1. Panorama de Pentecoste e Constantino
2. A Divisão da História do Cristianismo
3. Primeiros Atos do Cristianismo
4. Perseguição ao Cristianismo
5. Vida de alguns Apologetas do Cristianismo

Introdução
Aqui está uma versão revisada do texto:
Introdução
Ao longo da história da humanidade, muitos eventos marcaram profundamente a trajetória da civilização, conectando passado, presente e futuro em uma busca contínua por significado em nossa jornada como peregrinos neste mundo. Para os cristãos, o Cristianismo é um desses eventos transformadores. Estudar a história de uma das maiores religiões do mundo é, portanto, essencial para compreender seu impacto duradouro na humanidade.
Jesus Cristo, o Filho de Deus, se fez homem e veio ao mundo com a missão de pregar o amor a Deus e ao próximo. Embora sua mensagem fosse de amor, ele foi perseguido e morto por aqueles que não aceitavam seus ensinamentos. Seu mandamento central era claro: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (João 15:12-15). Jesus nasceu em Belém, uma pequena cidade a cerca de 100 quilômetros de Nazaré, para onde José e Maria viajaram devido ao censo em andamento. Essa viagem fazia parte do plano divino, conforme profetizado 700 anos antes: “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que será o governante de Israel” (Miqueias 5:2). Jesus veio com uma missão que desafiava as estruturas estabelecidas, inaugurando uma nova era na história do Cristianismo.
Neste livro, você terá a oportunidade de explorar essa história em profundidade, conhecendo o contexto do Cristianismo e como, ao longo de mais de 2.000 anos, essa fé superou inúmeros desafios e perseguições. Esta jornada o levará desde os primeiros cristãos até os dias atuais, proporcionando uma compreensão mais ampla e rica da trajetória cristã.
Iremos buscar de maneira clara e fluida, reforçando a importância do estudo do Cristianismo e destacando a conexão entre a história e a missão de Jesus Cristo.
1. Panorama de Pentecoste e Constantino
Conhecer a História do Cristianismo no tempo de Pentecoste a Constantino, especificamente dos séculos de 1 a 3 percebendo o sofrimento, mas também a resistência dos que decidiram seguir o Cristianismo, integrando nestes 300 anos parte do início da Igreja até Constantino, o imperador romano que concedeu a liberdade de culto aos cristãos e também aos adeptos de quaisquer outras crenças pelo Édito de Milão. Ele tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Romano.
“Pentecostes”: palavra grega (pentekosté) que significa “quinquagésimo”. Para os Cristãos, é a memória do dia em que os discípulos estavam reunidos no cenáculo e também estava Maria, a Mãe de Jesus, quando receberam o Espírito Santo pela primeira vez. Jesus já havia subido aos céus, a Ascensão. Em Pentecoste Jesus apresenta sua Glória e plenifica a Páscoa. Ele venceu a Morte! Está Vivo!
Entendendo os significados de Pentecoste V.T.
Quinquagésimo dia após a Páscoa judaica cada família oferecia os seus dons derivados da colheita, cf. Ex 19.1-16, “Três vezes por ano celebrarás uma festa em minha honra. Observarás a festa dos Ázimos: durante sete dias, no mês das espigas, como o fixei, comerás pães sem fermento (foi nesse mês que saíste do Egito). Não se apresentará ninguém diante de mim com as mãos vazias. Depois haverá a festa da Ceifa, das primícias do teu trabalho, do que semeaste nos campos; e a festa da Colheita, no fim do ano, quando recolheres nos campos os frutos do teu trabalho. (Êxodo 23, 14-16)
Dia em que os judeus comemoravam com uma grande festa a entrega das tábuas da Lei a Moisés sobre o monte Sinai. Jerusalém ficava repleta de estrangeiros, judeus vindos de todas as partes do mundo — A “Diáspora” (deslocamento do povo, de todos os lados, tendo Jerusalém como destino, para celebrar a festa) cf. Ex 19.16-18
Entendendo os significados de Pentecoste N.T.
Quinquagésimo dia após a Ressurreição de Cristo. Jesus havia prometido aos Discípulos que enviaria o Espírito Santo. Eles estavam temerosos, pois com a subida de Jesus aos Céus (Ascensão) havia a insegurança, pois seriam perseguidos, mas precisavam manter o testemunho sobre o que viram, ouviram e experimentaram estando ao lado de Jesus. Depois da Ascensão, os discípulos não tinham mais a presença física do Mestre. Por isso Jesus prometeu “outro Consolador” (João 16.7) cf. At 2.1-3.

A Igreja foi, de fato, inaugurada numa poderosa manifestação milagrosa do Espírito Santo, com o som de vento impetuoso e língua de fogo pousando sobre cada discípulo, com a primeira proclamação pública da ressurreição de Jesus. Essa proclamação foi feita para representantes do mundo inteiro. Eram Judeus e prosélitos do judaísmo reunidos, em Jerusalém, para a festa de Pentecostes, procedentes de distantes partes do mundo conhecido. Menciona-se 15 nações.
O Novo Pentecostes marca o nascimento da Igreja e definitivamente do Cristianismo. Por todas as nações e em todas as Línguas, pela ação do Espírito Santo, o nome de Jesus deve ser proclamado para sempre.
Constantino
É preciso saber que Constantino foi um Imperador Romano, proclamado Augusto[1] pelas suas Tropas em 306. Ele é também conhecido como Constantino Magno ou Constantino, o Grande. Foi um Imperador que venceu muitas batalhas e entre elas Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Lutou contra os francos e alamanos, os visigodos e os sármatas. Construiu a Nova Roma, uma nova residência imperial em lugar de Bizâncio que ficou conhecida como Constantinopla, que se tornou a capital do Império Romano do Oriente por mais de mil anos. Por isso que ele é considerado como um dos fundadores do Império Romano do Oriente. Ainda sobre Constantino, não nos prenderemos às questões que envolvem os muitos questionamentos sobre sua conversão e sobre os interesses que o levaram a proteger o Cristianismo.
No decorrer de duas grandes guerras, contra os rivais para se firmar no trono e dominar todo o ocidente, Constantino se achava um pouco ao norte de Roma, entre seus inimigos e a cidade, a ponte Múlvia, sobre o rio Tigre. Neste lugar, durante um sonho, na noite anterior à batalha, apareceu-lhe uma cruz com a inscrição: “por este sinal vencerá”.
Ao amanhecer o dia, Constantino mandou pintar este sinal, às pressas, sobre o seu elmo e nos escudos dos seus soldados. Em certo sentido combateu na qualidade de cristão e ganhou batalha. Com esta vitória, obtida no dia 28 de outubro de 313 d.C., ele passou a crer que o Deus dos cristãos lhe havia dado a vitória.

No mesmo ano, Constantino e Licínio concederam liberdade religiosa a todos os povos do império, aos cristãos, através do edito de Milão, que afirmava: “Aos cristãos e a todos os outros, plena liberdade de seguir a religião que cada um aprouver”. Depois de quase três séculos de perseguições pelos romanos, agora pelo Edito de Milão os crentes podiam respirar, pela primeira vez na história, o ar da liberdade religiosa!
No ano 325 d.C. Constantino convocou o primeiro concílio geral da igreja, em Nicéia, na Ásia Menor. Neste mesmo ano, expediu uma exortação geral a todos os súditos para que abraçassem o cristianismo, e estabeleceu Bizâncio como uma segunda capital do império, mudando-lhe o nome para Constantinopla, que seria uma “Nova Roma”. De muitas maneiras o imperador favoreceu os cristãos, dando-lhes os principais cargos, isentando os ministros cristãos de imposto e do serviço militar, ajudando na construção de igrejas, e encomendado 50 Bíblias para a igreja de Constantinopla, sob a direção de Eusébio. Embora Constantino simpatizasse muito com os cristãos, o cristianismo só tornou-se religião oficial no reinado de Teodósio. Constantino fez do domingo o dia de descanso. Os defensores do sábado alegam que esse dia era reconhecido pelos primitivos cristãos até que o imperador Constantino, em 321, mudou o dia de guarda do sábado para domingo. Mas a verdade é que os primitivos cristãos guardavam o domingo como dia de descanso e adoração, e isso durante três séculos antes de haver Constantino reconhecido oficialmente, esse dia como o descanso cristão.
Entretanto, Justino o Mártir, apologista cristão que viveu muito antes de Constantino (100 a 167 d.C.), afirma que os cristãos realizavam cultos sempre aos domingos. “No domingo, há uma reunião de todos que moram nas cidades e nas vilas…” e continua a descrever o culto dos crentes primitivos. O descanso, no primeiro dia da semana não foi, portanto, uma invenção de Constantino, mas a instituição de outro rei mais poderoso: Jesus Cristo. Esse dia foi escolhido pelos apóstolos e acatado, com muita reverência pelos cristãos primitivos.
[1] Augusto significa (Augustus, plural: augusti, Latim para “majestoso”, “o exaltado”, ou “venerável”).
2. A Divisão da História do Cristianismo
Para que você se localize na história do Cristianismo, é muito importante que conheça a divisão dos períodos da história situando-se nos mesmos: A divisão do tempo recebe o nome e periodização clássica e divide a História em cinco grandes períodos. Vamos nos dedicar aos quatro após a Pré-História.

Idade Antiga
— Jesus Cristo, no ano 1 d.C. até o ano de 476 d.C.
Roma foi invadida pelos povos germânicos e eslavos que ficou conhecido pelos romanos como os “bárbaros”. Caracteriza-se pelo nascimento e expansão inicial do Cristianismo. Houve muitas crises provocadas pelas rupturas com o Judaísmo e muitas perseguições dos Romanos aos Cristãos. A sociedade, neste tempo, estava marcada pela existência de grandes impérios e pelo escravismo.
Idade Média
— Abrange um longo (quase dez séculos). Vai do século V ao século XV.
Teve início com a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, e o fim, pela tomada de Constantinopla pelos turcos, em 1453, culminando com o declínio do poder temporal dos papas até o início da reforma protestante, em 1517. Foi um Período de crescimento e expansão do Cristianismo, que ficou conhecido como “Cristandade”. O Cristianismo torna-se uma grande força no mundo ocidental, sendo assim, toda a vida social girava em torno da vida cristã. Os historiadores dividem a Idade Média em duas partes: Alta Idade Média, meados do século V até o fim do século X e do século XI e a Baixa Idade Média, até meados do século XV.
Idade Moderna
— Período compreendido entre os séculos XV e XVIII.
Foram os europeus desse tempo que se autodenominaram modernos. Um período que começou com a tomada da cidade de Constantinopla pelos Turcos-Otomanos, em 1453, e encerrouse com a queda da Bastilha e a Revolução Francesa, em 1789. Também é o Período da crise eclesial no renascimento, da Reforma Protestante Luterana e formação de novas igrejas: Luterana, Calvinista e Anglicana. Também foi um período de transformações paradigmáticas, a invenção da imprensa, o desenvolvimento marítimo e pelo modo de produção capitalista.
Apesar de ficar conhecido como Idade Moderna, este período não se refere aos dias atuais, mas ao que era novo após a Idade Média.
Idade Contemporânea
— Período início em 1789 e continua até nossos dias.
Marcado por transformações profundas na sociedade e também por conflitos mundiais. A adoção da Revolução Francesa como ponto inicial desse período da história remete ao impacto de seus efeitos em diversos locais do mundo.
Tempo de novas perseguições aos Cristãos, inclusive com genocídios. A rejeição ao religioso toma força a partir do século XVIII.
O Cristianismo tornou-se a Religião mais perseguida. Pesquisas apontam que no tempo presente, como exemplo: “O que acontece no Oriente é um genocídio e está acontecendo hoje, agora (…). A cada cinco minutos um cristão morre no Oriente Médio e os líderes mundiais sabem. Levo anos gritando isso enquanto o mundo se cala (…) o Oriente Médio está esvaziando-se de cristãos e foi lá onde a sua fé nasceu. (NADAF. Gabriel 2016. P 34)
As Religiões tentam encontrar caminhos para sobreviverem no mundo pós-moderno. As Igrejas Protestantes também se lançam no novo tempo. Dessa forma, há mais pontos que unem do que pontos que separam.
Síntese dos tempos das 4 idades da história.

3. Primeiros Atos do Cristianismo
O Cristianismo tem como berço a Palestina e foi fundado por Jesus Cristo e teve continuidade com seus discípulos, com destaque inicial para Pedro, Paulo e os apóstolos.
Quando o Cristianismo foi fundado, os romanos tinham muito poder e dominava a política e tinha grande exército de batalhas. Os Romanos viviam o apogeu. Como estudado a Palestina pertencia ao Império Romano. Depois da tomada de Jerusalém (Pompeu no ano 63 a.C.) não existiu mais um Estado judaico independente. Depois da morte do idumeu Herodes (37–4 a.C.), Augusto deixou o seu território aos filhos. A Palestina era uma região desprezada, assim como também o seu povo Judeu. O imperador possuía poder ilimitado; o governo era moderado, e as províncias tinham autonomia. Relembre quem foram os Herodes que marcaram a História do Cristianismo, contudo eles foram os grandes perseguidores de Jesus.
Foi no Império Romano que os primeiros cristãos viveram e deram continuidade à obra de Jesus Cristo e fundaram a Igreja e promoveram as comunidades cristãs por todos os lados. Esse período classifica-se como Cristianismo primitivo (séculos I, II, III e parte do IV). Vai da Ressurreição de Jesus e depois com Pentecostes, até a abertura do Concílio de Nicéia — de 30 d.C. a 325.
A separação do Cristianismo e do Judaísmo
O Cristianismo surgiu como seita judaica surgida no século 1º, chamava-se “ do caminho”, mas pouco a pouco houve a ruptura com o Judaísmo. Foi pelo Concílio de Jerusalém, ano 52, que o Cristianismo se desvincula do Judaísmo de vez. Surge definitivamente uma nova religião.
Nos primeiros séculos, os romanos perseguiram o Cristianismo ocasionando a morte de milhares de mártires e dificuldades para a expansão cristã. Inicialmente, os cristãos foram vistos como “judeus fervorosos”, mas, com o passar do tempo, a pregação cristã, que enfatizava Jesus Cristo, como Filho de Deus, fez com que os judeus os proibissem de pregar. Tal medida não foi suficiente e os cristãos foram expulsos das sinagogas judaicas.
Os cristãos, diferentemente dos judeus, passaram a adotar os escritos do N.T. na época, escrito após advento de Jesus Cristo por seus apóstolos e que relata a Sua vida e dos primeiros acontecimentos da comunidade cristã nascente.
A aproximação entre a Igreja e o Estado, ou melhor, entre os cristãos e o Estado, o Império Romano, se deu por que o Cristianismo se propagou muito. Assim, perseguir os cristãos acabou por ser prejudicial ao próprio império, que vivia uma crise religiosa e social e encontrou no Cristianismo apoio e respostas, mas, mesmo sendo o critianismo usado por alguns imperadores para outros era motivo de perseguições e massacres dos discipulos.
O cristianismo começou a se espalhar a partir de Jerusalém, e depois em todo o Oriente Médio, acabando por se tornar a religião oficial da Armênia em 301, da Etiópia em 325, da Geórgia em 337, e depois a Igreja estatal do Império Romano em 380.
Tornando-se comum em toda a Europa na Idade Média, ela se expandiu em todo o mundo durante a Era dos Descobrimentos.
Expansão das Comunidades Cristãs
Os Cristãos são perseguidos e sendo expulsos das Sinagogas passam a se esconder nas catacumbas para viverem o testemunho da Fé Cristã. Esta era a Igreja de Jesus Cristo. Ela é ao mesmo tempo Divina e Humana, pois é um fato histórico, mas um fato revelado, sendo assim, a Igreja, traduzida pelo Cristianismo é fato divino e humano. Foi na língua aramaica, grega e hebraica que o Evangelho foi espalhado oralmente. O Cristianismo Primitivo, que aconteceu após Ressurreição de Jesus, ficou conhecido pelo mundo pelo testemunho dos Apóstolos e de todos os que haviam convivido com Jesus. Oralmente a mensagem foi espalhada.

Devido à grande perseguição que se levantou contra a igreja de Cristo em Jerusalém, os crentes, com exceção dos apóstolos, foram espalhados pela Judéia e Samaria, assim, Deus usou a perseguição para expandir a igreja.
Em Antioquia, cerca de 500km ao norte de Jerusalém, começaram a pregar aos gentios, dos quais muitos se converteram. Foi lá que os discípulos foram, pela primeira vez, chamados de cristãos, cf. At 11.26. Antioquia não ficou sendo o ponto final do esforço da expansão dos cristãos. Por indicação do Espírito Santo, a igreja de Antioquia da Síria, enviou dois missionários, Paulo e Barnabé, para a Ásia menor. Surgiram as igrejas de Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Mais tarde, surgiram as igrejas de Éfeso e Colossos. Como resultado de uma visão do apóstolo Paulo, a quem um homem macedônico disse: “passa à Macedônia e ajuda-nos”, aquele apóstolo atendeu o apelo e fundou igrejas em Filipos, e em toda a Macedônia, como em Tessalônica, e em Corinto. Finalmente, a igreja chegou até Roma, na Itália, onde Paulo esteve por algum tempo.
Juntamente com o a expansação das comunidades surge o Didaquê ou Instrução dos Doze Apóstolos do grego. É do Século 1, são 16 capítulos de instrução para os Cristãos. Quem quisesse seguir Jesus Cristo precisava seguir esta Doutrina. A Didaqué apresenta o “O Caminho da Vida e o caminho da morte”. O Cristão deve conhecer e seguir sempre o caminho da vida.
4. Perseguição ao Cristianismo
O Testemunho dos Atos dos Apóstolos e a expansão da Igreja, os primeiros cristãos, ou eram judeus ou eram gentios convertidos ao judaísmo, conhecidos pelos historiadores como judeus-cristão. O Cristianismo se espalha e a Igreja é fundada, a princípio, pela liderança de Pedro, cf. livro dos Atos dos Apóstolos a formação de uma comissão (At 6.1-6).
Os Judeus perseguiram os cristãos porque estes pregavam a Jesus como o verdadeiro Messias, e porque permitiam que os gentios participassem da igreja sem serem circuncidados. O medo da conseqüente desconsideração do ritual histórico, levou os judeus farisaicos ao ataque, de que resultou a morte do primeiro mártir cristão, Estevão, apedrejado pela multidão. Dessa forma, o Cristianismo se consolidou e se expandiu e foi perseguido. Da comissão dos eleitos, Estevão se tornou o primeiro Mártir, pois pregava o Evangelho de forma explícita, clara e segura. Fato que causava espanto, medo, rancor e ódio. Estevão se tornou o líder dos sete diáconos eleitos. Ele não temia e atacava a prática religiosa dos judeus que não se converteram. Estevão externou que já não era possível nenhuma identificação do Cristianismo com o Judaísmo, torna-se então definida a separação. Evidente que isso não agrada as autoridades religiosas. Estevão não se intimidava e era incisivo em sua pregação. Por isso foi perseguido e morto. (At 7.1-60)
Depois do martírio de Estevão, a paz relativa desfrutada pela igreja de Jerusalém, foi perturbada por uma perseguição mais severa, instigada em 44 d.C. por Herodes Agripa I, o qual, desde 41 até sua morte, em 44, foi rei vassalo, no antigo território de Herodes, o Grande. Depois da morte de Tiago, Pedro foi preso, mas escapou da morte. Essa perseguição se fez sentir não somente no território judaico, mas por toda a parte onde era pregado o evangelho.
Perseguição por parte dos gentios
Os romanos consideravam os cristãos como anti-sociais, desleais ao imperador, marginais, ateus, anárquicos, antropófagos e incendiários.
— Anti-sociais – As expressões de cumprimento dos romanos naquela época sempre incluíam o louvor a um deus pagão. Muitos cristãos não gostavam de dizer “bom dia” aos seus vizinhos, pois com o simples cumprimento eles tinham que invocar o nome do deus Júpiter. Esse fato levou os cristãos a serem acusados de “anti-sociais”. Convidado para jantar na casa do vizinho, o cristão se recusava a participar das cerimônias pagãs, antes da refeição. Para os romanos, esta era mais uma prova de que os cristãos eram contra a sociedade.
— Desleais ao imperador – O imperador romano era considerado divino. Os cristãos recusavam-se a reconhecê-lo como tal. Por isso eles foram acusados de serem desleais ao imperador. Os outros povos adoravam seus deuses e também ao imperador.
— Marginais – O cristianismo só passou a ser religião legal no início do quarto século, através do imperador Constantino. Até então, os cristãos não tinham proteção por parte das autoridades. Eles se reuniam em lugares secretos, como nas famosas catacumbas de Roma, no caso dos que viviam na capital do império. Houve uma época em que, durante dez anos, os cristãos foram caçados pelas cavernas e florestas; queimados, lançados às feras, mortos por todas as crueldades imagináveis. Das sepulturas dos cristãos, nesse período, varia os cálculos dos mártires, que vai de dois a sete milhões.
— Ateus – Quando alguém se convertia a Cristo, destruía logo todos os seus ídolos. Os cristãos tentavam explicar que o verdadeiro Deus era invisível, mas os romanos insistiam que qualquer pessoa sem nenhum ídolo em casa, era ateu.
— Anárquicos – Os cristãos, por falta de proteção por parte das autoridades constituídas, se reuniam secretamente, à noite, e se mantinham afastados da sociedade comum. Por isso eram acusados, caluniosamente, pelos romanos de anarquistas, imorais e toda a sorte de libertinagens.
— Antropófagos – A acusação freqüente de canibalismo, que contra eles se levantava, devido à falta de compreensão da doutrina cristã, da presença de Cristo na Santa Ceia, como Jesus havia dito: “Quem não comer do meu corpo e não beber do meu sangue, não é digno de mim”. O fato de a igreja celebrar a Ceia secretamente à noite, suscitava a acusação de licenciosidade.
— Incendiários – Grande parte da cidade de Roma foi destruída por um gigantesco incêndio. Os cristãos, possuidores de muitos títulos degradantes, foram apontados como causadores do sinistro. O número de vítimas foi incalculável. Muitos cristãos foram presos e condenados sumariamente. Para os cristãos incendiários só restava fogueiras, espadas, cruzes, feras, forcas, prisões e outras perseguições horríveis.
As maiores perseguições
— Nero – foi este o primeiro imperador romano a perseguir a igreja de Jesus Cristo. Em 64 d.C, ocorreu o grande incêndio de Roma. O povo suspeitava de Nero, e este, para desviar de si tal suspeita, acusou os cristãos, e mandou que fossem punidos. A morte dos cristãos se tornou mais cruel pelo escárnio que a acompanhava. Alguns eram vestidos de peles de animais e despedaçados pelos cães; outros eram queimados, depois do pôr-do-sol, para assim alumiar as trevas. Nero mesmo cedeu o próprio jardim para o espetáculo.
— Décio – No ano 250 d.C o imperador Décio decretou, pela primeira vez, uma perseguição universal aos cristãos; que atingiu todo império romano. Multidões pereceram sob as mais cruéis torturas. Cipriano disse: “O mundo inteiro está devastado”. Naquela época, Orígenes, um dos homens mais eruditos da igreja antiga, depois de ser preso e torturado, faleceu.
— Deocleciano – No ano 303 d.C., decretou a segunda perseguição de caráter universal, ou seja, em todo império. Foi a última perseguição imperial, e mais severa. Os cristãos foram caçados pelas cavernas e florestas; queimados, lançados às feras, mortos por todas as crueldades inimagináveis. Foi um esforço resoluto, determinado e sistemático por abolir o nome de cristão.
O Incêndio de Roma

A Perseguição aos Cristãos aumentava dia após dia e se tornou implacável. Os Cristãos passaram a conhecer o medo, a dor, a tortura e o martírio. Foram acusados do Incêndio em Roma em 64 d.C. Muitas versões são levantadas pelos pesquisadores, inclusive que podia ter sido o próprio Imperador. Em outras versões são os moradores os acusados. O fogo se alastrou rápido, dois terços da cidade foram destruídos, além de templos e outras construções oficiais. Conta a história que Nero, tocava violino enquanto apreciava o fogo destruir a cidade. Também há versões históricas de que Nero não estaria em Roma e voltou por causa do incêndio, mas foi indicado como incendiário por ser aproveitar, posteriormente, para comprar propriedades oferecendo baixo valor aos que já estavam sofrendo com as perdas. Nero queria construir um palácio. Os Cristãos pagaram caro e com o próprio sangue a ira do poder romano. Dessa forma inicia-se a sangrenta fase do Cristianismo.
O Incêndio do Templo de Jerusalém

Em 70 d.C, as tropas do general Tito, invadiram a cidade de Jerusalém e incendeiam o templo. Os Judeus, que antes eram protegidos pelo império, são também perseguidos, maltratados e vendidos como escravos. Os Judeus queriam independência a qualquer custo e lidera um massacre contra os romanos, mas Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para conduzir a guerra contra os judeus. Tudo se concentrava em Jerusalém. O cerco estava fechado e a fome e a miséria tomavam conta. As doenças aniquilavam as pessoas. Os romanos desenvolviam máquinas para arremessar pedras contra as cidades. Os romanos foram avançando e romperam os três muros de proteção do templo. Os Judeus foram se refugiar dentro do Templo, mas os soldados provocaram um grande incêndio pondo fim ao Templo de Jerusalém e aos judeus. Os Cristãos não quiseram enfrentar a batalha. Não escolheram lado e fugiram de Jerusalém. Tendo sido destruído o Templo de Jerusalém, também os Cristãos ficariam vulneráveis, pois o império não mais podia defender o judaísmo. Fato que permitia os Cristãos se esconder da perseguição dos romanos.
5. Vida de alguns Apologetas do Cristianismo
Os apologistas foram defensores intelectuais do cristianismo. Entre os que mais se destacaram temos Justino, o Mártir e Tertuliano…entre outros. Esses apologetas desempenharam um papel crucial na defesa e expansão do Cristianismo, articulando respostas às críticas filosóficas, religiosas e políticas de seu tempo.
Os apologetas cristãos dos séculos I e II foram teólogos e escritores que defenderam e explicaram a fé cristã em resposta a críticas e perseguições. Aqui estão alguns dos mais notáveis:

- Quadrato de Atenas (c. 125 d.C.): Considerado o mais antigo dos apologetas cristãos, Quadrato escreveu uma defesa da fé cristã dirigida ao imperador Adriano. Seu trabalho, infelizmente, não sobreviveu em sua totalidade, mas é citado por Eusébio de Cesareia como uma defesa poderosa e convincente da verdade do Cristianismo.
- Aristides de Atenas (c. 125-130 d.C.): Contemporâneo de Quadrato, Aristides também escreveu uma apologia dirigida ao imperador Adriano. Sua obra “Apologia de Aristides” é uma das mais antigas defesas do Cristianismo, na qual ele argumenta a superioridade da fé cristã sobre as religiões pagãs e a filosofia grega.
- Justino Mártir (c. 100-165 d.C.): Um dos mais importantes apologetas do século II, Justino foi um filósofo pagão convertido ao Cristianismo. Escreveu duas apologias, a primeira dirigida ao imperador Antonino Pio e a segunda ao Senado Romano, além de seu “Diálogo com Trifão”, onde defende a fé cristã em debates com judeus e pagãos. Nasceu em Siquém na antiga Samaria. Estudioso diligente da filosofia teve a atenção atraída pelos profetas hebreus, “homem mais antigo que todos os que são considerados filósofos”. Pelo contato com as mensagens proféticas, se converteu ao cristianismo. “Acendeu-se imediatamente em minha alma uma chama de amor pelos profetas e pelos que são amigos de Cristo… descobri que só essa filosofia é segura e proveitosa”, dizia Justino. Justino escreveu várias obras (apologias), defendendo o Cristianismo contra a perseguição governamental e as críticas pagãs. Escreveu a respeito de sua crença nas profecias do AT e na segunda vinda de Cristo, na ressurreição e no milênio. Como Paulo, Justino se tornou um missionário. Os pagãos de Roma, que não queriam que Justino continuasse ensinando, planejaram tirar-lhe a vida. Ele, entretanto, prosseguiu em seu testemunho, até que foi decapitado.
- Taciano, o Sírio (c. 120-180 d.C.): Discípulo de Justino Mártir, Taciano escreveu “Discurso aos Gregos”, uma obra apologética que critica a cultura pagã grega e defende o Cristianismo. Ele também é conhecido por compilar o “Diatessaron”, uma harmonização dos quatro Evangelhos.
- Atenágoras de Atenas (c. 133-190 d.C.): Um filósofo ateniense convertido ao Cristianismo, Atenágoras escreveu uma apologia chamada “Uma Súplica em Favor dos Cristãos”, dirigida ao imperador Marco Aurélio e seu filho Cômodo. Nessa obra, ele defende os cristãos das acusações de ateísmo, canibalismo e imoralidade.
- Teófilo de Antioquia (c. 120-190 d.C.): Bispo de Antioquia, Teófilo escreveu três livros intitulados “Ad Autolycum”, nos quais defende o Cristianismo contra as críticas pagãs e filosóficas. Ele é o primeiro a usar o termo “Trindade” para descrever a natureza de Deus.
- Melitão de Sardes (c. 100-180 d.C.): Bispo de Sardes, Melitão escreveu uma apologia dirigida ao imperador Marco Aurélio, na qual defende a fé cristã e protesta contra a perseguição aos cristãos. Ele também é conhecido por sua obra sobre a Páscoa, que reflete a prática litúrgica da Igreja primitiva.
- Tertuliano – 160 – 220 d.C. Foi Tertuliano uma das personalidades notáveis da igreja primitiva, considerado como o “Pai do cristianismo Latino”. Nasceu em Cártago, na África, e possuía grande erudição em advocacia, filosofia e história. Encetou uma carreira literária de defesa e explicação do cristianismo. O intenso fervor espiritual que demonstrava, tornava sempre admirável o que escrevia. Para ele, o Cristianismo era uma grande loucura divina, porém mais sábia do que a mais excelente filosofia humana. Muitos termos filosóficos que hoje empregamos, para definir certas doutrinas bíblicas que foram citadas por Tertuliano. Como exemplo marcante, temos a palavra “trindade”.
6. Heresias no Cristianismo
Heresia é qualquer doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja em matéria de fé e dos dogmas bíblicos. Podemos citar algumas.

— Gnosticismo
Era uma filosofia religiosa, que proporcionava ao homem, por meio de um “conhecimento” (gnôsis). Os gnósticos ensinavam que toda matéria é má, por isso negavam que Cristo tivesse tido um corpo material, isto é, negavam a sua humanidade. Assim os gnósticos estavam negando não só a humanidade de Cristo, mais também sua morte e ressurreição.
A grande expansão do gnosticismo e sua conseqüência ameaçava a pureza doutrinária da igreja. O movimento gnósticos chegou ao ápice de sua influência entre os anos 135 a160 d.C.
A tradição cristã atribuía a Simão, o mágico, a fundação do gnosticismo cristão. Podem citar como líderes, mais provavelmente definidos, o Satornino, Másilides e Valentino. Em geral, as seitas gnósticas dividiam os homens em grupos: os “espirituais” e os “materiais“. Valentino, posteriormente, falava numa tríplice divisão: os “espirituais” – os únicos capazes de atingir o “conhecimento”; o “psíquico” – capazes de fé e de um certo grau de salvação, e os “materiais” – totalmente sem esperança. No tempo dos apóstolos, já existia gnosticismo, só que não era conhecido com este nome. A certa aos colossenses é uma verdadeira apologia contra o gnosticismo.
— Montanismo
Foi um movimento de origem puramente cristã. Montano, natural de Ardabeu, na Frígia, Ásia Menor, percebendo o estado de degradação espiritual que a igreja passava, por volta do ano 156 d.C., decidiu protestar contra o mundanismo, que estava solapando o vigor da vida abundante e as manifestações do Espírito Santo. Em grande parte, o montanismo, representou uma reação contra as tendências seculares, que se faziam sentir escandalosamente no meio da igreja; a esperança na volta de Cristo e a inspiração constante do Espírito Santo, praticamente extinguiu-se. A história registra certos exageros e extravagâncias, de alguns fanáticos, que constituíram um verdadeiro abuso na aplicação dos dons espirituais que receberam.
Embora gradualmente banido da igreja, o montanismo continuou a existir no Oriente, muito tempo depois de o cristianismo ter sido aceito pelo governo imperial.
— Marcionismo
Marcião, o fundador do marcionismo, é considerado como o primeiro dos reformadores da igreja. Abastado armador, nascido em Sinope, na Ásia Menor, transferiu-se para Roma, por volta de 139 d.C. Ele atacava toda forma de legalismo e judaísmo, afirmando que Paulo era o único apóstolo que tinha realmente entendido o evangelho. Todos os outros tinham caído nos erros do judaísmo.
Para os marcionistas, o mundo teria sido criado por um deus inferior, ou seja, o Deus do Antigo Testamento. Idéia puramente gnóstica. Além dessa doutrina a respeito da criação, Marcião não aceitava todos os livros, que mais tarde, formaram o Novo Testamento. Aceitava apenas parte do Evangelho de Lucas e dez Epístolas de Paulo. Separava o cristianismo de suas histórias, de modo tão radical, quanto o fizeram as teorias gnósticas mais abstratas. Condenava o Antigo Testamento e seu Deus. Os esforços de Marcião, no sentido de fazer com que a igreja de Roma voltasse ao que ele considerava o evangelho de Cristo e de Paulo, resultaram na sua própria excomunhão, por volta de 144. Mas apesar dessa excomunhão, o movimento espalhou-se muito, notadamente no Oriente, e existiu até o quinto século. Tanto quanto se sabe, foi Marcião quem fez a primeira tentativa de formar uma coleção autorizada de escritos no Novo Testamento.
https://cursos.cgmeb.org/
https://ESTAdokimos.com/
https://SergioValentin.com.br/
por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante