e castigos terríveis para arrancar confissões, e freqüentemente punia o herege com a morte. Foi a principal agência de esforço papal para esmagar a reforma que já se manifestava. Afirma-se que nos trintas anos, entre 1540 e 1570, nada menos de 900.000 protestantes foram mortos, na guerra movida pelo papa. E isso faziam em “nome de Cristo”, por ordem direta do seu “vigário”, e jamais se penitenciou de seus crimes.
Os Valdenses – Séc. XII
Na Itália do século XVII ainda era grande a perseguição aos cristãos valdenses, adeptos do medieval segmento cristão difundido pelo francês Pedro Valdo (Pierre Vaudès, 1140–1218), que desafiou a Igreja Católica ao pregar diversas concepções e práticas que somente foram retomadas com efeito e força durante a Reforma Protestante. Os valdenses, muito antes de Lutero, já empregavam bíblias traduzidas em seus idiomas e defendiam a abolição do uso de imagens e do poder da hierarquia eclesiástica católica, tendo sido condenados pelo papa Lúcio III em 1184 e oficialmente excomungados em 1215, durante o IV Concílio de Latrão (1215).
Eram vistos como seguidores de movimento herético a ser combatido pelos católicos e por Roma e essa postura vigorou ao longo dos anos mesmo com a ocorrência de fases de maior perseguição e outras nas quais eram quase que ignorados. Ainda assim, os valdenses continuaram existindo, persistindo e defendendo suas concepções e práticas.
Desde o surgimento da Reforma Protestante os valdenses passaram a integrar o movimento que se opunha à Igreja Católica – mesmo sendo anteriores e precursores de muitas das teses e princípios do protestantismo mais conhecido. As perseguições que sofriam passaram até a ser reforçadas em função desse fato.
Em abril de 1655, sob as ordens de Carlos Emmanuel II, o Duque de Sabóia, um sangrento massacre ocorreu no Piermonte, Itália, região onde era concentrado um significativo contingente de valdenses, que constituíam comunidades isoladas do convívio com católicos e alheias às autoridades políticas aliadas ao papado. O duque simplesmente decidiu que deveria eliminar os valdenses de seus domínios e reuniu uma poderosa tropa para cumprir este propósito. E não houve limite para a realização deste extermínio, pois nem crianças ou pessoas idosas ou doentes eram poupadas da carnificina. Todos os métodos de torturas e execuções foram empregados para dar efeito à eliminação sangrenta dos valdenses e até persistiram relatos de que os exterminadores (a maioria deles constituída por mercenários de várias procedências) chegaram a praticar canibalismo, comendo partes de corpos que foram cozidos.
A repercussão dos massacre foi péssima e até mesmo o protestante Oliver Cromwell, líder da república revolucionária inglesa, chegou a ameaçar os domínios do agressor e a articular uma retaliação aos aliados do Duque de Sabóia, como era o caso do jovem rei Luís XIV, da França. As imagens a seguir foram retiradas da obra “The history of the evangelical churches of the valleys of Piemont” (1658), de autoria de Samuel Morland, um inglês protestante que ressaltou o lado dos valdenses.

Precursores da Reforma
Antes da Reforma Protestante houve muitos movimentos propagados por cristãos que defendiam o dogmas bíblicos e que na época o domínio da igreja católica romana era opressor, pois, instituia que a igreja era a ordem elevada da autoridade bíblica e espíritual. Destacaremos a seguir alguns nomes mais conhecidos, pois, sabemos que não só se limita a um pequeno grupo de defensores do cristianismo bíblico.
— João Wyclif (1328-1384)
Foi professor em Oxford, Inglaterra, e é um dos grandes nomes da pré-reforma. Ele ajudou a quebrar o poder da igreja romana sobre sua nação, revelou o caráter e as obras dos frades, deu ao povo da Inglaterra a Bíblia em sua própria língua e preparou os “irmãos lolhardos” (seus discípulos) para levarem avante a sua obra. Declarou ele que o papa era o anticristo, e afirmou que só a Bíblia revela o plano da salvação.
Chamado, certa vez, perante o mais alto tribunal eclesiástico da Inglaterra, e acusado de heresia, Wyclif respondeu perguntando por que aqueles clérigos viviam vidas tão ímpias. “Como ousais vós só por amor a lucro, fazer comércio com a graça de Deus?” – perguntou ele. Depois Wyclif faz nova pergunta: “Com quem pensai vós que estás contendendo? Com um ancião às portas da sepultura? Não! Com a verdade – a verdade que é mais forte do que vós e vos há de vencer”.
A resposta de Wyclif causou tão profunda impressão, escreve um historiador, que quando ele se retirou do tribunal ninguém ousou detê-lo. apesar da ira e fúria dos seus inimigos católicos romanos. Anos depois de sua morte por ordem do papa, seu túmulo foi aberto, o caixão e esqueleto queimados publicamente e as cinzas atiradas ao rio Swift. Um pregador cristão, Tomas Fuller, escreveu depois: “Do Swift ao Avon, o Avon ao Sabrina, o Sabrina aos mares estreitos, e estes ao grande oceano. Assim, as cinzas de Wyclif são símbolos de sua doutrina que agora tem sido espalhada em todas as partes do mundo”.
— João Huss (1369-1415)
Reitor de universidade, foi um seguidor da doutrina de João Wyclif, cujos escritos haviam penetrado em seu país.Tornou-se um pregador destemido: atacava os vícios do clério e as corrupções da igreja com veemência arrebatadora; condenava a venda de indulgência, rejeitava o purgatório, o culto de santo e o uso de uma língua estrangeira na liturgia; exaltava as escrituras acima dos dogmas e ordenança da igreja. No concilio de Constança, o veredicto já estava feito, Huss seria queimado vivo. O seus inimigos tiraram as vestes e lhe raparam a cabeça, puseram um capuz em que se achavam pintadas figuras de demônios e a palavra “arque-herege”. “Mui jubilosamente”, disse Hus, “Usarei a coroa da vergonha por amor de ti ó Senhor Jesus, que usaste por mim uma coroa de espinho”. – “Agora, entregamos tua alma ao diabo”, disseram os bispo. Replicou Huss olhando para o céu: “Em tuas mãos entrego meu espírito, ó Senhor Jesus, pois me remiste”.
Ouvindo a ultima decisão, os inimigos atearam fogo à lenha. Huss cantou: “tu, filho de Davi, tem misericórdia de mim”. Inclinou a cabeça, mas seus lábios continuaram a morver-se, como em oração. Por fim tudo silenciou. Quando o corpo de Huss estava completamente queimado, foram apanhadas as cinzas e lançadas ao Reno. Ao chegar a sua terra natal as notícias de sua morte, o povo levantou-se e muitos se decidiram em favor da verdade.
Ouve muitos outros vultos da história, e grupo de crentes fiéis que são considerados “pré-reformadores”, como por exemplo: Pedro de Bruys, Arnaldo de Brécia, Valdo de Lião, Savanarola, os Albigenses, os anabatistas, e outros.
— Savonarola (1452-1498)
“O processo de Savonarola é pedra de tropeço para muitos; por pregar a virtude, foi condenado a morte em nome da Religião”. Girolamo Savonarola, nascido em Ferrara (Itália) aos 22 de setembro, representa uma figura assaz ambígua, dados os traços contrastantes que nele se associam.
Impressionado pela corrupção dos costumes de sua época (período de Humanismo e Renascença efervescentes na península itálica) praticando com fervor a oração. Pregador na Florença renascentista que ficou conhecido por suas profecias, pela destruição de objectos de arte e artigos de origem secular e seus apelos contra a igreja católica. Agraciado por uma visão em que o exortava a trabalhar pela reforma, a semelhança dos profetas do Antigo Testamento, logrou pleno êxito “não havia igreja que comportasse a multidão de seus ouvintes”, milhares de pessoas as enchiam com horas de antecedência, aguardando o aparecimento de testa enrugada, nariz aquilino, olhar penetrante e inflamado, que, ao falar, parecia realmente um profeta severo e incisivo do Antigo Testamento (haja vista a figura de Amós, por exemplo).
A Renascença
A Renascença foi um período de transição da história humana, situado entre a idade média e os tempos modernos. Caracterizou-se por uma renovação da cultura dos povos da Europa, pela influência dos pensamentos e da arte grego-romana. Cresciam nessa época as grandes descobertas geográficas, entre elas, as de Colombo e Cabral. Mais maravilhosa ainda foi a descoberta do heliocentrismo de Copérnico. Grandes progressos foram alcançados nas invenções mecânica, entre as quais as invenções da imprensa por Gutenberg (1439). Alguns começaram a estudar a Bíblia em Hebraico, em grego, em vez de latim. O novo interesse pelas as artes deu origem as obras de Da Vinci, Michelangelo, Shakespeare, e outros. Finalmente, a renascença valorizou a dignidade humana, habilitando as pessoas a lançar fora as velhas ideias e a ingressar em novos caminhos. Foi ela também a poderosa precursora da reforma da renovação das ideologias religiosas. Sem a renascença, dificilmente a reforma protestante teria ocorrido.

— Erasmo de Roterdã – (1466-1536)
Erasmo cursou o seminário com os monges agostinianos e realizou os votos monásticos aos 25 anos, vivendo como tal, sendo um grande crítico da vida monástica e das características que julgava negativas na Igreja Católica. Frequentou o Collège Montaigu, em Paris, e continuou seus estudos na Universidade de Paris, então o principal centro da escolástica, apesar da influência crescente do Renascimento da cultura clássica, que chegava de Itália. Erasmo optou por uma vida de académico independente.
O movimento de Martinho Lutero começou no ano seguinte à publicação do Novo Testamento, e foi um teste ao carácter de Erasmo. A discussão entre a sociedade europeia e a igreja católica romana tinha-se tornado tão aberta que poucos se podiam furtar a um pedido de uma opinião. Erasmo, no auge da sua fama literária, foi inevitavelmente chamado a tomar partido por um dos lados, mas partidarismo era algo de estranho à sua natureza e hábitos. Em toda a sua crítica às tolices clericais e aos abusos, ele tinha sempre afirmado que não estava a atacar as instituições da Igreja em si e não era um inimigo do clero.
Erasmo tinha uma simpatia pelos pontos principais da crítica luterana à Igreja. Tinha um grande respeito pessoal por Martinho Lutero e Lutero sempre falava de Erasmo com reverência pelo seu conhecimento. Lutero esperava obter a sua cooperação num trabalho que parecia o resultado natural do seu próprio. Na sua troca de correspondência inicial, Lutero expressou uma intensa admiração por tudo o que Erasmo tinha feito pela causa de um cristianismo saudável e razoável e encorajou-o a unir-se ao movimento.
9. Reforma Protestante
A Reforma Protestante acontece no século XVI, liderado por Martinho Lutero que se rebela contra a Igreja Romana por querer reformas e publica 95 teses em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Teses que criticam as vendas de indulgências, contra os abusos do clero.
No plano doutrinal, a Reforma quer “protestar” contra as doutrinas “papistas” e retornar ao pensamento do cristianismo primitivo, reflexo da autêntica revelação cristã: esse movimento de Reforma promoveu uma aplicação religiosa do conceito de tempo intermediário como tempo de degeneração religiosa, ou seja, da perda de autenticidade do cristianismo primitivo. A Reforma protestante apresenta um elemento tipicamente moderno, a saber: o individualismo na questão da interpretação dos textos bíblicos. Esse individualismo associa-se à questão da autonomia, uma vez que não se admite como critério normativo de interpretação a ideia de tradição, tal como ocorre na Igreja Católica.

Lutero e a Reforma na Alemanha
Depois de Jesus e Paulo, talvez o maior homem de todos os tempos tenha sido Martinho Lutero, nascido em Eisleben, a 10 de novembro de 1483, e falecido na mesma cidade em 18 de fevereiro de 1546. A casa em que ele nasceu é conservada até hoje. De acordo com um velho costume, no dia imediato ao seu nascimento o menino foi levado à pia batismal da igreja de São Pedro, e como era dia de São Martinho, recebeu a criança o nome de santo. Aos dezoito anos foi para a universidade de Erfurt, onde encontrou o que jamais vira em sua vida; uma Bíblia completa. “Oh, se Deus desse esse livro para mim mesmo!”, exclamou ele.
Lutero tornou-se monge, esperando assim, salvar sua vida pelas orações e a penitência. “Era um monge piedoso, posso afirmá-lo”, diria ele mais tarde, “Observei a regra tão severamente que posso dizer: se alguma vez um monge chegou ao céu por sua vida monástica, eu, de certo, também teria conseguido chegar”.
Depois de ordenado padre, Lutero foi solicitado pela universidade de Wittemberg para ali servir como professor. Ele possuía conhecimento das línguas antigas e estudara a Bíblia em hebraico e grego. Cria na igreja católica, mas ao fazer uma peregrinação a Roma, viu muitas coisas que não estavam em harmonia com o que ele aprendera na Bíblia… “Que crimes! Que escândalos!”, diz ele. “Estas fornicações, estas bebedeiras, esta paixão desenfreadas ao jogo, todos estes vícios do clero!… Grandes escândalos o confesso; é preciso denunciá-los; é preciso trazer-lhes remédio!”. Certo dia, em 1508, quando lia a carta aos romanos, foi iluminado de súbito e a paz lhe inundou a alma. “O justo viverá pela fé”. Viu, por fim, que a salvação ganhava-se pela confiança em Deus mediante Cristo, e não pelos ritos, sacramentos e penitências da igreja. Esse versículo mudou toda a sua vida e todo o curso da história.
A venda de indulgência por Tetzel, deu ocasião para Lutero romper-se com Roma. Indulgência era um abrandamento das penas do purgatório, isto é, a remissão dos pecados. “Ao tilintar das vossas moedas no fundo da caixa, as almas de vossos amigos saem do purgatório e entram no céu”, dizia Tetzel. Isto horrorizou a Lutero. A 31 de outubro de 1517, Lutero, afixou à porta da igreja de Wittemberg as suas 95 teses, quase todas relacionadas com as indulgências. Foi a faísca que incendiou a Europa. Em 1520, quando Lutero já era o homem mais conhecido na Alemanha, recebeu um ultimato de Roma: Que se retratasse com o papa e a igreja, dentro de 60 dias, se isso não acontecesse, seria considerado um herege e sofreria a pena devida, que seria a morte. Ao receber o ultimato, Lutero queimou-o publicamente, em 10 de dezembro 1520. Nova época da história começava naquele dia.
Em 1521 Lutero foi citado por Carlos V, imperador do santo império romano, para comparecer à dieta de Worms. Na presença dos dignitários do império e da igreja ali reunidos, recebeu o reformador ordem para retratar-se, mas ele respondeu que não podia retratar-se de coisa alguma, a não ser que fosse vencido pelas escrituras ou pela consciência. Disse ele “Aqui estou nada mais posso fazer; assim Deus me ajude amém”.
Lutero foi condenado, mas tinha muitos amigos, entre os príncipes alemães, que impediram a execução do edito. Foi escondido por uns amigos durante cerca de um ano, e depois voltou a Wittemberg para continuar o seu trabalho, falando e escrevendo. Entre outras coisas, traduziu a Bíblia para o alemão, o que “espiritualizou a Alemanha e lhe deu um idioma”. Em 1529, a dieta de Spira decidiu que os católicos podiam ensinar sua religião nos Estados luteranos, mas proibiu os luteranos de ensinar nos Estados católicos da Alemanha. Contra isto os príncipes Alemães ergueram um formal protesto, ficando assim conhecidos, por protestantes. O nome aplicado, originalmente, aos luteranos estendeu-se no uso popular aos que hoje protestam contra a usurpação papal, incluindo todas as denominações cristãs evangélicas.
Cinco princípios da reforma
1º — O primeiro grande principio é que a verdadeira religião está fundada sobre as Escrituras Sagradas. Os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Ensinavam que a igreja (juntamente com o papa) era infalível, e que a autoridade da Bíblia procedia da autoridade dada pela igreja. Também proibiam às Escrituras aos leigos, e se opunham decididamente a toda as traduções em línguas usadas pelo povo comum. Os reformadores declaravam regras de fé e prática, e que não devia aceitar-se nenhuma doutrina, a menos a que fosse ensinada pela Bíblia, e colocou seus ensinos sobre o trono da autoridade. Foi por meio dos reformadores, e, principalmente nos países protestantes, que a Bíblia agora, é feita em milhões de cópias anualmente.
2º — O segundo princípio estabelecido pela reforma foi que a religião devia ser racional e inteligente. O romanismo havia introduzido doutrinas irracionais no credo da igreja, como a transubstanciação, pretensões absurdas como as indulgências papais, em sua doutrina; costumes supersticiosos como adoração de imagem, em seu ritual. Os reformadores embora subordinando a razão à revelação, reconheciam a razão como um dom divino e pediam um credo, uma disciplina e uma adoração que não violasse a natureza racional do homem.
3º — A grande verdade, enfatizada pela Reforma, foi a criação de uma religião pessoal. Sob o sistema romano existia uma porta serrada entre o adorador e Deus, e para esta porta o sacerdote tinha a única chave. O pecador arrependido não confessava seus pecados a Deus, mas ao sacerdote; não obtinha perdão de Deus, mas do sacerdote, quem, unicamente, podia pronunciar a absolvição. O adorador não orava a Deus Pai por meio de Seu Filho, mas por meio de um santo patrono, que se supunha a interceder por ele perante Deus. Com efeito, o romanismo considerava Deus como um ser pouco amigável, cuja ira devia ser aplacada pela vida ascética de homens e mulheres santos, cujas orações unicamente, podiam salvar os homens da ira de Deus. Os piedosos também não podiam ler a Bíblia e serem guiados por ela, mas tinham que receber seus ensinamentos indiretamente segundo interpretação de concílios e cânones da igreja.
Os reformadores varreram com todas essas barreiras. Dirigiam o adorador em direção a Deus, como o objetivo direto de oração, o doador imediato do perdão e graça. Traziam a cada alma a presença de Deus e a comunhão de Cristo.
4º — Os Reformadores também insistiam em uma religião espiritual, diferente de uma religião formalista. Os católicos haviam sobrecarregado a simplicidade do evangelho com múltiplas formas e cerimônias, que obscureciam completamente sua vida, e seu espírito. A religião consistia em serviços externos rendidos sob a direção sacerdotal, e não em atitude, de coração, para Deus.
Indubitavelmente, houve muitas pessoas sinceras e espirituais na igreja católica, homens como Bernardo de Clairvaux, Francisco de Assis e Tomas Kemps, que viviam em íntima comunhão com Deus. Mas em regra geral, a religião era de letras e não de espírito. Os reformadores davam ênfase às características internas da religião, muito mais que as externas. Puseram bem patente a antiga doutrina como uma experiência vital, “a salvação pela fé em Cristo e unicamente pela fé”. Proclamaram que os homens são justificados, não pela as formas e observância externas, mas sim pela vida interna espiritual, “a vida de Deus na alma dos homens”.
5º —O último destes princípios na obra prática da Reforma foi o de uma igreja nacional, distinta de uma igreja mundial. O propósito do papado e do sacerdócio era subordinar o Estado à igreja, e fazer com que o papa exercesse autoridade sobre todas as nações. Onde o protestantismo triunfava, surgia uma igreja nacional, governada por si mesma e independente de Roma. Estas igrejas nacionais assumiam diferentes formas: episcopal na Inglaterra, presbiteriana na Escócia, algumas mista nos países do norte.
Os 5 Credos Teológicos da Reforma
Agora que já conheceu as 95 teses de Lutero, conheça os Cinco Credos Teológicos para combater a Doutrina da Igreja Católica que ficaram conhecidos como as “Cinco Solas”, ou seja, cinco frases em latim, que definem os Princípios da Reforma Protestante.

1º — Sola significa somente: SOLA FIDE: “Somente a Fé”: A fé é o instrumento pelo qual nos apropriamos da salvação conquistada plenamente por Cristo.
2º — SOLA SCRIPTURA: “Somente a Escritura”: Somente a Bíblica deve ser utilizada como regra da doutrina. Ela é a autoridade máxima.
3º — SOLUS CHRISTUS: “Somente Cristo”: A Salvação vem de Jesus e somente por Ele. Jesus é o único caminho que leva a Deus. A Tradição continua tendo lugar, mas é a Sagrada Escritura que julgará sua validade. Disponível em:
4º — SOLA GRATIA: “Somente a Graça”: É pela Graça de Deus que nos libertamos do pecado e somos conduzidos para a Vida Eterna.
5º — SOLI DEO GLORIA: “Glória somente a Deus”: O fim principal de toda pessoa é a glorificação de Deus. Em Deus está a Salvação e o sentido da existência. Fomos criados para a Glória de Deus. Todas as obras humanas devem lembrar a Glória.
A crise que assola o contexto do século XVI, que faz com que Lutero lidere a Reforma Religiosa, também apontava para outras crises, entre elas, para o reformador, também a Educação precisava ser reformada.
Para Lutero, a formação ministrada nos Conventos e Escolas tinha o único objetivo de formar intelectuais que pudessem dar continuidade à hegemonia religiosa da Igreja Católica Romana. Neste sentido, Lutero (1987.p. 305), além de uma reforma religiosa, pensava em uma Reforma Educacional e expressava com clareza os seus ideais. A formação de Lutero (1987, p. 306) foi fundamentada na escolástica medieval e por isso tinha bases teóricas sólidas, mas faz uma crítica severa ao ensino universitário e nos conventos e sugere o estabelecimento de novos métodos no processo educativo:
(…) se as universidades e conventos continuarem como estão, sem a aplicação de novos métodos de ensino e modos de vida para os jovens, preferiria que nenhum jovem aprendesse qualquer coisa e ficassem mudos. (LUTERO, 1995, Vol. 5, p. 305)
Lutero também se preocupou com o papel da família na Educação dos filhos conforme conteúdo no Catecismo Menor.
Compreendendo o dever do Estado, Lutero também compreendia a Educação como um grande e fecundo canal para a formação das consciências através do acesso à Bíblia. A Sagrada Escritura deveria ser lida e conhecida por todos. Para tal, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, facilitando o acesso dos fiéis aos textos Sagrados e para isso exigiu das autoridades políticas a criação de Escolas Cristãs (1524) diferenciadas dos modelos escolásticos, que pudessem levar à frente o seu projeto educativo evangelizador.
Outros Reformadores
Contemporâneos de Lutero, Henrique VIII (1534) e João Calvino (1536), lideraram o movimento de Reforma a partir de seus próprios ideais e entendimentos, que já não eram totalmente identificados ao de Lutero.
Henrique VIII
Não era um religioso, mas um Rei. Uma reforma Religiosa liderada por um Monarca Absolutista da Inglaterra. Revoltado por sua mulher não ter gerado um filho, envia ao Papa um pedido de divórcio para se casar com uma de suas amantes. A Igreja nega o pedido por ser considerado pecado gravíssimo. Mais revoltado ainda com a negação da Igreja, Henrique VIII se declara, em 1534, o “Chefe Supremo” da Igreja na Inglaterra. Assim surge a Igreja Anglicana. Para as mãos do Rei passam as propriedades, todas as riquezas materiais e a responsabilidade doutrinal da fé. No mesmo ano de 1534, Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Paulo III por ter criado uma nova Igreja e foi fundada a Companhia de Jesus, uma das maiores e mais intensas organizações a serviço da Fé Cristandade na Contra-Reforma para resistir à Reforma Protestante.
A Igreja fundada por Henrique VIII permaneceu no início similar a igreja católica romana, inclusive com o clero remanescente do catolicismo romano. A ruptura com a igreja romana ocorreu principalmente por questões políticas. Logo essa similaridade foi dissipada e a nova Igreja de Henrique VIII sintonizou-se aos ideais da Reforma Protestante, especialmente do calvinismo. Além de ser tomado por ira por causa da recusa do divórcio, Henrique VIII promoveu a reforma religiosa para enfraquecer o poder do Papa e da Igreja na Inglaterra, já era imensa a influência ideológica na Inglaterra, também era dona de muitas terras e monopolizava o comércio das Relíquias Sagradas. Henrique VIII queria se apossar dos bens materiais e do poder ideológico da igreja católica romana na Inglaterra. Em 1534, foi criada a Igreja Anglicana através do voto do parlamento inglês no Ato de Supremacia, que considerava Henrique VIII o chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Assim sendo, todos os fiéis passaram a se submeter ao Rei e não mais ao Papa. Os desobedientes seriam excomungados e julgados, sendo, inclusive, perseguidos. Thomas More, o grande escritor de Utopia, um dos poucos que ousou questionar e resistir ao absolutismo de Henrique VIII e pagou com sua decapitação.
Filipe Melanchthon
Filipe Melâncton foi um reformador, astrólogo e astrônomo alemão. Colaborador e um dos principais amigos de Lutero, redigiu a “Confissão de Augsburgo” e converteu-se no principal líder do luteranismo após a morte de Lutero. Este erudito lançou os fundamentos da escola elementar popular. O que guiava sua perspectiva do ensino era que “alguns não ensinam absolutamente nada das Sagradas Escrituras; alguns não ensinam às crianças nada além das Sagradas Escrituras; ambos os quais não se deve tolerar”.
Em 1528, seus “Artigos de Visitação” para as escolas foram promulgados como lei na Saxônia[5], e sua obra como educador público passou a ser uma dimensão adicional em sua vida.
Ele propôs a divisão dos estudantes em três classes, divididas em faixas etárias. Na primeira divisão, as crianças estudavam o alfabeto, a oração do Pai Nosso e o Credo dos Apóstolos. Na segunda divisão, eram estudados pelos adolescentes o Decálogo, o Credo e o Pai Nosso. Os Salmos mais fáceis (112, 34, 128, 125, 133) deveriam ser decorados, assim como deveriam ser estudados o Evangelho de Mateus, as epístolas de Paulo a Timóteo, a primeira epístola de João e os Provérbios de Salomão. Tudo isto lado a lado com o estudo de física, lógica, gramática, moral e história. No último nível (o equivalente à faculdade), os estudantes deveriam se dedicar ao latim, gramática, dialética, retórica, filosofia, matemática, física e ética. Aqueles que estavam sendo preparados para ensinar na igreja, além destas matérias deveriam aprender grego e hebraico, pois em seu entendimento, este conhecimento deveria servir ao estudo e pregação de um Evangelho puro.
Melanchthon entendia que Cristo tinha colocado toda a cultura debaixo de Seu controle, acreditando que este entendimento impediria os cristãos de viverem vidas grosseiras, enquanto, ao mesmo tempo, os impediam de atribuir mais importância à cultura humana do que à fé cristã.
Melanchthon tem sido considerado o fundador do ensino controlado e sustentado pelo Estado, tendo tirado as escolas do controle privado. Pelo menos cinqüenta e seis cidades procuraram sua ajuda na reforma de suas escolas. Ele ajudou a reformar oito universidades e a fundar outras quatro. Escreveu numerosos livros didáticos para uso nas escolas e, mais tarde, foi chamado o “Instrutor da Alemanha”. Na Alemanha, 1997 foi declarado o “ano de Melanchthon” por causa das celebrações do aniversário do nascimento deste grande reformador. As celebrações ocorreram em 31 de outubro de 1996, na Igreja do Castelo, em Wittenberg.
João Calvino
Recebeu influência de Lutero, ao qual, em um de seus escritos foi chamado de seu “Pai”. Também formado para servir a igreja romana, acaba se convertendo ao protestantismo entre 1532, mas não há muitos registros. Um texto escrito em 1557 como prefácio ao seu comentário sobre os salmos Calvino registra algumas explicações teológicas e ideológicas.
Francês, perseguido em seu país por causa de suas ideias reformadoras, se exila na Suíça, em 1536, difundindo o que ficou conhecido como “Cristianismo Calvinista”. Tornando-se Professor e Pastor e passa a aprofundar o estudo aperfeiçoando sua forma de compreender e viver o Cristianismo. Calvino mantinha sua base teológica ligada a Agostinho, por isso acreditava na predestinação. Viemos ao mundo para sermos salvos ou condenados. Desta forma, a salvação depende da vontade de Deus e não das boas obras. O trabalho, a pureza de costumes, o cumprimento dos deveres para com a sociedade e a família são pontos da teoria calvinista sobre a salvação, ou seja, a vida de quem cumpre esses preceitos é abençoada por Deus, resultando no progresso econômico.
(…) a maioria dos escolásticos protestantes dos séculos XVI e XVII não tinha consciência das semelhanças entre seus próprios empreendimentos teológicos e os de Tomás de Aquino e de outros teólogos católicos medievais… Embora poucos (ou talvez nenhum) desses praticantes do escolasticismo protestante reconhecessem explicitamente sua dívida para com fontes documentais católicas romanas, os sistemas de pensamento ortodoxo protestante que desenvolveram dependiam muito das referidas fontes e, sobretudo, de seus métodos de dedução lógica e especulação metafísica. (GONZALEZ, Justo L. São Paulo: 2004, p. 274)
Seria o que na contemporâneidade conhecido com Teologia da Prosperidade. No calvinismo a acumulação de bens deixou de ser vista como pecado. Podemos citar a obra de Marx Weber “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”. A discreta vida levada pelos calvinistas estimulava ainda a contenção de gastos desnecessários, o que contribuía para a acumulação de riquezas. Influenciado por Lutero, muito tinha em comum com ele, mas divergia em muitos pontos essenciais, entre elas a doutrina da salvação. Para Lutero, a salvação se dá pela fé e para Calvino pela predestinação. “Se se tem de transitar pela terra apenas de passagem, não há dúvida de que, enquanto neste mundo, devemos usar dos bens, de modo que eles nos ajudem ao invés de nos embaraçarem a passagem” (BONI, 2000, p. 229-230).
A fim de estabelecer uma base religiosa em uma moral cristã, Calvino escreveu o Catecismo, aprovado pelo Grande Conselho, em novembro de 1536. Houve, por parte do conselho, uma disciplina bastante severa com o objetivo de moralizar os costumes. Foram estabelecidas rígidas regras de comportamento, foi proibida a vadiagem e o comerciante ficava impedido de roubar no peso ou extorquir. Em 1536, o Pequeno Conselho decretou a abolição da missa e a remoção de todas as imagens e relíquias das igrejas. (DURANT, Will. 1957.p 391-392) Os princípios Calvinistas geraram muita satisfação, mas também desconfianças por causa de alguns equívocos: (…) No documento havia pontos pacíficos como a valorização da família, a eleição dos pastores de cada paróquia e a representatividade dos presbíteros nos distritos. Contudo, logo no primeiro artigo do documento, havia uma matéria …. (BIÉLER, 1990. p. 135-137).
As Regras da Reforma Calvinista
Em março de 1536, foi publicada em Basileia a primeira edição de “Institutio religionis Christianae”: A Instituição Cristã, sua obra mais importante. Sua teologia começava a adquirir autonomia se tornando independente do Luteranismo. Criticava a vida dos mosteiros, que comparava a bordéis e pregava que queria não só a reforma da Igreja, mas de todos os indivíduos. A institutio é “a organização da sociedade daqueles que acreditam em Jesus Cristo”. Após desenvolver a teoria da predestinação absoluta que diferenciou sua Reforma da pretendida por Lutero, o protestantismo pregado por Calvino estabeleceu regras rígidas. Entre elas: • O conhecimento do evangelho através de rígidos estudos; • Realização de cultos em templos simples sem muita ornamentação, o que não atrapalharia e nem desviaria a atenção dos fiéis; • Não bastam levar uma vida de fé e religiosidade, os seguidores do calvinismo deveriam levar uma vida de trabalho e austeridade; • Expressamente proibido a participação em jogos de azar e em bailes e teatros; • Os sacramentos foram reduzidos a dois: o batismo e a comunhão, já que na Igreja Romana eram sete; • A presença de Cristo na eucaristia se dava pela presença puramente espiritual e não corpórea. • O Batismo era apenas um sinal através do qual o fiel era aceito como membro da comunidade cristã. • A fé é apenas uma espécie de indício de que um determinado indivíduo é um ser destinado à salvação.
A Doutrina Calvinista influenciou a criação de diversas escolas e universidades em Genebra. A contribuição do Calvinismo na Educação se espalhou por toda a Europa e fazendo surgir importantes centros universitários. O cenário neste momento é de um Cristianismo dividido em quatro vertentes: Romano, Luterano, Calvinista e Anglicano.
Alguns eventos importantes desta época
Para esboçar a Reforma, podemos sugerir os seguintes como alguns dos eventos importantes:
1517: Lutero pregou as 95 teses na porta da Igreja Castelo.
1520: Lutero publica três livros importantes: A Liberdade do Homem Cristão; O Cativeiro Babilônico da Igreja; e Uma Carta Aberta à Nobreza Cristã.
1521: Excomunhão de Lutero; ele recusa negar suas crenças diante a Dieta de Worms; ele queima a bula do Papa.
1522: Lutero, no exílio, faz uma tradução do Novo Testamento em Alemão, e, depois, volta para orientar a reforma em Wittemberg.
1523: Sob a pregação de Zwinglio, a cidade de Zurique abraça a Reforma.
1529: A Dieta de Spira declara a Reforma fora da lei; os príncipes evangélicos protestam (a origem do nome “protestantes”).
Lutero e Zwinglio encontram-se em Marburg, mas não concordam sobre a ceia do Senhor.
1531: Zwinglio morreu na Guerra de Cappel.
1534: Henrique VIII declara a si mesmo cabeça da Igreja da Inglaterra.
1536: A primeira edição das Institutas da Religião Cristã de Calvino.
1537: Menno Simmons é ordenado bispo anabatista.
1541: Calvino começa a Reforma em Genebra.
1545: O início do Concílio de Trento.
10. A Contrareforma

A Contrarreforma: Resposta Católica ao Desafio Protestante
A Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero em 1517, lançou a cristandade ocidental em uma era de profundas divisões religiosas, questionando a autoridade da Igreja Católica e propondo novas interpretações doutrinárias. Em resposta a essa ameaça crescente, a Igreja Católica lançou um movimento de renovação e defesa da fé tradicional, conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica. Esse movimento não apenas procurou responder às críticas dos reformadores protestantes, mas também reformar internamente a Igreja para reafirmar sua autoridade e atratividade.
O Concílio de Trento: Pilar da Contrarreforma
Um dos eventos mais significativos da Contrarreforma foi o Concílio de Trento, convocado pelo Papa Paulo III em 1545 e realizado em várias sessões até 1563. Este concílio ecumênico foi uma resposta direta às demandas por reforma interna e à necessidade de combater as doutrinas protestantes. O Concílio de Trento desempenhou um papel crucial na definição dos dogmas católicos e na implementação de reformas administrativas e disciplinares na Igreja.
Os principais objetivos do Concílio de Trento foram:
- Afirmação da Doutrina Católica: O concílio reafirmou os princípios centrais da doutrina católica, como a autoridade das Escrituras e da Tradição, a natureza sacramental da Igreja, e a doutrina da transubstanciação na Eucaristia. A justificativa pela fé e obras foi reafirmada em oposição à doutrina protestante da sola fide (justificação pela fé somente). O concílio também confirmou os sete sacramentos e o papel do sacerdócio como mediador entre Deus e os homens.
- Reformas na Igreja: Para responder às críticas de corrupção e abuso que haviam sido levantadas pelos reformadores, o Concílio de Trento implementou uma série de reformas administrativas e disciplinares. Foi introduzida uma maior supervisão sobre o clero, incluindo a exigência de que os bispos residissem em suas dioceses e exercessem uma vigilância mais rigorosa sobre a moralidade e a educação do clero. Seminários foram estabelecidos para a formação adequada dos sacerdotes.
- Liturgia e Devoção: O concílio também promoveu a padronização da liturgia católica, resultando no Missal Romano, que uniformizou a celebração da Missa em toda a Igreja Latina. Além disso, o concílio incentivou o uso de imagens religiosas e a veneração de santos, em resposta às críticas protestantes contra essas práticas.
Instrumentos da Contrarreforma: A Inquisição e o Índex
Para reforçar a ortodoxia e combater a propagação do protestantismo, a Igreja Católica restabeleceu a Inquisição, um tribunal eclesiástico com poderes para investigar, julgar e punir heresias. A Inquisição foi particularmente ativa em países como Espanha e Itália, onde perseguiu não apenas protestantes, mas também judeus, muçulmanos e outros considerados hereges ou desviantes da fé católica.
Outro instrumento importante da Contrarreforma foi o Índex Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos), uma lista de publicações consideradas heréticas ou contrárias à moral católica. Essa lista incluía obras de teólogos protestantes, filósofos e cientistas cujas ideias eram vistas como uma ameaça à doutrina oficial. A censura de livros foi uma tentativa de controlar o fluxo de ideias e proteger os fiéis das influências reformadoras.
A Companhia de Jesus: Vanguarda da Expansão Católica
Fundada em 1534 por Inácio de Loyola, a Companhia de Jesus (Jesuítas) tornou-se um dos principais instrumentos da Contrarreforma. Os jesuítas eram conhecidos por sua disciplina rigorosa, educação teológica sólida e compromisso com a evangelização. Eles estabeleceram escolas, universidades e missões em todo o mundo, desempenhando um papel central na revitalização da fé católica na Europa e na expansão do cristianismo nas Américas, Ásia e África.
A Companhia de Jesus também foi crucial na promoção da espiritualidade e do zelo missionário dentro da Igreja, através de seus Exercícios Espirituais e de sua defesa incansável da ortodoxia católica. Os jesuítas atuaram como confessores e conselheiros de reis e príncipes, influenciando decisões políticas e promovendo alianças católicas contra o avanço protestante.
As Confissões de Fé Protestantes: Respostas ao Concílio de Trento
Enquanto a Igreja Católica consolidava sua posição através do Concílio de Trento, os protestantes também se organizavam e definiam suas crenças através de confissões de fé. Três importantes documentos desse período foram:
- A Confissão Escocesa (1560): Redigida por John Knox e outros líderes da Reforma Escocesa, esta confissão tornou-se a base da Igreja Presbiteriana na Escócia. Ela articulava a doutrina reformada, incluindo a soberania de Deus, a autoridade das Escrituras e a justificação pela fé.
- O Catecismo de Heidelberg (1563): Criado no contexto da Reforma na Alemanha, este catecismo foi adotado por muitas igrejas reformadas e luteranas. Ele é conhecido por seu formato de perguntas e respostas, que ensina os princípios básicos da fé cristã de forma acessível e pastoral.
- A Segunda Confissão Helvética (1566): Escrita por Heinrich Bullinger, esta confissão foi uma das mais influentes entre as igrejas reformadas, especialmente na Suíça, Alemanha e Europa Oriental. Ela enfatizava a autoridade das Escrituras e a rejeição de práticas católicas como a veneração de santos e o culto às relíquias.
A Contrarreforma foi uma resposta multifacetada e robusta da Igreja Católica às mudanças provocadas pela Reforma Protestante. Ao mesmo tempo em que reafirmou dogmas centrais e combateu as heresias, a Igreja passou por uma auto-renovação que fortaleceu sua estrutura interna e a preparou para os desafios da era moderna. Através do Concílio de Trento, da Companhia de Jesus, da Inquisição e de outras iniciativas, a Igreja Católica não apenas resistiu ao avanço protestante, mas também se revitalizou, garantindo sua sobrevivência e influência nos séculos subsequentes.
11. Masssacres: Consequências da Contrarreforma

A história da Reforma está marcada por muitas memórias de sangue e de violência. Não foi instaurada apenas uma crise religiosa, mas foi instaurado, simultaneamente, um combate que derramou sangue. Se por um lado Lutero queria implantar a Reforma, por outro, a igreja romana responde com a Contrarreforma numa tentativa de conter as mudanças por seu antigo monge, já que o Protestantismo avançava na Europa. Dois dos ataques mais famosos são: “O saque de Roma” e “A noite de São Bartolomeu”. Com efeito durtante a história podemos refereir a outros “Saque de Roma’.
Um Período de Conflito e Transformação Religiosa
A Contrarreforma, movimento de reação da Igreja Católica à expansão do Protestantismo, não se limitou às reformas internas e à reafirmação doutrinária. Ela também desencadeou uma série de conflitos religiosos que resultaram em massacres e perseguições de grande escala, deixando um legado profundo na história da Europa e no desenvolvimento do cristianismo. Esses eventos foram tanto uma expressão das tensões religiosas da época quanto fatores que moldaram o futuro das relações entre católicos e protestantes.
O Massacre da Noite de São Bartolomeu (1572)
Um dos eventos mais emblemáticos e trágicos desse período foi o Massacre da Noite de São Bartolomeu, que ocorreu em 24 de agosto de 1572, em Paris, França. Este massacre é muitas vezes citado como o auge das Guerras de Religião na França, uma série de conflitos civis entre católicos e protestantes (huguenotes) que marcaram o país durante o século XVI.
O massacre foi precipitado pelo casamento entre Margarida de Valois, católica, e Henrique de Navarra, um líder protestante, que deveria simbolizar uma reconciliação entre os dois grupos. No entanto, o casamento foi seguido por uma tentativa de assassinato de Gaspard de Coligny, um dos principais líderes huguenotes, o que desencadeou uma reação violenta por parte dos católicos.
Naquela noite e nos dias seguintes, milhares de huguenotes foram assassinados em Paris, com a violência rapidamente se espalhando para outras regiões da França. As estimativas do número de mortos variam amplamente, mas podem chegar a 30.000 pessoas. O massacre não apenas arruinou qualquer esperança imediata de paz religiosa na França, mas também exacerbou as divisões entre católicos e protestantes em toda a Europa.
A Guerra dos Trinta Anos (1618-1648)
A Guerra dos Trinta Anos foi outro grande conflito religioso que resultou em massacres e devastação em grande escala. Inicialmente uma guerra entre estados protestantes e católicos dentro do Sacro Império Romano-Germânico, ela se expandiu para envolver quase todas as grandes potências europeias, tornando-se um dos conflitos mais destrutivos da história europeia.
As causas da guerra foram complexas, envolvendo rivalidades políticas, dinásticas e religiosas. No entanto, o estopim foi a Revolta da Boêmia em 1618, onde os protestantes se rebelaram contra o imperador católico Fernando II. A guerra rapidamente se tornou uma luta existencial entre catolicismo e protestantismo, resultando em massacres como o saque de Magdeburgo em 1631, onde mais de 20.000 civis foram mortos.
A guerra devastou grande parte da Europa Central, resultando na morte de cerca de oito milhões de pessoas, tanto em combate quanto por doenças e fome. O Tratado de Vestfália de 1648, que encerrou a guerra, teve profundas consequências, incluindo a confirmação da fragmentação religiosa da Europa, o reconhecimento da soberania dos estados em questões religiosas e o enfraquecimento do poder do Sacro Império Romano.
A Inquisição e a Perseguição Religiosa
A restauração e intensificação da Inquisição durante a Contrarreforma foram acompanhadas por uma nova onda de perseguições religiosas. A Inquisição, que tinha o objetivo de erradicar a heresia e preservar a pureza da fé católica, tornou-se um instrumento poderoso de repressão contra aqueles que eram considerados uma ameaça à ortodoxia.
Na Espanha, a Inquisição Espanhola, já ativa desde o final do século XV, continuou a perseguir protestantes, judeus conversos (marranos) e muçulmanos convertidos (mouriscos). Em outros lugares, como na Itália e nos Países Baixos Espanhóis, a Inquisição visava principalmente os protestantes. As penas variavam desde confisco de bens até a pena de morte na fogueira. Embora o número de execuções seja difícil de precisar, o clima de medo e censura foi amplamente disseminado, afetando a vida cultural e intelectual.
Os Efeitos a Longo Prazo da Contrarreforma e seus Conflitos
Os massacres e perseguições que marcaram a Contrarreforma tiveram consequências duradouras. Em termos religiosos, a divisão entre católicos e protestantes tornou-se mais acentuada, com cada grupo fortalecendo suas identidades e práticas em oposição ao outro. As regiões católicas, como a Itália, a Espanha e a maior parte da França, permaneceram firmemente sob a influência da Igreja Católica, enquanto grandes partes da Alemanha, Suíça, Países Baixos e Escandinávia se tornaram baluartes do Protestantismo.
Politicamente, a Contrarreforma contribuiu para o fortalecimento do absolutismo em estados católicos, onde a aliança entre o trono e o altar foi reforçada. Em países como a França e a Espanha, os monarcas usaram a religião como um meio de consolidar o poder e justificar a centralização do controle. Isso levou à subordinação da nobreza e de outras forças políticas aos interesses da monarquia e da Igreja.
Culturalmente, a Contrarreforma deu origem ao movimento Barroco, que se tornou a expressão artística e arquitetônica dominante nas regiões católicas. O Barroco, com seu estilo grandioso, emocional e dramático, foi usado para expressar a glória e a autoridade da Igreja, ao mesmo tempo em que atraía os fiéis por meio de sua beleza e esplendor.
Por outro lado, a Reforma Protestante e as subsequentes guerras religiosas também levaram ao surgimento do Iluminismo no século XVIII, à medida que filósofos e pensadores começaram a questionar a autoridade religiosa e buscaram alternativas baseadas na razão e na ciência. A crescente secularização da sociedade europeia pode ser vista, em parte, como uma reação às brutalidades e intolerâncias religiosas da era da Contrarreforma.
O Saque de Roma (1527)
Carlos V com seu exército lança sua ira contra os católicos destruindo as relíquias. Conta-se que a cabeça de João Batista transformou-se em bola de futebol e a lança que perfurou o torso de Cristo foi exibida como troféu de guerra. Afirma GIÁCOMO: “Apesar de Martinho Lutero ser pessoalmente contra o conflito, alguns que se consideravam seguidores do movimento protestante de Lutero enxergavam, por motivos religiosos, a capital papal como um alvo”.
Concluindo
Os massacres e perseguições da Contrarreforma, exemplificados por eventos como o Massacre da Noite de São Bartolomeu e a Guerra dos Trinta Anos, marcaram uma era de violência e divisão que teve repercussões profundas na história europeia. Esses eventos não apenas consolidaram as divisões religiosas, mas também influenciaram a evolução política, cultural e intelectual da Europa, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade que, em última análise, começaria a buscar novas formas de coexistência e entendimento além das fronteiras religiosas tradicionais.
12. Século XVII e XVIII
Um século de expansão do Cristianismo Protestante, mas também de fragmentação do Protestantismo original. Foi também um século de despontamento das ciências experimentais que pretendiam provar os fenômenos naturais. Não era a intenção romper com a fé, pois a Teologia se utilizava dela. Foi possível verificar a humanidade no campo científico e foi neste contexto que os filósofos empiristas queriam provas de que a natureza está em constante movimento, causando também impacto sobre a Teologia.
Podemos destacar como exemplo Galileu, sendo cristão, nos primeiros anos de pesquisa num processo árduo as pesquisas sobre a natureza fez da Astronomia a ciência experimental em busca das verdades sobre o Universo e para isso se apoiou na Teoria de Nicolau Copérnico selando para sempre a ruptura com a Igreja sendo levando a excomunhão. O motivo da condenação? A defesa do Heliocentrismo[6] e a comprovação científica do equívoco do Geocentrismo[7], que se fundamentava em ensinamentos do relato da Bíblia sobre a criação. Galileu foi condenado em 1633. Muitos outros filósofos e cientistas e defensores da filosofia natural experimental tiveram o século XVII como cenário. Também foram influenciados por Francis Bacon e Thomas Hobbes. Entre eles John Locke, o defensor ferrenho do empirismo britânico e criador do liberalismo. Galileu Galilei, René Descartes, Francesco Redi , Giordano Bruno, Nicolau Copérnico, Johannes Kepler, Isaac Newton, Robert Boyle, David Harvey, Richard Lower, Francis Bacon, Louis Pasteur marcaram a Revolução Científica que começa no século VII, explode no século XVII e continua no século XVIII. Com eles não aconteceu somente uma revolução científica, mas também uma evolução teológica, pois as explicações de ordem empírica divina foram influenciadas pelas explicações de ordem empírica-racional científica.
O Método experimental, que instala a “Revolução Científica” faz surgir o racionalismo[8] e o empirismo[9] que anunciam novos paradigmas de conhecimento dos fenômenos. Dessa forma, a Teologia é envolvida, pois todos eles, de alguma forma, apresentaram elementos novos, alguns inclusive, buscando nas bases do Cristianismo o respaldo para suas pesquisas. A Filosofia natural nasceu, cresceu e fecundou-se nas bases do Cristianismo, época onde fé e razão conviviam naturalmente.
Expansão do cristianismo protestante e os movimentos de avivamento
O século XVII também marcou a expansão do Cristianismo Protestante, mas também de fragmentação do Protestantismo original promovido por Lutero com a Reforma. Um exemplo dessa fragmentação é o surgimento do Movimento Pietismo, que no final do Século XVII promove o resgate ao Luteranismo Ordoxo que foi deixado de lado. Philip Jacob Spener (1635-1705), Teólogo Luterano, foi o criador deste movimento que inclusive influenciou outros teólogos. A preocupação com os ensinamentos originais do Protestantismo e a valorização das experiências individuais dos fiéis. Em 1675, foi publicado o “Pia Desideria” ou Desejos Pios. Trata-se de uma Coletânea de Sermões que se tornou um grande manual manifesto para o resgate dos princípios do Protestantismo.
O título deu origem ao termo “Pietistas” e tornou-se um manifesto para a renovação da Igreja. Nesta publicação fez seis propostas como o melhor meio de restaurar a vida da Igreja: Estudo profundo da bíblia; leigos participando do governo da Igreja; a prática deve levar ao conhecimento do Cristianismo; não atacar os incrédulos e heterodoxos, mas ser simpático e gentil com eles; reorganização da formação teológica das universidades; maior destaque à vida devocional; estilo diferente de pregação com retórica agradável; a implantação do cristianismo, no interior ou novo homem, que é a alma da fé, devendo trazer frutos para a vida. O Pietismo buscou ser uma experiência do crente com Deus, reconhecendo o pecado e a busca da Salvação. Para seguir este caminho, a conversão individual seria a condição para nascer uma nova conduta no crente levando-o ao desapego do mundo material e o apoio mútuo da comunidade reunida em culto ao redor do estudo da Bíblia. Além do Pietismo, aconteceu no Século XVII a Revolução Puritana. O movimento ficou conhecido como Puritanismo e surgiu na Inglaterra. Dessa vez, os Calvinistas queriam purificar a Igreja Anglicana. Um dos seus líderes do movimento Puritano, John Robinson queria levar à Igreja de volta ao molde primitivo dos apóstolos. Além de querer purificar o Anglicanismo da influência Litúrgica do Catolicismo também queriam retomar as origens do protestantismo que o Luteranismo já havia perdido ao longo dos tempos.
Em 1640, aconteceu a Assembleia de Westminster, que foi um Concílio para reestruturar o Anglicanismo e aconteceu na Abadia de Westminster, templo anglicano de Londres, foi convocada pelo parlamento da Inglaterra em 1643 e conseguiu reduzir os poderes do Rei Carlos I, que queria impor o anglicanismo aos puritanos e aos presbiterianos escoceses. Foi a mais importante assembleia protestante de todos os tempos.
O Concílio perdurou por cinco anos, pois foi preciso chegar a um acordo entre os que queriam uma Reforma fundamentada nos Princípios Presbiterianos, os que queriam pelos princípios Congregacionais e os que queriam pelos princípios Episcopais. Os resultados do Concílio foram estabelecidos pelos “Padrões Presbiterianos”, sendo elaborados: • Diretório do Culto Público: (1644) substituindo o Livro de Oração Comum; • Saltério (1645): uma versão métrica dos Salmos para uso no culto; • Forma de Governo Eclesiástico: (1644), mas provada 1648: os Padrões Presbiterianos substituem os Episcopais; • Confissão de Fé: concluída em dezembro de 1646 e sancionada pelo parlamento em março de 1648; • Catecismo Maior e Breve Catecismo: (1647) e aprovados pelo parlamento em março de 1648.
Os movimentos de Avivamento do Protestantismo do Século XVII, continuam no século seguinte. Outros movimentos renovadores do Protestantismo surgiram e entre eles o Metodismo que com seu líder John Wesley organizou, em 1739, fundou a Igreja Metodista que passou a rejeitar princípios do Luteranismo e outros que continuaram discernindo os ideias de Lutero.
Século XVIII

Refletir sobre o Cristianismo no século XVIII é, necessariamente, refletir à resistência a ele. Resistência advinda da razão ateísta do iluminismo se tornou um século de proposta da “época sem Cristianismo”. Foram muitas e complexas consequências para a história para os que escolheram defender o Cristianismo. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na Inconfidência Mineira, ocorrida no Brasil.
O desejo dos Filósofos Iluminista foi o de “iluminar as trevas”, porque identificam todo o pensamento anterior ao seu movimento como “equivocado pelo obscurantismo do pensamento religioso”. Por isso o século XVIII ficou conhecido como o Século das Luzes. Foi o apogeu da Razão combatendo o Teocentrismo[10] da Idade Média. Para os Iluministas caberia a razão e somente a ela, responder as indagações humanas. Qualquer outra concepção, inclusive as advindas da Teologia, atrapalhavam o desenvolvimento da humanidade. Para isso, o Iluminismo coloca o “Homem como Centro do Universo” e arranca a Fé. É célebre a frase atribuída ao Iluminista Voltaire: “O mundo apenas estará verdadeiramente livre quando o último rei for enforcado com as tripas do último padre”. Não há dúvidas acerca do ataque não somente contra o Absolutismo, mas também contra a Fé. Voltaire, foi um dos mais agressivos ao atacar o pensamento teocêntrico por meio de sua opção pelo “Deísmo”[11], que reconhece a existência de Deus, mas que este apenas está presente na natureza e que somente o homem, pela razão, tem capacidade de dominar o mundo. Somente pela razão o homem chega à sabedoria e à verdade. A religião também deve ser propagadora da razão. Pensando dessa forma, tornou-se o mais ferrenho divulgador das ideias liberais do Iluminismo e para isso combateu a Igreja, a fé e a Teologia. O Iluminismo se manifestou de forma radical, na França, que passava por uma grande crise política que inflamava o povo contra o Rei Luiz XVI. Unidos aos ideais do Iluminismo não tardou para acontecer a Revolução Francesa que teve como lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Em setembro de 1792 a Revolução Francesa é proclamada, no ano seguinte o Rei Luiz XVI é executado. A Revolução perdura até o ano de 1799.
Entre as consequências do iluminismo para o Cristianismo também se situa a ruptura entre Razão e Fé. Até então, ambas caminhavam em sintonia, numa simbiose perfeita, não existindo uma sem a outra. A separação entre mente e coração, entre razão e emoção. Uma nova religião é fundada: o Deísmo. Essa era a Religião de Voltaire. Uma religião fundamentada no racionalismo que pregava que Deus arquitetou todas as coisas, mas se retirou, deixando nas mãos do homem o poder como senhor da criação. O homem resolve tudo, não há necessidade de Deus. Deísmo afirma que a única capaz de assegurar a existência de Deus é a razão. Para isso, não é necessária nenhuma religião, pois o racionalismo é única fonte de conhecimento.

O Iluminismo contou com várias características, dentre as quais podemos destacar:
• Fé na razão: é a via e a norma única e absoluta da verdade. É o caminho a seguir, para que os caminhos sejam deduzidos com base na experiência. A proposta Iluminista é de uma Religião natural-racional que não se fundamente na revelação Divina, mas na manifestação natural da divindade, ou seja, um deus criado pela razão humana; • Fé e confiança somente na natureza humana: o homem em si é bom, não é corrompido pelo pecado e não tem necessidade de uma redenção que venha do alto para salvá-lo.
Para atingir a plena felicidade, o homem precisa cuidar-se sozinho de si mesmo. Dessa forma ele descobre a verdade e segue aquilo que é do bem. Ele pode curar-se sozinho, por isso não precisa de Deus ou de qualquer outra transcendência. A verdade está nele e somente nele;
• Desprezo pelo passado: o passado é compreendido como “idade das trevas”, por isso exaltavam o presente e o futuro como a “era das luzes”, pois o passado estava impregnado do conhecimento e intervenção divina;
• Otimismo: a nova fase da história humana que, pela razão, todas as decisões seriam acertadas. Todas as escolhas humanas passariam a ser boas sendo guiadas pela capacidade racional.
É preciso lembrar que o mundo atual está fundamentado nas colunas do Iluminismo. Muitas são as vertentes que fazem os princípios iluministas serem reinaugurados cotidianamente na sociedade contemporânea: • a primazia da razão, • a laicidade e o • ateísmo formam o tripé iluminista embalado pelo “sopro” comunista que combate a Religião.
13. Da Razão Ateísta às Teologias Contemporâneas
A jornada até aqui tem sido de muitas descobertas! A História do Cristianismo foi construída com muitas tensões e resistências. Que tal fazer uma pausa reflexiva, um momento de silêncio para pensar (refletir/rezar/orar) em todos aqueles que tiveram coragem de professar publicamente a fé Cristã e que por isso foram perseguidos, torturados e mortos?
Compreender a resistência Cristã contra a proposta da “época sem Cristianismo” advinda da razão ateísta do iluminismo e as complexas consequências para a história posterior do Cristianismo e ainda os desafios atuais que se contrapõem ao Cristianismo em um mundo de divisões, intolerância e falta de Paz.
A partir do final do século XVII tem início uma “crise da consciência européia”. Pierre Bayle (Pensamento sobre o cometa, 1682, Dicionário Histórico e Crítico, 1695-1697), é uma das primeiras testemunhas dessa crise. No século XVIII, uma grande quantidade de escritores assume destaque: Voltaire, Diderot, d´Alembert… Educados no cristianismo esses “filósofos” desejam julgar todas as coisas com as “luzes” da razão, que se opõem às obscuridades da revelação. Guarda-se dessa filosofia das Luzes – em alemão Aufklärung – seu aspecto de máquina de guerra anticristã. Sem negar tal coisa, é necessário dizer que esse ideal da razão corresponde também a uma distinção dos domínios. A ciência adquire sua própria linguagem e se afasta da metafísica. COMBY (1994, p. 81-82). A Resistência advinda da razão ateísta do iluminismo se tronou um século de proposta da “época sem Cristianismo”, em complexas consequências para a história para os que escolheram defender o Cristianismo. Foi o apogeu da Razão, combatendo o Teocentrismo herdado da Idade Média. Para os Iluministas caberia à razão e somente a ela, responder as indagações humanas. Qualquer outra concepção, inclusive as advindas da Teologia, atrapalhavam o desenvolvimento da humanidade. Para isso, o Iluminismo coloca o “Homem como Centro do Universo” e arranca a Fé. Na religião: toda religião positiva, toda revelação, todo dogma, enfim, toda instituição que se posicionasse entre Deus e o homem era refutada. Salva-se uma religião natural, reduzida a um vago deísmo, no qual a essência divina permanecia desconhecida e era negada toda intervenção divina no mundo, e no qual se sublinhava o aspecto ético da religião. Tendências se convergiram para o que conhecemos como Iluminismo. Duas dessas tendências, no entanto, contribuíram definitivamente para a instauração do iluminismo: O Racionalismo e o Empirismo.
— Empirismo: negava toda diferença substancial entre o conhecimento sensível e o inteligível, pondo nos sentidos a única fonte do conhecimento, colocando à parte as ideias inatas, bem como exaltando e promovendo o método experimental.
— Racionalismo: atribuiu um valor absoluto ao conhecimento racional, que se desenvolveu de modo independente dos sentidos, admitindo como único critério de verdade a razão, que possui em si mesma os princípios de todo conhecimento.
Liberalismo Teológico

Liberalismo é algo que vem com as forças das ideias. O século XIX, trouxe para o mundo ocidental um novo modo de encarar a política, a economia, a religião, a sociedade etc. Após a Revolução Francesa, na questão política e na relação entre Estado e Igreja, foi forte a questão do Liberalismo. Segundo ZAGHENI (1999, p. 87-88). Podemos citar cinco livros que fortalecem a ideologia do liberalismo: •Sobre a Religião de Friedrich Schleiermacher (1799); •A origem das espécies de Charles Darwin (1859); •Ensaios e Críticas (por 7 clérigos da igreja anglicana) (1860); •A doutrina Cristã da Justificação e Reconcliliação de Albert Ritschi (1874); •O que é Cristianismo? de Adolfo Harnack (1900).
O Liberalismo no Século XIX e a Influência de Charles Darwin
O século XIX foi um período de grandes transformações no mundo ocidental, marcado pela ascensão de novas ideias que influenciaram profundamente a política, a economia, a religião e a sociedade. Um dos movimentos ideológicos mais impactantes dessa época foi o Liberalismo, que trouxe uma nova forma de encarar as relações humanas e as estruturas sociais. Após a Revolução Francesa, o Liberalismo tornou-se uma força poderosa, especialmente na relação entre o Estado e a Igreja, promovendo a separação das esferas política e religiosa e desafiando as tradições estabelecidas.
A Ascensão do Liberalismo
O Liberalismo, em sua essência, defendia a liberdade individual, o racionalismo e a busca por progresso e modernidade. Em termos políticos, isso se traduziu em uma crescente demanda por direitos civis, governo representativo e liberdade de expressão. No campo econômico, o Liberalismo favorecia o livre mercado, a propriedade privada e a redução da intervenção estatal. No entanto, suas implicações foram sentidas em todas as esferas da vida, incluindo a religião, onde ideias liberais começaram a questionar e reinterpretar doutrinas tradicionais.

Influências Intelectuais do Liberalismo
Diversas obras literárias e filosóficas fortaleceram a ideologia liberal ao longo do século XIX. Algumas das mais influentes incluem:
- “Sobre a Religião” (1799) de Friedrich Schleiermacher: Considerado o pai do Liberalismo Teológico, Schleiermacher enfatizou a experiência religiosa individual e subjetiva, argumentando que a religião era uma questão de sentimento interior, mais do que de doutrina ou dogma.
- “A Origem das Espécies” (1859) de Charles Darwin: A obra de Darwin revolucionou a biologia e teve um impacto profundo na visão de mundo ocidental. Ao introduzir a teoria da evolução por seleção natural, Darwin desafiou as explicações teológicas tradicionais sobre a criação do homem e do mundo, criando uma ruptura entre ciência e religião.
- “Ensaios e Críticas” (1860): Escrito por sete clérigos da Igreja Anglicana, esta obra representa uma tentativa de reconciliar a fé cristã com os avanços da ciência e da crítica bíblica, refletindo o espírito liberal que permeava a teologia da época.
- “A Doutrina Cristã da Justificação e Reconciliação” (1874) de Albrecht Ritschl: Ritschl foi um teólogo alemão que procurou reinterpretar as doutrinas cristãs à luz das ideias liberais, enfatizando a dimensão ética e social do Cristianismo sobre os aspectos dogmáticos.
- “O que é Cristianismo?” (1900) de Adolf Harnack: Harnack, outro teólogo influente, argumentou que o Cristianismo deveria ser compreendido como uma religião de amor e moralidade, livre das adições dogmáticas e rituais que se acumularam ao longo dos séculos.
Charles Darwin e o Liberalismo Teológico
Charles Darwin, um naturalista britânico, é uma das figuras centrais na narrativa do Liberalismo do século XIX, especialmente no que diz respeito ao impacto de suas ideias sobre a religião e a teologia. Sua obra seminal, “A Origem das Espécies” (1859), introduziu a teoria da evolução por seleção natural, que afirma que todas as espécies de seres vivos, incluindo o ser humano, evoluíram a partir de ancestrais comuns através de mutações graduais e seleção natural, onde apenas os mais aptos sobrevivem.
A teoria de Darwin não apenas revolucionou a biologia, mas também teve profundas implicações para a teologia cristã. Antes de Darwin, a visão dominante no Ocidente era a do Criacionismo, que sustentava que todas as espécies foram criadas por Deus em sua forma atual, como descrito no relato bíblico da criação. A introdução do evolucionismo desafiou diretamente essa visão, propondo um processo natural e não direcionado para a origem das espécies, incluindo o ser humano.
Esse confronto entre o Evolucionismo e o Criacionismo representou um divisor de águas na teologia, levando ao desenvolvimento do Liberalismo Teológico. Esse movimento teológico buscou reinterpretar as doutrinas cristãs à luz das novas descobertas científicas e do pensamento crítico moderno. Teólogos liberais começaram a ver a Bíblia não como um registro literal e inerrante dos eventos históricos, mas como uma coleção de textos simbólicos e alegóricos, que poderiam ser harmonizados com a ciência moderna.
Consequências do Liberalismo e do Darwinismo
O impacto do Liberalismo, reforçado pelas ideias de Darwin, foi vasto e duradouro. Na política, contribuiu para o surgimento de estados laicos e para a separação entre Igreja e Estado, diminuindo a influência direta da religião sobre as decisões governamentais. Na economia, promoveu o capitalismo de livre mercado e a industrialização, que transformaram a sociedade ocidental.

No campo religioso, o Liberalismo Teológico enfraqueceu o poder das autoridades eclesiásticas tradicionais, ao mesmo tempo em que incentivou uma visão mais crítica e individualizada da fé. Esse período também marcou o início de um longo processo de secularização, onde a religião começou a perder sua posição central na vida pública e nas instituições. Por outro lado, a teoria da evolução de Darwin continua a ser um dos paradigmas centrais da biologia moderna e permanece um tema controverso em debates sobre ciência e religião. A tensão entre evolucionismo e criacionismo persiste, especialmente em contextos onde as interpretações religiosas da Bíblia são mantidas com rigor.
Conclusão
O século XIX foi uma era de mudança radical, com o Liberalismo emergindo como uma força que remodelou quase todos os aspectos da vida ocidental. A influência de Charles Darwin e sua teoria da evolução exemplifica o poder transformador das ideias liberais, desafiando concepções tradicionais e abrindo caminho para novas formas de pensar sobre o mundo natural, a humanidade e a própria religião. O Liberalismo, em todas as suas formas, deixou um legado que ainda ressoa nas sociedades contemporâneas, continuando a moldar a maneira como entendemos nossa existência e nosso lugar no universo.
14. Século XX
Muitos foram os eventos que marcaram o Cristianismo no século XX e entre eles, a fundação de muitas Igrejas Cristãs Protestantes.

Em 1910, a Conferência de missões, em Edimburgo, apresentou a preocupação dos Cristãos Protestantes com a expansão da Evangelização para a América Latina. A Conferência aconteceu em um congresso missionário que reuniu missionários, líderes de agências e outros obreiros cristãos de países da Europa e da América do Norte. 100 anos depois, também em Edimburgo, aconteceu em 2010, outra conferência em comemoração ao centenário, mas também de novas perspectivas.
A partir de 1900, o protestantismo se espalhou pela África, Ásia, Oceania e América Latina, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando a África deixou de ser colônia e conquistou liberdade de expressão. Em 1910, enquanto a maioria dos Protestantes era encontrada nos Estados Unidos. Principais ramificações do Protestantismo se estabeleceram na América do Sul no século XIX:
• Os Luteranos: fundaram a primeira congregação no Brasil, em 1824;
• Os presbiterianos: se instalaram na Argentina, em 1836, no Brasil, em 1859, no México, em 1872, e na Guatemala, em 1882; • Os metodistas: México, 1871, Brasil, 1886, Antilhas, 1890, Costa Rica, Panamá e Bolívia, nos últimos anos do século;
• Os Batistas e os Pentecostais e uma parte dos metodistas: se estabeleceram no Equador, Colômbia e Peru.
Entre os Protestantes norte-americanos, o avivalismo (avivamento) tornou-se um fenômeno bastante generalizado. Prática que se expandiu por todo o mundo com o objetivo de resgatar as origens da Reforma. Esse interesse resultou em uma curiosa instituição, que perdurou até as primeiras décadas do século XX – o acampamento avivalístico (“camp meeting”). Tratava-se de grandes concentrações em zonas rurais, por vezes bastante confusas, em que centenas de pessoas, inclusive famílias inteiras, hospedavam-se em tendas e ouviam por vários dias uma série de pregadores avivalistas. Essas reuniões foram precursoras das grandes concentrações evangelísticas realizadas desde o final do século XIX até os nossos dias, sob a liderança de homens como Dwight L. Moody, Billy Sunday e Billy Graham. (MATOS Alderi. 2005. P.132)
Além do notável crescimento das igrejas Protestantes por todo o mundo, outros avivamentos ocorreram, todos deixaram um dos frutos valiosos e duradouros fazendo surgir um grande número de movimentos de natureza religiosa e social, as “sociedades voluntárias”. Essas organizações estavam voltadas para causas como educação religiosa, abolicionismo, temperança, distribuição das Escrituras e, acima de tudo, missões nacionais e estrangeiras. Alguns exemplos marcantes, por ordem cronológica de fundação, são os seguintes: Junta Americana de Missões Estrangeiras (1810), Sociedade Bíblica Americana (1816), União Americana de Escolas Dominicais (1824), Sociedade Americana de Tratados (1825), Sociedade Americana de Educação (1826), Sociedade Americana para a Promoção da Temperança (1826) e Sociedade Americana de Missões Nacionais (1826). O Segundo Grande Despertamento contribuiu decisivamente para o movimento missionário do século XIX, que levou a mensagem evangélica e instituições evangélicas (igrejas, escolas, hospitais) a todas as regiões da terra, inclusive o Brasil. (MATOS Alderi. 2005. p.132)
O Século XX e a Fundação de Novas Igrejas Cristãs Protestantes: Um Período de Transformação e Expansão
O século XX foi um período de profundas transformações para o Cristianismo, caracterizado por eventos que remodelaram a paisagem religiosa mundial. Entre os desenvolvimentos mais significativos, destaca-se a fundação de muitas igrejas cristãs protestantes, que emergiram em resposta às mudanças sociais, culturais e teológicas dessa época. Esse fenômeno foi impulsionado por uma variedade de fatores, incluindo o surgimento de novos movimentos religiosos, a globalização e a busca por uma expressão mais contextualizada da fé cristã.
O Crescimento do Protestantismo e a Diversificação das Igrejas
O Protestantismo, que já havia se estabelecido como uma das principais vertentes do Cristianismo desde a Reforma no século XVI, experimentou uma diversificação sem precedentes no século XX. Esse período viu o surgimento de inúmeras denominações e igrejas independentes, cada uma com suas próprias ênfases teológicas, práticas litúrgicas e estruturas organizacionais.
Este processo de diversificação foi particularmente evidente nos Estados Unidos, onde o ambiente de liberdade religiosa permitiu o florescimento de novas igrejas e movimentos. Denominações como os Pentecostais, os Batistas do Sul, e as Igrejas de Cristo, entre muitas outras, cresceram significativamente, tanto em número de membros quanto em influência cultural e política.
O Movimento Pentecostal e Carismático
Um dos fenômenos mais importantes do século XX foi o surgimento do Movimento Pentecostal, que começou no início do século com o Avivamento da Rua Azusa em 1906, em Los Angeles, Califórnia. Liderado por William J. Seymour, este avivamento foi marcado por manifestações do Espírito Santo, como falar em línguas (glossolalia), curas milagrosas e profecias, que passaram a ser características distintivas das igrejas pentecostais.
O Movimento Pentecostal rapidamente se espalhou pelos Estados Unidos e, posteriormente, pelo mundo, dando origem a grandes denominações como as Assembleias de Deus, a Igreja de Deus em Cristo e a Igreja do Evangelho Quadrangular. Além disso, o movimento inspirou o desenvolvimento do Movimento Carismático nas décadas de 1960 e 1970, que trouxe práticas pentecostais para dentro de igrejas históricas, como as católicas e anglicanas.
O Crescimento das Igrejas Neo-Pentecostais
Na segunda metade do século XX, especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980, o cenário religioso global viu o surgimento das Igrejas Neo-Pentecostais. Essas igrejas, muitas vezes caracterizadas por uma ênfase na teologia da prosperidade, na batalha espiritual e no poder do Espírito Santo para realizar milagres, conquistaram milhões de seguidores, particularmente na América Latina, África e Ásia.
No Brasil, por exemplo, igrejas como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus tornaram-se grandes movimentos religiosos com alcance nacional e internacional. Essas igrejas diferem das pentecostais tradicionais em vários aspectos, incluindo a adoção de métodos modernos de comunicação e a criação de redes midiáticas próprias, além de uma forte ênfase na prosperidade financeira como sinal da bênção divina.
O Ecumenismo e o Diálogo Interdenominacional

O século XX também foi marcado pelo crescimento do movimento ecumênico, que buscou promover a unidade entre as diversas denominações cristãs. A fundação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em 1948 foi um marco importante, reunindo igrejas de várias tradições protestantes, ortodoxas e, eventualmente, algumas igrejas católicas e evangélicas.
Este movimento foi impulsionado pela percepção de que o testemunho cristão no mundo seria mais eficaz se as igrejas trabalhassem juntas, em vez de se manterem divididas por questões doutrinárias e históricas. O ecumenismo trouxe à tona um diálogo mais profundo entre diferentes tradições cristãs, promovendo a cooperação em áreas como missões, justiça social e direitos humanos.
A Expansão Global do Protestantismo
Outro aspecto crucial do século XX foi a globalização do Protestantismo. Missionários protestantes, especialmente daqueles originários dos Estados Unidos e da Europa, desempenharam um papel significativo na disseminação do Cristianismo em todo o mundo, estabelecendo igrejas em regiões onde o Cristianismo anteriormente tinha pouca ou nenhuma presença.
Na África e na Ásia, o Protestantismo cresceu exponencialmente, muitas vezes adaptando-se às culturas locais e desenvolvendo formas de culto que combinam tradições cristãs com práticas indígenas. Este processo de inculturação foi fundamental para o sucesso do Protestantismo em contextos não ocidentais, permitindo que ele se enraizasse de maneira significativa em sociedades tão diversas quanto as da Coreia do Sul, Nigéria e Brasil.
O Impacto das Novas Igrejas no Cristianismo Global

A fundação de novas igrejas cristãs protestantes no século XX teve um impacto duradouro no Cristianismo global. Essas igrejas, com suas diversas teologias e práticas, contribuíram para a crescente pluralidade dentro do Cristianismo, desafiando as denominações tradicionais e oferecendo novas formas de expressar a fé cristã.
Além disso, o crescimento dessas igrejas refletiu e, ao mesmo tempo, respondeu às mudanças sociais e culturais do século XX. Em um mundo marcado por urbanização acelerada, avanços tecnológicos e mudanças nos valores sociais, essas novas igrejas muitas vezes abordaram questões contemporâneas de maneira que ressoava com as experiências e aspirações das pessoas.
Conclusão
O século XX foi um período de intensa atividade e transformação para o Cristianismo, especialmente no que diz respeito à fundação de novas igrejas protestantes. Movimentos como o Pentecostalismo e o Neo-Pentecostalismo, bem como o ecumenismo e a globalização do Protestantismo, redefiniram a paisagem religiosa global. Essas igrejas não apenas cresceram em número, mas também em influência, moldando o Cristianismo de maneiras que continuam a ser sentidas no século XXI. O legado dessas transformações é um Cristianismo cada vez mais diversificado e dinâmico, capaz de se adaptar às mudanças contínuas do mundo moderno.
Alguns fatos do Cristianismo no século XX que não podem ser esquecidos
— 1916: Foi organizado o Primeiro Congresso Protestante Panamericano e como resultado constituiu o Comitê de Colaboração na América Latina (CCLA) para direcionar as ações missionárias na região.
— 1920: Surgem vários movimentos fundamentalistas Cristãos (Católicos e Protestantes) que uniu igrejas conservadoras de toda a américa.
— 1921: Transmissão do primeiro programa radiofônico cristão. Transmissão de cultos pela primeira Emissora Protestantes, a KDKA.
— 1945: Executado por Hitler – Dietrich Bonhoeffer, teólogo, Pastor Luterano, membro da resistência alemã anti-nazista e membro fundador da Igreja Confessante, ala da igreja evangélica contrária à política nazista.
— 1948, em Amsterdã, acontece a criação do Conselho Mundial de Igrejas. Seu lema saiu das sombras da guerra: “A desordem do homem e o projeto de Deus”. Compareceram representantes de 44 países.
— A dura década de 40: o Regime Comunista persegue o Cristianismo (Em 1945, as forças russas ocupavam o leste europeu, onde permaneceriam por quase meio século. Naquela vasta extensão do território ocupado, a maior parte das Igrejas Cristãs foi transformada em instituições menores. Os prédios de quase todas as escolas e de muitos templos foram fechados, perdendo o tradicional papel nas grandiosas cerimônias públicas).
— 1960: Surge a Renovação Carismática em igrejas tradicionais Protestantes e na Igreja Católica
— 1963: Martin Luther king lidera marcha a Washington. ) 1963: Martin Luther king lidera marcha a Washington).
— 1979: a revolução na Nicarágua alimentada pelos marxistas e liberalistas nicaraguenses instituíram um credo radical.
A cruz é o principal símbolo do cristianismo e o peixe um dos mais antigos.
O Cristianismo continua sua história pelo mundo e ainda encontra muitas resistências e perseguições. Ser cristão é uma escolha radical. Além disso, em um mundo de pluralismo religioso, no exercício da missão cristã não podemos nos envolver com nenhuma prática, em nome da fé, que fi ra a dignidade dos irmãos de Religiões e Credos diferentes. Cumprir o mandato Cristão exige seguir princípios básicos que nos colocam na sintonia do que espera, Jesus, de nós. Nossa primeira ação missionária é saber conviver com as diferenças religiosas. Não podemos repetir, em nossas escolhas, a ideia de atacar o outro através de sua Religião. A história da humanidade está cheia de exemplos de povos que foram dominados e obrigados a não professarem sua fé. As perseguições religiosas deixaram máculas que parecem incuráveis. Vidas foram ceifadas, povos extintos, pessoas oprimidas e silenciadas no seu tempo e espaço e na história. Não nos parece sábio e mais do que isso, cristão, reproduzir essas atrocidades.
Não faz sentido, pela essência Cristã, haver qualquer tipo de agressão ao irmão que professam diferentes religiões. Nossa fé deve nos levar ao respeito e não ao ataque à escolha religiosa do outro. “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas”. (Mt 7,12).
Bibliografia
BOGAZ, Antonio Sagrado. 2014. P. 22)
GONZALEZ, Justo L. São Paulo: 2004, p. 274)
BONI, 2000, p. 229-230)
GIÁCOMO Martina (1997.p 62):
COMBY (1994, p. 81-82)
MATOS Alderi. 2005. P.132)
Anexo
Afirma Eusébio
[…] tomando como exemplo o reino dos céus, dirige os assuntos terrenos com o olhar voltado para o alto […]. Ele se fortalece em seu modelo de governo monárquico, que o governante de todos deu a um só homem, dentre todos na Terra. Pois esta é a lei da autoridade real, a lei que decreta que um governe todos. A monarquia sobrepuja todos os outros tipos de constituição e governo, pois principalmente anarquia e guerra civil são o resultado da alternativa, uma poliarquia baseada na igualdade. Por essa razão, há apenas um Deus, não dois ou três ou mais. Pois, estritamente falando, a crença em muitos deuses é ímpia. Existem apenas um soberano, Seu Logos e a lei real.
Didaché
Este texto, fundamental para a história da liturgia, da disciplina eclesiástica, da moral e da doutrina cristã, foi descoberto em 1863 em Constantinopla, dentro de um código de 1056. Os materiais que o compõem provavelmente datam do mesmo período em que foram escritos os sinóticos, embora o texto atual seja certamente redacional, mas não para além do séc. I, e a área da composição terá sido a Síria. O que é a Didaché? Didaché, significa “doutrina” e no texto descoberto em Constantinopla a obra tem dois títulos, talvez adicionados por algum copista: “Doutrina dos doze apóstolos” e “Doutrina do Senhor às nações por meio dos doze apóstolos”. É “uma espécie de regra para a comunidade cristã” (LONGOBARDO, 2007, p.145).
Concílios gerais ocorridos na história
“Nicéia – 352 d.C. – Convocado por Constantino. Condenou o Arianismo.
“Constantinopla – 381 d.C. – Convocado para deliberar sobre o apolinarismo.
“Éfeso – 431 d.C. – Convocado para dar fim à controvérsia nestoriana.
“Calcedônia – 451 d.C. – Convocado para resolver a controvérsia eutiquiana.
“Constantinopla – 553 d.C. – para acabar com a controvérsia dos monofistas.
“Nicéia – 787 d.C. – Sancionou o culto das imagens.
“Constantinopla – 869 d.C. – Cisma final entre o Oriente e o Ocidente. Este foi o último concílio ecumênico. Os posteriores foram apenas romanos.
“Roma – 1123 d.C. – Decidiu que os bispos seriam nomeados pelos papas.
“Roma – 1139 d.C. – Esforços para remediar o cisma entre o Oriente e o Ocidente.
“Roma – 1179 d.C. – Para fazer vigorar a disciplina eclesiástica.
“Roma – 1215 d.C. – Para cumprir as ordens de Inocêncio III.
“Lião – 1274 d.C. – Novo esforço para unir o Oriente e o Ocidente.
“Lião – 1245 d.C. – Para resolver a contenda entre o papa e o imperador.
“Viena – 1311 d.C. – Suprimir os templários.
“Constança – 1414-18 d.C. – Para remediar o cisma papal. Queimou Huss.
“Brasiléia – 1431-49 d.C. – Para reformar a igreja.
“Roma – 1512-18 d.C. – Outro esforço pró-reforma.
“Trento – 1545-63 d.C. – Para neutralizar a Reforma Protestante.
“Vaticano – 1869-70 d.C. – Declarou a infalibilidade do papa.
“Vaticano – Outubro 1963 d.C. – Dezembro 1965 d.C. Para reformar a igreja. O maior de todos.
[1] […] um sistema de relações entre Estado e Igreja em que o chefe do Estado, julgando caber-lhe a competência de regular a doutrina, a disciplina e organização da Societas fidelium, exerce poderes tradicionalmente reservados à suprema autoridade religiosa
[2] Doutrina religiosa propagada por Maniqueu (Mani ou Manes) que, na Pérsia, durante o século III, concebia o mundo como uma fusão dualista do espírito e da matéria, o bem e o mal.
[3] Doutrina cujos preceitos afirmam que o espírito humano não possui capacidade para alcançar a certeza sobre a verdade, por isso, o ser vive em constante dúvida ou renúncia, causada por uma incapacidade intrínseca de compreensão metafísica.
[4] Escolástica, escolasticismo ou Filosofia Escolástica, é um método ocidental de pensamento crítico e de aprendizagem, com origem nas escolas cristãs monásticas, que concilia a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega.
[5] A Saxônia ou Saxónia ou Saxe, oficialmente Estado Livre da Saxônia é um dos 16 estados federados da Alemanha, no leste do país. Sua capital é Dresden.
[6] va que a Terra e os demais planetas se moviam ao redor de um ponto vizinho ao Sol, sendo, este, o verdadeiro centro do Sistema Solar
[7] Por volta de 350 a.C., na Grécia antiga, Aristóteles desenvolveu uma teoria que defendia a ideia de que a Terra era o centro do universo e nove esferas ficavam girando em torno dela. Posteriormente, no século II d.C., o matemático e astrônomo, Claudio Ptolomeu, reforçou esse pensamento e elaborou a teoria Geocêntrica, também chamada de sistema ptolomaico.
[8] corrente filosófica que iniciou com a definição do raciocínio como uma operação mental, discursiva e lógica que usa uma ou mais proposições para extrair conclusões, ou seja, se uma ou outra proposição é verdadeira, falsa ou provável
[9] é uma teoria do conhecimento que afirma que o conhecimento sobre o mundo vem apenas da experiência sensorial. O método indutivo, por sua vez, afirma que a ciência como conhecimento só pode ser derivada a partir dos dados da experiência.
[10] doutrina que considera Divino o fundamento de toda a ordem no mundo. Nesta visão, o significado e o valor das ações feitas às pessoas ou ao ambiente são atribuídas a Divindade.
[11] Doutrina que acredita na criação do universo por uma inteligência superior, através da razão, do livre pensamento e da experiência pessoal, em vez dos elementos comuns das religiões teístas como a revelação direta, ou tradição.
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por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante